Estudo
Portugal é o segundo país com mais desigualdade na UE
Económico com Lusa
02/12/10
Portugal tem segundo valor mais alto no índice de desigualdade social da União Europeia
Portugal apresenta o segundo valor mais alto no índice de desigualdade social da União Europeia, indica o livro "Desigualdades Sociais 2010 - Estudos e Indicadores", lançado hoje
pelo Observatório das Desigualdades.
O livro indica que a Letónia é o país com mais desigualdade na distribuição de rendimentos, mas logo a seguir vêm, ex-aequo, Portugal, Bulgária e Roménia, refere o estudo hoje apresentado no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa.
No que toca às diferenças de rendimento total entre os mais ricos e os mais pobres Portugal está no quarto lugar da lista dos países mais desiguais.
O rendimento dos 20% da população mais ricos é 6,1 vezes superior ao dos 20% mais pobres, concluiu a equipa coordenada pelo investigador Renato Miguel do Carmo.
Usando dados de 2007, os responsáveis pela investigação concluíram também que 18% da população estava em risco de pobreza em 2007, com especial incidência para os jovens até aos 17 anos (23% em risco) e para os idosos com mais de 65 anos (22%).
"A baixa escolaridade, o desemprego, a monoparentalidade, o número elevado de filhos e viver só são fatores que contribuem para elevar a taxa de risco de pobreza", indica-se no livro.
Um dos fatores que mais contribui para aumentar este risco de pobreza é o desemprego, que no último trimestre de 2009 afectava mais 504 mil portugueses, contando com os inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional.
Três quartos deste meio milhão de pessoas só tinham estudado até ao 9º ano de escolaridade. A maior parte destes desempregados tinha entre 35 e 54 anos. Nesta faixa etária, o desemprego em Dezembro de 2009 aumentou 30,1% face ao que se verificava em dezembro de 2008.
Os investigadores registaram que o maior aumento de desemprego de 2008 para 2009 se registou entre pessoas que tinham concluído no máximo o ensino secundário, com uma taxa de 34%.
Nas conclusões, a equipa do Observatório das Desigualdades estabelece que "a economia portuguesa depara-se não só com o problema das baixas qualificações da população trabalhadora, mas também com a questão da baixa oferta de emprego de qualificação
intermédia".
O Observatório das Desigualdades funciona no âmbito do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), contando com apoio governamental.
in DE


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