Valor dos sobreiros do caso Portucale era "insignificante" e estavam "em causa 400 novos empregos"
José Manuel de Sousa, quadro do Grupo Espírito Santo e um dos arguidos do caso Portucale, defendeu hoje em tribunal que o valor dos 2.600 sobreiros que teriam de ser cortados no âmbito do projecto Portucale era reduzido face à prevista criação de postos de trabalho.
"O rendimento médio de um sobreiro anual na Portucale é inferior a dois euros anuais, o que correspondia a cinco mil euros ano para os 2.600 que era preciso cortar. Por outro lado, havia uma compensação já efectuada de cinco mil sobreiros e continuariam a ser explorados e mantidos 30 mil sobreiros. Os 2.600 eram apenas 8% do total, um número insignificante quando, do outro lado da bandeja, estavam um projecto de 200 milhões de euros e 400 novos empregos."
José Manuel de Sousa, administrador da Esparto, empresa do Grupo Espírito Santo e arguido no processo Portucale, explicou hoje em Tribunal por que razão não estaria em causa qualquer problema de natureza ambiental no projecto turístico em causa.
José Manuel de Sousa foi o primeiro arguido a ser ouvido na segunda sessão do julgamento do caso Portucale, que hoje foi retomado, e garantiu que nunca tinha sabido ser necessário qualquer estudo de impacto ambiental. Afirmou também que Abel Pinheiro intermediou várias reuniões com Luís Nobre Guedes, à data ministro do ambiente no governo de coligação PSD/CDS-PP.
O julgamento do caso Portucale está relacionado com o abate ilegal de sobreiros numa herdade pertencente ao Grupo Espírito Santo e envolve um alegado caso de financiamento partidário ao CDS-PP.
Abel Pinheiro, antigo responsável pelas finanças do partido liderado por Paulo Portas é o arguido mais mediático, num processo em que vão a julgamento mais dez pessoas: Carlos Calvário, José Manuel de Sousa e Luís Horta e Costa (estes três ligados ao Grupo Espírito Santo), António de Sousa Macedo (ex-director geral das Florestas), Manuel Rebelo (ex-membro da Direcção Geral das Florestas), António Ferreira Gonçalves (ex-chefe do Núcleo Florestal do Ribatejo), Eunice Tinta, João Carvalho, Teresa Godinho e José António Valadas.
Respondem por crimes de tráfico de influências e falsificação de documentos.
in JNeg


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