Reabilitação Urbana 2008-05-27
Saiba como recuperar casas e fazer um bom negócio
Os apoios do Estado, os benefícios fiscais, as linhas de crédito e a evolução do mercado.
Tem sido considerada como a galinha dos ovos de ouro do imobiliário. Muitas das reabilitações actuais são transformadas em edifícios de luxo, com preços que podem oscilar entre os 4.000 e os 7.000 euros o metro quadrado, e que se vendem rapidamente. Mas então, porque é que não se reabilita mais?
Há várias razões. A primeira, e mais importante, está relacionada com a morosidade da aprovação dos projectos nas câmaras municipais. Desde o momento em que se entrega um projecto o prazo mínimo para se começar a fazer a obra é de cinco anos, mas pode mesmo chegar aos dez. O que significa que só pode esperar quem tem dinheiro suficiente para ter um projecto tanto tempo parado. Um exemplo disso é a Chamartín, a promotora imobiliária que comprou o Convento dos Inglesinhos, em Lisboa, e o requalificou num projecto de habitação de luxo. Foram precisos oito anos para começar a construir o projecto.
Outra razão, apontada por alguns agentes do sector imobiliário, diz respeito aos inquilinos que não querem sair de suas casas, apesar destas estarem degradadas. Para eles é menos dispendioso manter-se na casa do que sair, uma vez que pagam rendas irrisórias. Quer isto dizer que se alguém quisesse comprar aquele edifício na sua totalidade, teria de gastar uma soma considerável nas indemnizações aos inquilinos. Os problemas também se colocam da parte dos senhorios, que não têm receitas suficientes (rendas muito baixas) para fazer obras. A solução passa por vender o imóvel a investidores privados ou recorrer a programas como o Recria, Recriph, Rehabita ou o Solarh. Só o ano passado foram reabilitados 162 imóveis em Portugal ao abrigo destes programas, a maioria através do Recria (ver texto na pág 16).
Outro dos entraves à reabilitação é o facto de ser mais caro do que construir de raiz. Segundo Carlos Moedas, administrador da Aguirre Newman, existem uma série de constrangimentos num projecto daqueles, como manter a fachada ou elementos decorativos, como azulejos antigos. Para não falar dos preços dos terrenos que podem ser inflacionados por razões históricas ou de localização. Para este responsável, os terrenos custam cerca de 1.500 euros o metro quadrado nas zonas boas de Lisboa.
É por tudo isto que ainda se vêem tão poucos edifícios recuperados nos centros das cidades e continuam a existir prédios degradados em plena Avenida da Liberdade, uma das ruas mais emblemáticas da capital. A lentidão dos processos leva mesmo algumas empresas a desistir dos projectos. A promotora espanhola Restaura comprou uma série de imóveis para recuperar, chegando mesmo a entregar os projectos nas autarquias. Mas as longas demoras nas aprovações levaram a empresa a desistir, vendendo os seus activos e trocando Portugal pela Polónia. Histórias como esta são comuns em Portugal, apesar de existirem cerca de 60 mil prédios degradados só em Lisboa e de haver “uma enorme vontade de recuperar”, repara Luís Rocha Antunes, director Cushman&Wakefield. “O mercado tem liquidez suficiente e há de tudo, desde habitações únicas a quarteirões inteiros para reabilitar”, disse. Exemplos dessa vontade são os vários fundos de investimento imobiliário dedicados à reabilitação, cujo capital já ascende a mais de 200 milhões de euros, reparou Rui Alpalhão, administrador da Fundbox.
Mas como vontade não é tudo, têm sido criados uma série de incentivos fiscais para reanimar o mercado de reabilitação imobiliária. No Orçamento do Estado para este ano, o Governo lançou um conjunto de medidas, como a isenção do IMI (Imposto Municipal Sobre Imóveis) ou a redução do IVA.
Os apoios dos bancos à reabilitação
Alguns bancos têm apoios aos investidores através de linhas de crédito. O Santander Totta e a Caixa Geral de Depósito (CGD) são dois exemplos. O Santander, por exemplo, prevê a possibilidade de protocolar linhas específicas para a reabilitação urbana que vão até à opção de ‘leasing’ imobiliário, passando por linhas específicas negociadas com o BEI. A CGD tem também projectos co-financiados pelo BEI, estando actualmente uma campanha em curso até Dezembro deste ano. O banco tem apoios destinados a todo o tipo de cliente desde singulares a empresas, passando por sociedades de reabilitação urbana e municípios. São elegíveis todo o tipo de obras, desde parques de estacionamento a projectos de reabilitação urbana no caso de bairros ilegais, por exemplo.
Construtoras pouco interessadas
Se há empresas que têm capital para recuperar edifícios são as construtoras, que têm grande capacidade de investimento. No entanto, este tem sido um mercado onde dominam os fundos de investimento e as promotoras imobiliárias. As construtoras continuam focadas nos grandes projectos e nas obras públicas. “Uma reabilitação, qualquer construtora faz. O projecto em si é da responsabilidade de uma promotora ou, quanto muito, de construtoras com departamentos de imobiliário”, disse fonte ligada ao sector. É o caso da Edifer, cuja área de imobiliário tem feito algumas reabilitações, como a reconversão do quarteirão Carlos Alberto, no Porto. Também a Teixeira Duarte e o grupo A. Silva e Silva tem desenvolvido alguns projectos nesta área, através da sua área de imobiliário.
in DE


LinkBack URL
About LinkBacks








Responder/Citação
