Novas regras na compra de casa 2008-07-01
Governo corta para metade custos com a compra de casa
O registo predial vai tornar-se mais simples. A redução média dos custos será de 50%.
Os custos envolvidos na compra e venda de casa vão ter uma redução média de 50%. O Governo aprovou novas regras para o registo predial que, sabe o Diário Económico, serão publicadas em Diário da República na próxima sexta-feira e entram em vigor no dia 21 de Julho estabelecendo uma descida dos custos, para além da criarem preços fixos e únicos para todas as transacções imobiliárias. Com o novo sistema o comprador sabe desde o início quanto vai pagar para registar uma casa, em vez de ser obrigado a interpretar uma lista de procedimentos e formalidades cujas quantias eram até agora pagas a diferentes entidades.
Por exemplo, para comprar uma casa de 126 mil euros com financiamento bancário (preço médio das casas em Portugal) o custo desce dos actuais 947 euros para apenas 500 euros. Valores que não incluem os impostos nem o preço cobrado pela entidade que está a apoiar a realização do negócio, um papel que hoje é desempenhado pelos notários, mas que a partir de Janeiro do próximo ano também poderá ser assessorado por um advogado, um solicitador ou uma câmara de comércio e indústria.
Os preços cobrados pelos notários vão também ser liberalizados no próximo dia 21 de Julho, o que só acontecerá para as restantes entidades a partir de 1 de Janeiro de 2009.
Para conseguir estes cortes, o Governo fez duas alterações. Por um lado reduziu o valor dos registos: por exemplo, a compra e venda de casa sem financiamento bancário custa menos 60 euros e uma operação de loteamento menos 223 euros. Por outro lado, as mudanças implicaram também a fixação de preços únicos para as restantes formalidades obrigatórias nas transacções imobiliárias.
Estas medidas para o sector imobiliário abrangem as cerca de 250 mil operações que se realizam por ano. De acordo com estimativas do Ministério da Justiça, todos os anos são feitos 230 mil processos de compra e venda de casa, dos quais 80% recorrem a financiamento bancário: 192 mil por ano. A juntar a este número, estima-se que haja entre 15 e 20 mil transferências de crédito bancário entre entidades, um tipo de operação que tem vindo a crescer.
Em declarações ao Diário Económico, o secretário de Estado da Justiça, João Tiago Silveira revela que “esta é mais uma medida Simplex para a redução dos custos de contexto no sector imobiliário”. “Em causa está a adopção de procedimentos de simplificação que reduzem os custos indirectos, quer para empresas do ramo imobiliário, como empresas que queiram investir neste sector”.
Todas as alterações nos processos de transacção de imóveis têm sido implementadas de forma gradual. Em Julho de 2007 foi lançado o projecto Casa Pronta, que hoje já está disponível em 70 municípios. Estes balcões permitem a realização imediata de toda as operações necessárias à transmissão de um imóvel num único ponto de atendimento. Ainda este mês entrará em vigor a eliminação de certidões entre conservatórias e o fim de alguns registos intermédios. No início de 2009 passa a ser possível praticar todos estes actos em regime de balcão único em cinco entidades diferentes: notários, advogados, solicitadores ou nas câmara de comércio e indústria. Para isso é necessário que se implementem duas medidas: primeiro a eliminação da obrigatoriedade da escritura pública e a eliminação da competência territorial das conservatórias. Pedir registos prediais por via electrónica também só vai ser possível no próximo ano.
in DE


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