Um trabalho científico em que foi analisada a vida sexual de 210 portugueses e agora publicado na revista científica ‘Archives of Sexual Behaviour’ defende que o preservativo usado no coito vaginal é prejudicial para a saúde. Os seus autores, Rui Miguel Costa e Stuart Brody, consideram que "no coito vaginal o preservativo é perigoso para a saúde mental". Acrescentam nas conclusões que não é o sexo desprotegido que propaga doenças como o HIV/sida ou a sífilis, mas sim o sexo anal, sexo praticado com desconhecidos infectados ou que usam seringas contaminadas para se injectar.

"Segundo um anterior trabalho de Stuart Brody, é baixíssima a propagação do HIV//sida por coito vaginal", explica ao CM Rui Miguel Costa, investigador da Universidade West of Scotland, Paisley. Neste trabalho é ainda sustentado que as pessoas que praticam sexo sem preservativo possuem em geral melhor saúde mental do que a restante população.
Fernando Ventura, infecciologista e ex-coordenador da Comissão Nacional da Luta Contra a Sida, contesta a conclusão do trabalho referente à distinção entre sexo anal e vaginal para a propagação de doenças sexualmente transmissíveis. "É pacífico entre a comunidade científica que as doenças sexualmente transmissíveis se propagam por sexo anal ou vaginal. O uso de preservativo é decisivo na não propagação dessas doenças."
Stuart Brody, colega de Rui Miguel Costa, defende que o preservativo não tem esse relevo no sexo vaginal e considera mesmo que possui um efeito negativo em termos psicológicos. "As explicações possíveis para a inferência negativa dos preservativos nos benefícios para a saúde do sexo vaginal incluem o bloqueio de agentes antidepressivos e imunológicos no sémen e nas secreções vaginais e a redução da satisfação e intimidade sexual".
As conclusões resultaram da análise da vida sexual de 111 homens e 99 mulheres da região de Lisboa, que acederam responder a diversas pergunats sob anonimato.
"COITO VAGINAL SATISFAZ MAIS": Rui Miguel Costa Psicólogo e investigador na Escócia
Correio da Manhã – Defende que só o coito vaginal combate doenças como a depressão ou a tendência para o suicídio?
Rui Miguel Costa – Sim, o nosso trabalho vem na linha de outras investigações que indicam que o bem-estar é obtido através do coito vaginal, que satisfaz mais.
– Esta não é um conclusão que atinge os homossexuais?
– Em ciência o nosso objectivo não é obter conclusões politicamente correctas. É uma conclusão que deve levar os homossexuais a experimentarem o coito vaginal porque este dá uma satisfação sexual em termos de orgasmo mais profunda.
– 0 preservativo é apresentado como garantia de sexo seguro. O vosso trabalho não contraria esta evidência?
– 0 que concluímos é que o seu uso no coito vaginal, tal comoa abstinência, evita benefíciosao nível da saúde mental.
GAYS DUVIDAM DAS CONCLUSÕES
António Serzedelo, presidente da Opus Gay, organização de defesa dos direitos cívicos dos homossexuais, duvida de que as conclusões do estudo possam ser aplicadas aos homossexuais.
"Entendo que para as pessoas que possuem uma preferência pelo mesmo sexo é uma violência indicar que o coito vaginal dá maior prazer", disse, acrescentando que um trabalho científico não irá no entanto dificultar a luta dos homossexuais.
MULHERES PREFEREM A PÍLULA
O psicólogo Rui Miguel Costa considera que o uso da pílula garante mais benefícios em termos sexuais do que o preservativo. A explicação resulta das resposta das portuguesas ao inquérito. "As mulheres que temem os homens e apontam forte resistência à prática do coito vaginal responderam que preferem o uso do preservativo", explica. O cientista refere que as mulheres que obtêm satisfação sexual e encaram o homem como parceiro, sem receios, responderam que preferem o uso da pílula. Rui Miguel Costa refere que um anterior trabalho realizado junto de mulheres suecas concluiu que preferem o sexo vaginal a oral ou anal.



In:CM