A psoríase, que atinge mais de 250 mil portugueses, apresenta taxas de suicídio superiores às dos doentes com cancro.

A doença não é contagiosa, mas ainda há quem se feche em casa, incomodado com os olhares de repulsa dos outros.

O alerta foi dado à Agência Lusa por João Cunha, o presidente da PSOPortugal – Associação Portuguesa da Psoríase. «Os efeitos da psoríase e da artrite psoriática são devastadores, quer ao nível físico, quer psicológico. Existem estudos internacionais que apontam para o facto de estas doenças representarem taxas de suicídio superiores às dos doentes com cancro», afirmou.

Comemora-se esta quinta-feira o Dia Mundial da Psoríase e João Cunha lembrou o preconceito e o estigma que ainda existem em torno desta doença.

A psoríase é uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade e que afecta 1 a 3% da população.

O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afectam preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo. Nos casos mais graves, estas lesões podem cobrir extensas áreas do corpo. As unhas são também frequentemente afectadas, com alterações que podem variar entre o quase imperceptível e a sua destruição.

Cerca de 10% dos doentes desenvolvem artrite psoriática. Esta traduz-se por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante, de pequenas (mãos e pés) ou grandes (membros e coluna) articulações.

A origem da psoríase não está totalmente esclarecida, embora se saiba que é geneticamente determinada e envolva alterações no funcionamento do sistema imunitário, que provocam inflamação e aumento da velocidade de renovação das células da epiderme (camada mais superficial da pele).

Uma vez que existem múltiplas doenças cutâneas que também se manifestam com lesões vermelhas e descamativas, eventualmente afectando as localizações típicas da psoríase, o diagnóstico deve ser sempre estabelecido pela observação clínica por um dermatologista. Em alguns casos poderá ser necessária a confirmação com biópsia de pele, informa o site da .

Doentes querem reconhecimento como doença crónica

A associação luta pelo reconhecimento da psoríase como doença crónica para que os medicamentos possam ser mais facilmente adquiridos pelos doentes. A mais recente medida foi a entrega de uma petição na Assembleia da República com mais de 11.500 assinaturas.

«O essencial do problema é que a psoríase é uma doença crónica para nós [doentes] e para os médicos, que a tratam como tal, mas não é vista como uma doença crónica pelo Serviço Nacional de Saúde», afirmou recentemente à agência Lusa o presidente da PSOPortugal.

«Isso faz com que muitos doentes estejam impedidos de realizar os tratamentos porque nem sequer conseguem adquirir os medicamentos», afirmou.

De acordo com a mesma fonte, um inquérito realizado junto dos associados da PSOPortugal revelou que a «esmagadora maioria das pessoas» tem uma despesa em medicamentos que ronda os 200 euros por mês.


sapo.