BCE pode subir juros antes de retirar todas as medidas de apoio à banca

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 11, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    BCE pode subir juros antes de retirar todas as medidas de apoio à banca


    Membro executivo do BCE diz que juros podem ser aumentados antes da retirada de todos os apoios e acredita que EUA querem dólar forte, mas sublinha que a fortaleza do euro não tem impedido a Europa de continuar a exportar.


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    José Manuel González-Páramo, membro da comissão executiva do Banco Central Europeu, disse ao “Expansión” que apesar dos efeitos da guerra cambial, há provas de que a Europa continua a exportar com um euro forte. Em entrevista ao jornal espanhol, González-Páramo declarou ainda que o BCE não tem necessariamente que retirar todos os apoios à banca antes de embarcar numa subida dos juros.

    “Sempre dissemos que nos reservamos qualquer rumo de actuação, consoante a situação. É perfeitamente possível que o Banco, se vir sinais ou maiores riscos altistas para a estabilidade dos preços, mexa nas taxas de juro antes de retirar todas as medidas extraordinárias. É uma possibilidade que não é difícil de conceber, porque conceptualmente é possível e não há qualquer obstáculo técnico para o fazermos”, afirmou aquele responsável.

    Quando questionado sobre uma das primeiras consequências da retirada de estímulos, que é a subida da Euribor, González-Páramo comentou que “é óbvio que o excesso de liquidez no mercado diminuiu de maneira significativa. E se o excesso de liquidez é menor, isso pressiona os juros de curto prazo para a alta, o que acaba por contagiar as referências a mais longo prazo”.

    González-Páramo refere que há especialistas que prevêem uma subida dos juros no próximo ano, mas sublinha que o BCE só mexe nas taxas de juro em função dos riscos em alta para a estabilidade dos preços. “E, de momento, considerados que não há pressões deste tipo”, salientou, acrescentando que “logo se verá” o que vai acontecer nos próximos meses ou trimestres.

    Quanto ao facto de o euro estar a subir face ao dólar depois do anúncio de novas medidas de estímulo à economia por parte da Fed, e de a valorização da moeda única estar a ser potenciada pela guerra de divisas, González-Páramo relativiza o facto de isso poder penalizar as exportações e, por arrasto, a retoma económica.

    “Temos provas suficientes de que a Europa, com uma divisa forte, continua a exportar. Em segundo lugar, cremos absolutamente nas declarações do secretário norte-americano do Tesouro [Timothy Geithner] de que um dólar forte é benéfico para a sua economia”, referiu o membro da comissão executiva do BCE.

    Recorde-se que o dólar esteve a perder bastante terreno face ao euro nas sessões seguintes ao anúncio, pela Fed, da tomada de medidas adicionais de estímulo à economia, traduzidas na compra de mais obrigações – no valor de 600 mil milhões de dólares.

    Actualmente, os juros directores dos EUA estão fixados entre 0% e 0,25% e os do BCE - liderado por Jean-Claude Trichet (na foto) - estão em 1%.




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