BPN - O banco assombrado

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 2, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    O banco assombrado


    02/11/10 Económico




    O processo de nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) e os esforços agora reunidos para o privatizar fazem lembrar as velhas histórias de mansões assombradas que acabam nas mãos de compradores precipitados, incautos ou simplesmente mal informados.

    Aos poucos, a casa vai revelando os seus segredos e os monstros saem dos armários para assustar os novos inquilinos com um passado pouco recomendável.
    O monstro, neste caso, é um buraco financeiro de seis mil milhões de euros que uma gestão aparentemente fraudulenta e uma supervisão negligente, como acusa Miguel Cadilhe, foi escavando até já não se ver o fundo. Hoje, ao fim de dois anos da nacionalização, o Governo português é dono de um banco assombrado por dívidas e por uma situação de deixar os cabelos em pé.
    Uma boa investigação à casa antes de a comprar teria decerto poupado o Governo português a estes sustos financeiros e à dificuldade que vai enfrentar para a vender de novo. É este passado negro que agora todos conhecem e que, por isso mesmo, afugenta os investidores que não querem lidar com um passado assombrado por dívidas e alegados ilícitos. Resta saber se o Governo se prepara para pregar mais algum susto aos portugueses com a factura deste mau negócio.




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  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Dois anos e seis mil milhões de euros depois


    Banca

    Dois anos e seis mil milhões de euros depois


    02/11/10

    BPN está nacionalizado desde 2 de Novembro de 2008.

    Dois mil milhões de euros de "buraco" financeiro, mais de quatro mil milhões de dívidas à CGD e dois anos à espera de uma venda que não se sabe se se conseguirá concretizar. É esta a contabilidade da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), decidida a 2 de Novembro de 2008 e que hoje cumpre o seu segundo aniversário.
    O Governo de José Sócrates fez o que durante quase 25 anos se pensou que não voltaria a acontecer em Portugal: nacionalizou-se um banco, o BPN. Em plena crise financeira, o perigo de iminente ruptura de pagamentos e o risco de uma contaminação da desconfiança ao restante sector bancário foram os argumentos da decisão.
    A situação de grave fragilidade financeira a que o BPN chegou e que a crise financeira só veio exponenciar resultou de um extenso e longo rol de alegados ilícitos que se sabe hoje terem sido cometidos no grupo durante anos, sem serem detectados. José de Oliveira Costa, presidente do grupo Sociedade Lusa de Negócios, que detinha o BPN, foi detido poucas semanas depois da nacionalização. E a lista de eventuais culpados não se ficou por aqui.



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  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    “A supervisão não viu ou esforçou-se por não ver”


    Entrevista

    “A supervisão não viu ou esforçou-se por não ver”


    02/11/10

    Em entrevista ao Diário Económico, o antigo responsável do BPN critica o destino dado ao banco e o papel do Governo e do Banco de Portugal.

    Foi o homem que sucedeu a Oliveira Costa à frente do grupo BPN, que se revelou estar recheado de problemas e suspeitas de crime. A crise acabaria por pregar uma primeira partida a Miguel Cadilhe, culminando com a nacionalização do banco e a sua posterior saída do grupo. Dois anos depois, o ex-ministro das Finanças lembra, em entrevista por escrito, aqueles dias, deixa duras críticas ao Banco de Portugal e ao Governo e faz o seu balanço do que foi feito com o BPN.
    Chegou ao grupo SLN e depois do trabalho que terá desenvolvido para perceber a situação exacta do grupo e do banco, assustou-se?
    Assustar, só me assustei com o acto da nacionalização. Acho que o tempo mostrou que a nacionalização foi um caríssimo acto falhado.
    Percebeu que o seu trabalho iria ser bem mais complicado do que inicialmente pensava?
    Sim, muito mais complicado. Sobretudo, depois da primeira reunião no Banco de Portugal. E depois das nossas auditorias externas independentes que identificaram imparidades, evidenciaram operações danosas e ruinosas, algumas delas talvez dolosas, e denunciaram uma extensa mancha de irregularidades e ilicitudes. Cumprimos a lei e transmitimos isso a quem de direito, comprámos, é claro, uma guerra. Todavia, ao mesmo tempo, íamos pela positiva, lançávamos fortes medidas de regeneração do banco e do grupo. Surgiu então uma operação stop, estivemos no banco uns quatro meses apenas.
    Como foi o primeiro contacto com Vítor Constâncio?
    Telefonei ao Governador Constâncio antes de aceitar, era ainda uma hipótese. E de novo antes de ser eleito. Ele mostrou-se muito satisfeito, mas disse-me que não podia reunir comigo enquanto eu não estivesse formalmente em funções. Com o formal, ele apagou o essencial. Isto chama-se, noutros contextos, reserva mental. Pergunto se ele tinha o dever de silenciar, como fez, ou se tinha o poder de me dar informação prévia, sob confidencialidade...
    E depois da sua eleição?
    Logo que fomos eleitos, o Governador chamou-nos ao BP e então, só então, nos disse muito, não tudo, o que ele sabia sobre o BPN e o grupo. Disse-nos bastante menos do que nós a seguir apurámos. Mais tarde, já com a nacionalização, ele disse que a sua convicção inicial era a de que a minha equipa ia dar a volta à situação, disse que apostou nisso mas sobreveio a crise internacional... Bem, se apostou, a verdade é que ele atraiçoou essa aposta nas horas cruciais da crise de liquidez.




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  4. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    “Custo zero da nacionalização do BPN é um embuste”


    Entrevista

    “Custo zero da nacionalização do BPN é um embuste”

    02/11/10

    Para Cadilhe, a nacionalização foi a pior opção.
    Havia nessa altura outros interesses por parte do Governo em nacionalizar o BPN, como alguns defenderam, que não apenas a defesa da estabilidade do sistema financeiro?



    Não é fácil falar disso, mas disse-o na altura, parece ter havido motivações no sentido de estancar o que estávamos a fazer em matérias, digamos, mais qualitativas e sensíveis. Talvez a própria supervisão começasse a temer a "descobertura" de incompetências ou negligências e não sei que mais.

    A venda à CGD não teria sido um caminho para o BPN?
    A venda à Caixa teria sido, de facto, uma nacionalização do banco, embora disfarçada de outro nome, com preço esmagadíssimo. A hipótese surgiu do lado da Caixa. Respondi que não concordava com nacionalização, encapotada ou não. Alertei para o facto de, estatutariamente, a venda do BPN exigir uma aprovação por 75% de votos em assembleia de accionistas da SLN, um sério obstáculo. Um grupo de principais accionistas pediu-me para contra-propor à Caixa a venda de todo o grupo SLN, incluindo o banco, ao preço por acção da operação cabaz. A coisa morreu ali.

    Como acredita que estaria hoje o banco se não tivesse sido nacionalizado?
    Entrada do Estado e reforço dos privados, era essa a nossa proposta. Penso que o BPN estaria hoje em segura tendência de regeneração, com os trabalhadores muito motivados. Penso que o PRV estaria 100% executado. Penso que a operação cabaz teria sido completada. Penso que o BPN estaria a absorver as imparidades, com gradualismo. E não teria exacerbado contabilisticamente as imparidades, que é um artifício conhecido. Penso que a nacionalização, inexistente, não teria arruinado o já frágil património da SLN, a qual por sua vez era e é grande cliente de crédito do banco. Penso que o BPN não estaria a sobrecarregar as finanças públicas, como vai sobrecarregar pesadamente...

    Era possível evitar a dimensão da factura que aparentemente o BPN vai trazer aos contribuintes?
    Estava e estou convencido de que era possível evitar isso. O nosso plano para o banco abria uma porta e a minha equipa atravessava-se nela. Os autores da nacionalização declararam ao país que o custo seria zero para o contribuinte, um embuste, como agora se está a ver. Ignoraram os efeitos perversos do acto. E desprezaram o capital privado que o nosso plano prometia trazer ao banco. E julgo que o Ministro e o Governador não quiseram conceder ao BPN privado, aliás misto, os apoios de liquidez que pronta e avultadamente vieram depois a conceder ao BPN nacionalizado.

    Tendo em conta os problemas que depois surgiram com o papel comercial da SLN Valor e o risco de não pagamento, e tendo em conta os problemas financeiros que já então a SLN Valor tinha, considera que foi a decisão mais acertada comercializar este papel comercial aos balcões do BPN?
    Teria sido sempre mais acertado entregar a colocação a outro banco, aliás tentámos mas não conseguimos. O BP teve conhecimento de toda a operação e colocação. Quanto à emitente, a SLN Valor estava a montante do grupo e nós não mandávamos nela. O seu balanço era relativamente simples e bem dotado, não tinha problemas financeiros. Depois, a nacionalização veio perturbar tudo e desvalorizar indirectamente o património da SLN Valor, mesmo assim julgo saber que cobre todas as suas responsabilidades.




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  5. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    "Falta o Estado na lista dos arguidos do BPN"

    Miguel Cadilhe

    "Falta o Estado na lista dos arguidos do BPN"


    Faz dois anos que o BPN foi nacionalizado, permanecendo o seu futuro altamente incerto. Miguel Cadilhe, antigo responsável do banco, critica o papel do Governo e do Banco de Portugal em todo o processo.


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    Em entrevista ao “Diário Económico”, o homem que sucedeu a Oliveira Costa à frente do grupo diz que a opção pela nacionalização “foi um caríssimo acto falhado”.


    Embora reconheça que o banco estava minado de “operações danosas e ruinosas, algumas delas talvez dolosas, que denunciaram uma extensa mancha de irregularidades e ilicitudes”, o antigo ministro de Cavaco Silva assegura que o grupo estava a restabelecer-se. E diz que se a situação no BPN chegou onde chegou, foi porque a “supervisão não viu ou esforçou-se por não ver”. “Falta o Estado na lista dos arguidos do BPN”, acusa.

    O anúncio da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) foi feito pelo Governo há dois anos, naquela que foi a primeira nacionalização em Portugal desde 1975, mas o processo de privatização da instituição continua em aberto. Na altura, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, justificou a medida com a situação "excepcional", "delicada" e "anómala" vivida por aquela instituição bancária, isto, no auge da crise financeira que se seguiu à falência do Lehman Brothers.


    Dois anos volvidos, está em curso o processo de privatização do banco que era liderado por Oliveira e Costa, com o prazo (já alargado) para a apresentação de propostas para a compra da instituição - o Governo pede 180 milhões de euros - a terminar a 30 de Novembro.

    Até ao momento, nenhuma das três instituições que levantaram o caderno de encargos, o Barclays, o BIC Angola e o Montepio, efectivaram uma proposta de aquisição, pelo que o futuro do BPN continua indefinido.

    A imprensa tem mesmo apontado para a possibilidade de, caso não surjam interessados no banco, de o mesmo vir a ser liquidado ou integrado na Caixa Geral de Depósitos (CGD), entidade que assumiu a sua gestão desde que foi privatizado.

    Nas últimas declarações públicas sobre o 'dossier' BPN, o ministro das Finanças afirmou na semana passada que a nacionalização do BPN evitou "uma catástrofe" do sistema financeiro português.

    "Se tivemos de nacionalizar [o BPN] foi para evitar uma catástrofe do nosso sistema financeiro", afirmou Teixeira dos Santos, que estava a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças. O ministro admitiu que o Estado terá de "suportar algum custo" com a operação, escusando-se, contudo, a avançar valores.


    Aumento de capital na calha

    Na semana passada, a agência de notação financeira Moody's salientou que o BPN apresenta insuficiências de capital de dois mil milhões de euros e perdas acumuladas de 216 milhões de euros. Segundo aquela entidade, as assistências de liquidez asseguradas pela CGD ascendem a 4,6 mil milhões.

    Conforme noticiou o Negócios na semana passada, o Governo pretende aumentar o capital do BPN em 400 milhões de euros antes de concluir o processo de privatização da instituição, uma operação prevista na proposta de Orçamento de Estado para 2011.

    O Executivo pretenderá entregar ao eventual comprador uma instituição com rácios de capital dentro dos mínimos legais exigidos pelo Banco de Portugal.




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  6. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Nacionalização do BPN evitou crise de 20 mil milhões


    Teixeira

    Nacionalização do BPN evitou crise de 20 mil milhões

    Económico com Lusa
    03/11/10

    Teixeira dos Santos defendeu hoje a nacionalização do BPN, afirmando que evitou uma crise bancária que poderia custar mais de 20 mil milhões.

    "Ainda bem que nacionalizámos o BPN". A frase é de Teixeira dos Santos e foi proferida em resposta a uma questão colocada pelo deputado do Bloco de Esquerda (BE) José Gusmão, sobre os custos da nacionalização deste banco, durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2011, no Parlamento.
    O ministro das Finanças defendeu que a decisão tomada, há exactamente dois anos, evitou "uma crise bancária e o pânico bancário em Portugal" que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), teria "um custo para os contribuintes da ordem dos 13 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)". Ou seja, um custo que seria superior a 20 mil milhões de euros.
    Teixeira dos Santos admitiu que ter nacionalizado o BPN "vai custar dinheiro", mas "vai ficar muito barato em comparação com o custo" dessa possível crise, defendeu.



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  7. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Infografia: O futuro do BPN

    Infografia: O futuro do BPN


    Dois anos depois da nacionalização do BPN, são ainda muitas as dúvidas sobre o futuro do banco. Veja aqui a infografia com as implicações da sua liquidação ou sobrevivência.










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