Central de Cervejas quer produzir Sagres no Brasil

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 7, 2010.

  1. JuizDidi

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    Cervejeira

    Central de Cervejas quer produzir Sagres no Brasil


    07/11/10

    A cervejeira nacional deverá aproveitar uma das oito fábricas da accionista Heineken para produzir no mercado brasileiro.

    A Sociedade Central de Cervejas (SCC) está a analisar a entrada da Sagres no Brasil, através de produção local, avançou ao Diário Económico o presidente-executivo da empresa, Alberto da Ponte. A estratégia é utilizar uma das oito fábricas que a accionista Heineken detém no território brasileiro e atacar um nicho de mercado para não perder a batalha com a gigante Inbev.
    O mesmo responsável reconhece "que o Brasil tem potencial para a Sagres e que existe oportunidade para um nicho de mercado, mas um nicho no Brasil são muitos hectolitros".
    Ir para o Brasil é uma vontade antiga de Alberto da Ponte, líder da cervejeira desde 2004, e conta com o apoio integral da administração da Heineken, que detém a SCC a 100%. Mas a aquisição da mexicana Femsa por parte da Heineken, em Abril passado, obriga agora a "reflectir sobre a oportunidade e ajuda a focar o interesse da Sagres em ir para o Brasil". É que a Femsa possui 10% de quota no gigante mercado brasileiro de cerveja.
    A entrada no Brasil através de um nicho de mercado, como defende o presidente da SCC, será para não chocar de frente com a Inbev, a maior cervejeira do mundo que resultou da fusão da empresa brasileira Ambev com a belga Interbrew. "Não podemos entrar no mercado brasileiro por completo porque iríamos atacar directamente a Inbev e não teríamos hipótese", explicou.
    Por isso é que "a ir, terá de ser com produção local", porque a Sagres deve entrar como marca popular e não como marca ‘premium' importada. "Temos capacidade de produção no Brasil, por isso, é só aproveitar", disse Alberto da Ponte, avançando que não tem ‘timings' definidos para esta operação.
    A holandesa Heineken explora actualmente oito fábricas brasileiras e detém as marcas locais Kaiser e Sol e a marca internacional Heineken.
    Alberto da Ponte explicou que "só faz sentido produzir localmente porque as taxas para as importações são tão altas que a Sagres seria colocada à venda com um preço ‘premium' que não é adequado para o mercado".
    Caiu por terra, para já, a intenção de entrar no Brasil com as águas funcionais da Luso, como a empresa tinha planeado há dois anos. "Não avançou por questões burocráticas, porque é muito difícil entrar lá sobretudo por serem águas funcionais", justificou o gestor.
    O mesmo desfecho teve a ideia semelhante para o mercado espanhol. "Não encontrámos o parceiro capaz de desenvolver o conceito. Penso que é um conceito que precisa de ser adaptado aos mercados", defendeu.

    Central de Cervejas cresce 3% a 4% este ano com "Verão bom"

    A Central de Cervejas foi a única empresa da Europa Ocidental do grupo Heineken a crescer no terceiro trimestre. Alberto da Ponte justifica com o "Verão muito bom". As vagas de calor impulsionam o consumo de cerveja em Portugal, por isso, o sector da cerveja "vai fechar o ano a crescer quase em duplo digito". Já no consolidado do ano, Alberto da Ponte prevê crescer 3% a 4% este ano.
    O sector das águas penalizou os resultados. "As águas foram muito causticadas pela ascensão das marcas próprias", o que provocou uma quebra de 6% em volume e em valor.
    Já as exportações estão a crescer acima de 20%. Porém, a SCC vai ficar ainda longe do volume de exportação da rival Unicer. Mas a estratégia para as exportações está bem delineada: "Não fico satisfeito se não for líder nas exportações de cerveja em 2014. Vamos triplicar de 500 mil hectolitros para 1,5 milhões de hectolitros. Vamos vender para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, África, China, Macau e Hong Kong", garantiu Alberto da Ponte.

    Consumidor vai pagar subida do IVA

    O aumento do IVA de 21% para 23% vai ser reflectido no preço de venda ao consumidor. No entanto, Alberto da Ponte, presidente-executivo da Central de Cervejas, considera que "o IVA podia ter-se mantido a 21% para os produtos que contribuíssem claramente para o PIB e para as exportações", como no caso do sector cervejeiro. Um aumento de preço que se junta a uma previsão de retracção no mercado de 1% a 1,5% no próximo ano, segundo as suas contas. Apesar do crescimento garantido este ano, o líder da Central de Cervejas acredita que o "último trimestre vai ter um impacto grave, pelo menos, até durar a discussão sobre o Orçamento do Estado".



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