Como Portugal poderia pedir ajuda ao FMI

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 7, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Crise

    Como Portugal poderia pedir ajuda ao FMI

    07/11/10

    Silva Lopes conta como foi em 1977 e 1983. Agora será diferente, caso o país venha a recorrer ao FMI e à UE.

    "O que se passou em 1977 e 1983 não é necessariamente o mesmo que se passará agora. Na altura, Portugal também tinha um grande problema de pagamentos e ninguém ajudava a financiar o défice. O país acabou por recorrer ao Fundo Monetário Internacional. Mas agora está na União Europeia", recorda Silva Lopes. O economista, que estava no Governo aquando da primeira intervenção do FMI em Portugal, acredita que o pedido de ajuda grego será mais a bitola a utilizar, caso a economia nacional venha a recorrer à ajuda do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e, consequentemente, ao FMI, do que as anteriores passagens pelo país.
    "Das outras duas vezes que o Fundo esteve em Portugal, em troca dos empréstimos exigia não só maior corte na despesa, mas também desvalorização do escudo e aumento das taxas de juros. Medidas que agora já não são possíveis", lembra. "Agora as exigências deverão passar por corte da despesa pública e reformas estruturais", acrescentou. Mas Silva Lopes frisa: "Ainda não estou convencido que o FMI tenha de vir".


    1 - Formalizar o pedido de ajuda

    O primeiro passo para o recurso à organização de Bretton Woods é pedir. Se não houver uma ‘demarche' nesse sentido a organização não actua. E ontem as autoridades portuguesas reiteraram que Portugal tem condições para resolver os seus problemas e Bruxelas desmentiu categoricamente quando questionado sobre se Portugal entrou em contacto com a Comissão Europeia em relação ao megafundo de ajuda europeu. "Se Portugal tiver dificuldades em colocar dívida nos mercados internacionais poderá ter de pedir ajuda, tal como teve de fazer em 1977 quando pediu um empréstimo aos Estados Unidos, para se financiar, e estes impuseram como condição recorrer ao FMI", lembra Silva Lopes. "Em 1983, depois de cair o Governo da AD, o Governo de bloco central percebeu que, perante os problemas de financiamento externo, recorrer ao FMI era a melhor solução", acrescentou. "Agora, Portugal e a Irlanda não estão isentos de lá ir novamente, mas ainda não estou convencido que o FMI tenha de vir".

    2 - Envio de equipas

    Depois de um país pedir ajuda, "o FMI envia equipas que vão negociar as condições que é necessário impor", explica Silva Lopes. O Governo até pode tentar contornar algumas das exigências, tendo em conta os problemas do país, mas "quem manda é o Fundo", acrescenta o economista. Silva Lopes descarta a possibilidade de Portugal negociar juntamente com a Irlanda a ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira até porque "os problemas dos dois países são muito distintos": "Portugal tem um problema de competitividade, enquanto a Irlanda tem um problema bancário", especifica. Cada um necessitará de reformas diferentes, atesta.

    3 - Assinatura de um acordo

    Depois de definidos os termos e as condições para que o FMI conceda um empréstimo é assinado um memorando de entendimento. Nesse momento é avançada uma tranche do empréstimo à cabeça. Silva Lopes acredita que se Portugal aguentar o suficiente antes de pedir ajuda poderá ter condições melhores do que aquelas que foram contratualizadas para a Grécia.

    4 - Verificação dos termos do acordo

    Como agora o apoio aos países da União Europeia é feito em conjunto com Bruxelas, as equipas que vão avaliar se os países estão a cumprir os termos do acordo serão mistas, lembra Silva Lopes, ou seja, terão elementos europeus e do Fundo. "Caso se verifique que o país não está a cumprir as regras definidas, as tranches do empréstimo podem ser suspensas", explica o economista.



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