Dívida portuguesa castigada por propostas de Merkel

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 3, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Europa

    Dívida portuguesa castigada por propostas de Merkel

    03/11/10

    Os juros a 10 anos subiram para os 6,2%, na véspera de nova emissão de dívida no valor de mil milhões de euros.

    A incerteza sobre a aprovação do Orçamento do Estado para 2011 até se dissipou, mas desde que Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga anunciaram um acordo, as taxas exigidas pelo mercado para comprar dívida nacional não pararam de subir. Ontem, a ‘yield' das Obrigações do Tesouro a 10 anos voltou a subir, atingindo os 6,22%, o valor mais alto desde que foi conhecida a proposta de OE do Governo. O valor mais elevado de sempre foi atingido a 28 de Setembro, altura em que as ‘yields' superaram os 6,5%.
    A subida da percepção de risco não afectou apenas Portugal. Atingiu ainda mais fortemente a Irlanda, depois da União Europeia ter discutido, no final da semana passada, um mecanismo permanente de resgate financeiro proposto por Angela Merkel. Os juros irlandeses bateram ontem o seu máximo histórico, ao ultrapassarem os 7,3%.
    "Pareceu funcionar como um despertador de que uma reestruturação de dívida é um desfecho possível. Teve um impacto negativo nos preços das obrigações da periferia", referiu o economista da Société Générale, Vladimir Pillonca, ao Diário Económico. Também a especialista do Citigroup, Giada Giani, explica as subidas dos juros das obrigações portuguesas com os assuntos em cima da mesa do Conselho Europeu, "onde foi discutido um mecanismo de ‘default' ordenado de países da zona euro. Isto explica parcialmente as tensões renovadas nos mercados periféricos".
    É neste cenário de maior aversão ao risco, com o mercado a temer que haja mais países a seguirem o enredo da tragédia grega, que Portugal vai ao mercado. O IGCP agendou para hoje dois leilões de Bilhetes do Tesouro, com maturidade a três e a 12 meses, com um montante indicativo de 500 milhões de euros em cada uma das linhas. Ontem, estes instrumentos cotavam com uma ‘yield' de 1,7% e 3,13% no mercado secundário. Nas últimas operações com maturidades e valores semelhantes, o Estado pagou 1,55% a para emitir dívida a três meses e 3,128% para vender Bilhetes do Tesouro com maturidade mais longa.



    in DE
     
LMPC