Empresas apostam em estagiários para fintar a crise

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 14, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Estudo

    Empresas apostam em estagiários para fintar a crise

    14/11/10

    Cerca de 22% das empresas portuguesas querem aumentar o número de estagiários, segundo um estudo da MRINetwork.

    Em tempos de crise, o mundo empresarial tem-se visto forçado a encontrar novas formas de poupar dinheiro. A aposta nos estagiários como uma mão-de-obra mais barata e acessível parece ser uma das principais tendências em Portugal. De acordo com o 65º Hiring Survey, um estudo às intenções de mercado de trabalho realizado pela MRINetwork, 22% das empresas portuguesas pretendem aumentar o seu número de estagiários.
    O relatório, que compreendeu, em Portugal, entrevistas a 131 administradores, directores gerais ou directores de recursos humanos de empresas mostra também que, enquanto em 2009 45% das empresas inquiridas não abriam vagas para estágios, esse número é de apenas 31% em 2010. "Os estagiários acabam por ser uma mão-de-obra mais acessível. Se pensarmos só em custos directos, como o ordenado, é muito mais barato", explica Ana Teixeira, ‘country manager' da MRINetwork Portugal. "Por outro ponto de vista", acrescenta, no entanto, "os recém-licenciados têm a ganhar em participar nos estágios. Se virmos os estagiários como um produto, um licenciado que já tenha tido contacto com o mercado de trabalho, acaba por ter mais diferenciação do que com a formação teórica. As empresas que contratam valorizam muito isso".
    Se olharmos para as previsões na contratação para o segundo semestre de 2010, no entanto, o futuro pode estar, pelo menos, um pouco mais estável: 57% das empresas que participaram no estudo manifestaram uma intenção de manter os seus quadros, com apenas 12% a pretender despedir funcionários, uma clara diferença em relação ao segundo semestre de 2009, no qual 24% dos inquiridos tencionava cortar pessoal.
    "Gostei dos resultados porque pensava que, num contexto de crise, os resultados iriam ser bem piores. A taxa de crescimento não é excepcional, mas o facto da tendência ser para quererem manter os seus quadros já é bom", ressalva Ana Teixeira, apontando porém que "nós também não podemos estar sempre a emagrecer senão ficamos anoréxicos. As empresas já estão tão magrinhas que a tendência, mesmo com a crise, acaba por ser para manter. As empresas já perceberam que a instabilidade é a única constância que temos", comenta a responsável da MRINetwork.
    Se olharmos para os resultados registados em cada um dos sectores contemplados podemos verificar que as previsões se avizinham mais negras no sector da Construção Civil. Enquanto que nenhuma das outras áreas estudadas regista intenções de cortes nos quadros acima dos 10%, nas previsões dos construtores a redução no pessoal está no futuro de 34% das empresas incluídas no estudo. "A construção tem passado maus momentos aqui em Portugal, é o sector que mostra maior quebra desde há mais de quatro anos. Isto provavelmente deve-se a factores como a quebra nas obras públicas, a diminuição na compra de casas e o facto de se verem mais casas a serem arrendadas", analisa Ana Teixeira.
    No entanto, é de registar que, apesar disso, as poucas empresas de construção que afirmam querer aumentar, fazem-no acima da média, com algumas a afirmarem pretender expandir os seus quadros entre 6% a 10%. Referindo-se a esta discrepância, Ana Teixeira realça que "é curioso, as que se mantém estão muito bem, o que pode estar relacionado com a internacionalização".
    Neste momento do ciclo económico, a situação parece ser de alguma estabilidade, mas todos os envolvidos reconhecem que tudo isto pode mudar. Realizado há alguns meses, este estudo não reconhece totalmente o impacto das medidas de austeridade do Orçamento de Estado de 2011 na confiança dos mercados. "Face ao aumento do IVA, há questões sobre se este cenário se irá manter em 2011. Temo que possam ser um pouco piores", prevê Ana Teixeira, da MRINetwork. No entanto, "de um modo geral, os resultados, ao apresentarem taxas de crescimento e de diminuição baixas, mostram, pelo menos, que as empresas se estão a aguentar".


    Contratação sector a sector

    1 - Construção Civil
    A construção civil é o sector onde se encontra a tendência mais elevada para diminuir o actual número de trabalhadores, com 34% dos responsáveis das empresas consultadas a referi-lo. No entanto, apesar do sector da construção civil ser aquele com mais intenções de redução de efectivos, 17% das empresas deste sector prevêem aumentar os seus colaboradores e são as que estão em primeiro lugar na intenção de fazer mais contratações que no primeiro semestre deste ano (80%). Este sector regista também uma forte tendência para a contratação de estagiários, com apenas 21% das empresas inquiridas a não abrir vagas para recém-licenciados.

    2 - Farmacêuticas e Saúde
    Se se descontar as vagas para estagiários, a tendência para a contratação directa de recém-licenciados é muito fraca nas empresas portuguesas. A excepção à regra é a área das farmacêuticas e cuidados de saúde, que, ao definir as suas prioridades no recrutamento e selecção de quadros, reserva 50% das suas posições para novos profissionais acabados de sair das universidades. Em contraste, a política de contratação de estagiários é muito reduzida, com a apenas 52% das empresas a abrir vagas. No que respeita à contratação neste sector, a tendência de 70 % dos inquiridos é para a manutenção dos postos de trabalho, enquanto que 27% pretende aumentar o número de colaboradores. Com apenas 3%, esta área mostra a menor intenção de redução de quadros de todas as áreas consultadas.

    3 - Logística e Distribuição
    Quando falamos da abertura de vagas para estágios, o sector da logística e distribuição regista a maior quebra em relação ao ano passado. Em 2009, não havia nenhuma empresa que não estivesse a aceitar candidatos em regime de estágio, enquanto que, em 2010, 34% das inquiridas afirmam não estar a abrir vagas. Um número apenas superado pelos 52% registados no sector das farmacêuticas e cuidados de saúde. Nas contratação de efectivos, a tendência no sector é de estabilidade, com 65% das empresas a pretender manter o número de postos de trabalho e 28% querer aumentá-los. Apenas 7% pretendem fazer cortes neste sentido. Quando questionados sobre os departamentos em que pretendem contratar, a grande maioria (87%) dos entrevistados apontou para os técnicos especializados.

    4 - Tecnologias de Informação
    As empresas de tecnologias da informação registaram a maior tendência para aumentar os seus quadros. Em 2010, 47% dos inquiridos disse planear aumentar os seus quadros. No entanto, são sobretudo contratados para funções técnicas (82%). Os recém-licenciados compõem uma fatia de apenas 6% destas intenções de contratação. Nos estágios, o sector também viu as oportunidades aumentar. Enquanto em 2009, 42% das empresas não proporcionavam estágios, em 2010 esse valor desceu para 17%. Apenas 6% dos inquiridos admitiram emagrecer ainda mais o número de estagiários na sua empresa, 47% responderam que iam abrir vagas para o mesmo número de estagiários e 31% disseram que seriam abertas mais vagas.



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