Financial Times: Para Portugal "não é uma missão impossível" escapar ao FMI

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 8, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    FT: Para Portugal "não é uma missão impossível" escapar ao FMI


    O Financial Times dedica hoje uma página a analisar a crise financeira em Portugal. Conclui que "não é uma missão impossível" o País recuperar a confiança dos mercados e assim escapar ao FMI e assinala que, para José Sócrates, a luz ao fundo do túnel nunca se vai apagar.


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    “O País mais pobre da Europa Ocidental está a ser forçado a pagar mais para pedir dinheiro emprestado, sendo que as últimas medidas de austeridade mostram ainda poucos sinais de serem suficientes para retirar Portugal da linha de fogo”.

    É desta forma que o "Financial Times" inicia um artigo de análise sobre a difícil situação em que Portugal se encontra. A reportagem de uma página do jornal britânico recorda os últimos desenvolvimentos da crise em Portugal, faz um perfil de José Sócrates e contém um artigo sobre a evolução dos juros da dívida pública.

    O FT salienta que Portugal e a Irlanda estão agora na linha da frente da luta pela sobrevivência do euro, sendo que a justificação para a situação de Portugal, segundo o jornal, deve-se aos resultados piores do que o esperado da execução orçamental nos primeiros nove meses do ano e a crise política em torno da aprovação do Orçamento.

    Se antes a ideia de que a Zona Euro poderia fragmentar-se era apelidada de “absurda”, agora é apenas classificada de “improvável”, diz o FT, assinalando que o impacto positivo da aprovação do Orçamento em Portugal foi anulada pelo objectivo de Berlim e Paris em obrigarem os investidores a partilharem os custos de um resgate de um país do euro em dificuldades.

    “Os mercados tendem a classificar as pequenas economias de vulneráveis”, disse o economista Vítor Bento ao FT, estimando que “vamos ter um ano de 2011 difícil”.

    O jornal salienta que se Portugal e a Irlanda recorrerem à ajuda do fundo da UE e do FMI, tal pode originar uma nova crise à escala global, mas que há alternativas a este cenário.

    “Se Sócrates e outros líderes da União Europeia conseguirem convencer os mercados que os seus planos de austeridade vão ser implementados e produzir os resultados desejados, a confiança vai regressar gradualmente”, refere o FT, assinalando que “pelo menos para Portugal esta não é uma missão impossível”.

    Recorda o FT que Sócrates tem um historial de implementação de reformas, mesmo que tenha tardado em reconhecer a necessidade de apaziguar os mercados de dívida com a apresentação de “medidas de austeridade drásticas”.

    Depois de apresentar três programas de austeridade em sete meses, agora “os mercados querem ver resultados”, diz o FT, que cita o CEO do BPI, Fernando Ulrich, que mostrou confiança que Portugal irá recuperar a confiança e credibilidade dos mercados se nos próximos anos conseguir reduzir o défice.

    “A luz ao fundo do túnel nunca se vai apagar”

    Recordando várias citações efectuadas pelo primeiro-ministro português sobre a crise, o FT lembra que Sócrates repetiu por diversas vezes que “Portugal não precisa de ajuda” e revela que se em 2008 o primeiro-ministro português aprendeu a ver a cotação do petróleo no seu telemóvel, agora utiliza o aparelho para ver as “yields” das obrigações do Tesouro.

    A análise do FT a Portugal inclui um artigo onde Bill Blain, da Matrix Corporate Capital, afirma que o risco de as “yields” da dívida portuguesa subirem para níveis insustentáveis “é muito real”, e também um perfil de José Sócrates.

    No artigo, Sócrates é classificado como “o líder que trabalha obstinadamente para impulsionar as energias nacionais”, sendo que o FT destaca a “confiança, optimismo e auto-confiança” como as principais qualidades de Sócrates.

    “Um atleta entusiasta, corredor de maratonas e descrito por um designer de moda como o político mais bem vestido do país, o primeiro-ministro exala uma energia combativa, que caiu melhor aos eleitores durante o primeiro mandato”, acrescenta o FT.

    FT cita Sócrates a afirmar que “temos que responder de forma convincente a cada desafio”, pois “se ficarmos sentados simplesmente a queixarmo-nos, estamos perdidos”.

    Conclui o FT que, para Sócrates, “a luz ao fundo do túnel nunca se vai apagar”. Isto depois de recordar que em Portugal está a circular um “e-mail” com a seguinte mensagem: “Face à situação actual das nossas contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel vai ser desligada até nova ordem”.



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  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Recuperar a confiança "não é missão impossível" para Portugal


    Financial Times

    Recuperar a confiança "não é missão impossível" para Portugal

    Económico com Lusa
    08/11/10

    O jornal britânico dedica uma das páginas da edição de hoje à actual situação económica e financeira de Portugal.

    Nesse espaço, o Financial Times faz uma análise da crise, do problema da dívida soberana e traça ainda um perfil do primeiro-ministro José Sócrates, referindo que o país "como o mais pobre da Europa Ocidental, é forçado a pagar mais pelo dinheiro emprestado" e que "as últimas medidas de austeridade mostram ainda poucos sinais para retirar Portugal da linha de fogo".

    Para o jornal britânico "se Sócrates e outros líderes da zona euro conseguirem convencer os mercados de que os seus planos de austeridade produzem os resultados desejados, a confiança vai regressar gradualmente", sublinhando que "para Portugal esta não é uma missão impossível".

    O FT refere ainda que Portugal procura a sua sobrevivência no euro e que os mercados estão a castigar o país pelos resultados menos bons da execução orçamental nos primeiros nove meses do ano.

    O mesmo jornal interpreta a recente subida dos juros da dívida com a decisão da Alemanha e da França obrigarem os bancos e os investidores a partilharem os custos de um resgate de um país da zona euro em caso de dificuldades, uma medida que anulou completamente o impacto da aprovação do Orçamento do Estado para 2011 no Parlamento.

    Citando José Sócrates, o FT observa que o problema "é que Portugal está preso numa 'zona de perigo' onde não deveria estar", acrescentando que o primeiro-ministro decidiu tomar medidas de austeridade "para dar total confiança a todos, de forma a tirar Portugal deste filme de 'zona de perigo'".

    O FT falou também com o economista Vítor Bento que referiu que "os mercados tendem a classificar as pequenas economias de vulneráveis". Como tal, alerta para uma nova crise à escala global se Portugal e a Irlanda recorrerem à ajuda dos fundos da União Europeia ou do FMI.

    O jornal classifica ainda José Sócrates como "um atleta entusiasta, corredor de maratonas e descrito por um 'designer' de moda como o político mais bem vestido do país, o primeiro-ministro tem uma energia combativa", acrescentando que a crise da dívida pode ser pior se houver "uma contínua deterioração da confiança do mercado na capacidade das economias europeias periféricas para controlar os seus défices, o restabelecimento da competitividade e voltar ao crescimento sustentado.

    Esta notícia é divulgada no dia em que os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos atingiram um novo máximo histórico nos 6,8%.



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