FMI aponta falência "quase certa" de Portugal.

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por Numerico, Novembro 5, 2010.

  1. Numerico

    Numerico Staff Moderador Temático Membro Gold

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    O FMI terá defendido num estudo que os mercados estão a apostar numa falência "quase certa" de Portugal.

    O jornal "i" cita hoje excertos desse estudo, onde o organismo internacional terá reconhecido que Portugal está a ser empurrado para o abismo pelos mercados onde operam investidores e especuladores de dívida pública. Isto apesar de reconhecer que as melhorias previstas nas contas públicas nacionais até são significativas, e que, em condições normais, dariam resultados positivos no alívio das restrições no crédito.

    A instituição liderada por Strauss-Kahn também terá alertado que "a ocorrência de eventos de crédito em algumas economias avançadas é quase certa" aos olhos dos mercados. Esse "evento de crédito" pode ser a falência de um país ou a ocorrência de falhas graves no pagamento das prestações devidas aos credores internacionais, segundo o "i".

    O Fundo lamenta que os mercados possam estar a "sobrestimar" o risco de incumprimento (default) dos países problemáticos, mas considera que a probabilidade de ocorrerem estes eventos é mais elevada hoje do que no passado.

    "O risco de materialização destes eventos permanece elevado em termos históricos no que respeita às economias avançadas - especialmente aquelas que já estão sob pressão dos mercados", refere o estudo.

    A instituição internacional terá afirmado ainda que "o crescente pessimismo [dos mercados] afectou alguns países da área do euro". Depois, "o sentimento estabilizou em Maio-Junho nos países sob pressão (Grécia, Irlanda, Portugal)" com a criação do fundo de ajuda europeu, mas "os receios dos investidores reemergiram recentemente, apesar das perspectivas orçamentais terem melhorado a um ritmo muito mais rápido que o esperado".


    Económico

     
  2. nokia

    nokia Membro Digital

    Um pais de corruptos estão á espera de milagres.
     
  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Ex-director do FMI: “Portugal está a fazer as coisas certas”


    Larosière

    Ex-director do FMI: “Portugal está a fazer as coisas certas”

    Económico com Lusa
    05/11/10

    Jacques de Larosière, antigo director do FMI, diz que o organismo não faria “muito mais” do que está já a ser feito em Portugal.

    "Estou impressionado com as medidas [do Orçamento do Estado para 2011], que são muito significativas e vão trazer o défice para 4,6 por cento do PIB no próximo ano, depois de números muito altos", disse à agência Lusa o actual presidente do Comité de Estratégia do Tesouro de França, à margem da conferência "A actividade financeira e o novo modelo de supervisão", promovida em Lisboa pelo BPI Pensões.
    Segundo Larosière, esta "é uma notável demonstração do empenho das autoridades portuguesas em resolver a situação" e o especialista elogiou também a reforma feita no sistema de Segurança Social português.
    "Portugal está a fazer muito bem o trabalho, está a fazer as coisas certas. O FMI não faria muito mais", realçou à Lusa.
    No que toca à pressão dos investidores sobre a dívida pública portuguesa, que tem levado os juros para níveis elevados, Larosière disse que "o mercado precisa de tempo para perceber a extensão das medidas", reforçando que "o mercado está sempre um passo atrás".
    O responsável francês, que liderou o FMI entre 1978 e 1987, tendo depois sido cinco anos o governador do Banco de França, apontou ainda o dedo ao papel desempenhado pelas agências de notação financeira.
    "As agências de 'rating' têm de explicar melhor o impacto das medidas que estão a ser tomadas", salientou.
    Na sua opinião, "a qualidade do risco soberano português é melhor hoje do que há dois anos", uma vez que Portugal "é um país importante e com potencial".
    Larosière explicou que "o grande problema está nas contas públicas, que condicionaram o crescimento económico do país nos últimos anos", mas mostrou-se confiante para o futuro.
    "Portugal está a passar por um processo doloroso, mas que tem que ser feito. É um caminho difícil, mas inevitável", concluiu.




    in DE
     
  4. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    "Portugal e Irlanda serão capazes de encontrar uma solução sem recorrer ao FMI"

    Jacques Larosière

    "Portugal e Irlanda serão capazes de encontrar uma solução sem recorrer ao FMI"


    O pai da reforma da arquitectura da supervisão europeia critica as agências de "rating" por não explicarem aos mercados que os dois países realizaram "mudanças substanciais".


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    O antigo presidente do banco central francês acredita que Portugal e Espanha "serão capazes de encontrar uma solução sem recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI)".

    Os dois países, prosseguiu Jacques Larosière (na foto), "estão a tomar medidas de forma muito corajosa" e devem "continuar com os planos de consolidação orçamental que têm em curso".

    Mas apesar das medidas de austeridade apresentadas pelos dois países, e de no caso de Portugal já ter sido aprovado o Orçamento do Estado para 2011, os juros da dívida pública têm continuado a subir.

    Questionado sobre esta tendência das "yields", Jacques Larosière, antigo director geral do Fundo Monetário Internacional, sublinhou que os "mercados ainda têm muito presente a situação em que estes países se encontravam há pouco tempo e demoram a perceber que foram feitas mudanças e que existe determinação nos planos apresentados".

    Mas acrescentou que o facto de não haver esta mudança de percepção é em parte culpa das agências de "rating". "Acho que as agências de 'rating' são as principais responsáveis, porque deveriam explicar aos mercados que estão em curso mudanças substanciais nestes países. Se o fizerem será muito mais claro que Portugal está agora numa melhor posição do que há alguns anos", disse o antigo governo do banco central francês à margem da quarta conferência BPI/Pensões.




    in JNeg
     
  5. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Não é mesmo melhor chamar o FMI?

    Não é mesmo melhor chamar o FMI?


    Camilo Lourenço


    As taxas de juro da nossa dívida pública atingiram novo recorde.

    As taxas de juro da nossa dívida pública atingiram novo recorde, superando o pico de 28 de Setembro. Os eternos optimistas (ainda os há?) vão dizer que a culpa é da proposta alemã, de penalizar os investidores que tenham emprestado dinheiro aos países do Euro, em "default", e da decisão do FED de voltar ao "quantitative esasing.

    É verdade. Mas não é toda a verdade. Porque se as taxas subiram para todos (Alemanha inclusivé), elas subiram ainda mais para nós e para a Irlanda. Mais: os outros países continuam longe do limite a partir do qual faz sentido telefonar para o número 700 da 19th street, em Washington DC. Ou seja, fomos nós que nos pusemos a jeito: não fizemos o trabalho de casa e cada solavanco dos mercados, que em condições normais não passaria de um soluço, torna-se num terramoto.

    É escusado repetir aqui as consequências das mentiras que há 18 meses estamos a pregar aos mercados. Razão principal para sermos o novo pária desses mercados. Mas vale a pena lembrar uma coisa: não foi o ministro das Finanças que disse que a partir de 7% (taxas de juro) é inevitável recorrer ao FMI? O curioso disto é que qualquer um dos seus antigos alunos lhe poderia ter dito que, de todas as coisas que disse, aquela era a única que nunca poderia ter dito.


    P.S.1. - Na entrevista à TVI o primeiro-ministro associou uma decisão, legítima, da PT (antecipar o dividendo extraordinário para 2010) a fuga aos impostos. Esqueceu-se que a PT é cotada e tem accionistas de todo o mundo? Inenarrável!


    P.S.2. - João Rendeiro diz que temos de nos preparar para o "default" da República. Vindo de quem vem, é melhor levá-lo a sério…





    in JNeg
     
  6. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    FMI: Mercados estão a "sobrestimar o risco de ocorrer um incumprimento"

    FMI: Mercados estão a "sobrestimar o risco de ocorrer um incumprimento"


    FMI diz que são algumas "análises de mercado" que estão a dar como "quase certo" o incumprimento de um país e considera que o mercado está a "sobrestimar" a possibilidade de tal cenário.


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    No relatório Fiscal Monitor ontem publicado, o Fundo Monetário Internacional analisa o desempenho do mercado de dívida soberana, sobretudo nos países que estão sob maior pressão dos mercados, como é o caso de Portugal.

    “O aumento do pessimismo afectou alguns países da Zona Euro”, refere o FMI, assinalando que “o sentimento estabilizou em Maio e Junho nos países sob pressão dos mercados (Grécia, Irlanda e Portugal) com a criação do fundo de emergência de estabilização financeira da União Europeia, as intervenções do BCE e a ajuda financeira da Europa e do FMI à Grécia”.

    Contudo, nota o FMI, “as preocupações dos investidores reemergiram mais recentemente”, apesar de “as perspectivas orçamentais na Grécia e em Portugal terem melhorado a um ritmo mais rápido que o esperado”.

    Acrescenta o FMI que “algumas análises de mercado” antecipam como “quase certa” a ocorrência” de um incumprimento no pagamento de dívida pública em algumas economias desenvolvidas. A esta frase, o FMI remete para um estudo recente de um responsável do Fundo, que conclui que os mercados estão a “sobrestimar o risco de ocorrer um ‘default’ em várias economias desenvolvidas”.

    O relatório Fiscal Monitor, do FMI, nunca se refere de forma particular a Portugal quando fala destes receios dos mercados sobre um “default” de dívida soberana e deixa claro que estes receios não são seus, mas sim de “algumas análises dos mercados”.

    Os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos tocaram ontem num máximo histórico, estando hoje a recuar 9 pontos base para 6,516%.



    in JNeg
     
  7. DragTeam

    DragTeam Staff SysOp Membro Gold

    Eu sei que ando sempre a criticar o tacho publico, mas quando todos perceberem que a única solução é mandar embora 35% deles.

    É impossível num país tão pequeno metade da população activa viver directamente ou indirectamente a custa do estado.

    Abraços
     
    devils_x gosta disto.
  8. Numerico

    Numerico Staff Moderador Temático Membro Gold

    Ex-director geral do FMI está "impressionado" com as medidas tomadas em Portugal.

    O antigo director geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) Jacques de Larosière, elogiou hoje as medidas que estão a ser tomadas em Portugal para o reequilíbrio das contas públicas e diz que o FMI não faria muito mais.

    "Estou impressionado com as medidas [do Orçamento do Estado para 2011], que são muito significativas e vão trazer o défice para 4,6 por cento do PIB no próximo ano, depois de números muito altos", disse à agência Lusa o atual presidente do Comité de Estratégia do Tesouro de França, à margem da conferência "A actividade financeira e o novo modelo de supervisão", promovida em Lisboa pelo BPI Pensões.

    Segundo Larosière, esta "é uma notável demonstração do empenho das autoridades portuguesas em resolver a situação" e o especialista elogiou também a reforma feita no sistema de Segurança Social português.

    "Portugal está a fazer muito bem o trabalho, está a fazer as coisas certas. O FMI não faria muito mais", realçou à Lusa.
    No que toca à pressão dos investidores sobre a dívida pública portuguesa, que tem levado os juros para níveis elevados, Larosière disse que "o mercado precisa de tempo para perceber a extensão das medidas", reforçando que "o mercado está sempre um passo atrás".

    O responsável francês, que liderou o FMI entre 1978 e 1987, tendo depois sido cinco anos o governador do Banco de França, apontou ainda o dedo ao papel desempenhado pelas agências de notação financeira.

    "As agências de 'rating' têm de explicar melhor o impacto das medidas que estão a ser tomadas", salientou.
    Na sua opinião, "a qualidade do risco soberano português é melhor hoje do que há dois anos", uma vez que Portugal "é um país importante e com potencial".

    Larosière explicou que "o grande problema está nas contas públicas, que condicionaram o crescimento económico do país nos últimos anos", mas mostrou-se confiante para o futuro.

    "Portugal está a passar por um processo doloroso, mas que tem que ser feito. É um caminho difícil, mas inevitável", concluiu.



    dnnoticias.pt
     
    Editado por um moderador: Novembro 5, 2010
  9. jok

    jok Membro Li-ion

    sinceramente julgo que já estamos na falencia a muito muito tempo,a crise global só veio demonstrar isso mesmo.
    Um estado que não consegue gerar mais receitas que os gastos o abismo mais tarde vai aparecer,
    a formula não é muito diferente do que acontece com muitas familias que as despesas chegam a um ponto que supera as receitas
    começa pedir emprestimos para colmatar dívidas ,
    seguidamente mais emprestimos agora para pagar outros emprestimos e assim sucessivamente até um dia que já ninguem nos empresta nada porque não temos e não damos qualquer garantia viavel aos emprestadores,
    claro que num estado ainda tem o agravante dos expeculadores e agora tão na moda empresas de rakting que na sua maioria de origem EUA,mas que estranhamente não previram tão linear o (colapso Americano) que agora se mandam como lobos para as economias Europeias que quando não conseguem atingir directamente as mais fortes (Alemanha, França) então vão pela periferia e la esta metida Portugal.
     
  10. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Daniel Bessa defende que mercados não querem saber de planos mas de resultados

    Daniel Bessa defende que mercados não querem saber de planos mas de resultados


    A subida das taxas de juro da dívida nacional "significa que os credores não querem saber de planos querem saber de realizações, defende o economsita.


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    O economista Daniel Bessa defendeu hoje que a aprovação do Orçamento do Estado (OE) para 2011 é insuficiente para acalmar os mercados, que "não querem saber de planos, mas de resultados", porque Portugal não cumpriu "alguns dos últimos planos".

    Para Daniel Bessa, a subida das taxas de juro da dívida nacional "significa que os credores não querem saber de planos querem saber de realizações, porque alguns dos últimos planos aprovados não foram executados", realçando que "aprovar o OE foi bom, mas se calhar tinha sido melhor que a execução orçamental de 2010 tivesse corrido melhor".

    Questionado se Portugal tem falta de credibilidade, Daniel Bessa assentiu: "Estamos com esse problema a que não podemos fugir".

    Para Daniel Bessa, "mudar de Governo agora é uma perda de tempo", porque "o dinheiro acaba nos cofres mais depressa do que se realizam eleições".

    "Toda a gente já percebeu em Portugal que mais cedo ou mais tarde e seguramente antes do fim da Legislatura haverá eleições antecipadas, mas não creio que resolvesse nada neste momento. O que importa é saber se o Estado para a semana tem dinheiro para fazer os seus pagamentos", acrescentou.

    Sobre o recurso ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o ex-ministro das Finanças afirmou que "o FMI nunca esteve onde não tivesse sido chamado", realçando que "terá que ser o Governo a avaliar".

    Para Daniel Bessa, a mais valia da intervenção do FMI é "trazer um distanciamento em relação aos interesses internos que os governos nem sempre têm", sublinhando que "traz muito pouco dinheiro" e medidas que "podem ser executadas com ou sem FMI".

    Ainda assim, admitiu, que "das duas intervenções em Portugal, o [FMI] deixou resultados muito apreciáveis".

    O economista desvalorizou a aproximação dos juros da dívida dos 7%, valor definido pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, como insustentável, considerando que "é um valor como outro qualquer", porque "seis ou sete por cento são níveis preocupantes e sugerem que num momento qualquer o Governo pode ter dificuldade".



    Em declarações aos jornalistas, à margem do debate sobre o "Impacto da Globalização e os Desafios ao Crescimento Económico Sustentável", no Porto, o director geral da COTEC Portugal realçou que "se alguém disse que aprovar [o OE] era suficiente foi um lapso de língua", considerando "pouco" para convencer os mercados financeiros.




    in JNeg
     
  11. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    "Não tenho nenhuma previsão sobre a possibilidade da entrada do FMI em Portugal"

    "Não tenho nenhuma previsão sobre a possibilidade da entrada do FMI em Portugal"


    O ministro da Economia, Vieira da Silva, afirmou hoje que não tem qualquer previsão sobre a possibilidade de o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrar em Portugal, numa reacção às notícias divulgadas.


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    À margem da assinatura de contratos de incentivo à internacionalização da Iniciativa QREN, Vieira da Silva declarou: "Não tenho nenhuma previsão sobre a possibilidade da entrada do FMI em Portugal", nem "faço ideia nenhuma de que documento se esteja a falar".


    O jornal "i" noticiou hoje que o "FMI lamenta a falência quase certa de Portugal", citando um estudo que fala dos receios dos mercados

    Portugal "tem condições nos dois planos fundamentais que estão colocados à nossa sociedade -- a consolidação das contas do Estado, que é a prioridade do momento, e a afirmação da capacidade da nossa economia se renovar e se projectar para o exterior, com a ambição de reduzir os défices estruturais que a têm marcado ao longo de muitas décadas", afirmou o governante.

    Quanto à subida dos juros da dívida pública, Vieira da Silva disse sentir a mesma "apreensão [que] é comum a todos os que têm responsabilidades e participam na vida económica portuguesa", mas considerou que essa preocupação deve motivar uma reacção adequada.

    "[A resposta] não é ficarmos acabrunhados ou paralisados, mas sermos claros (...) para conseguirmos os objectivos que perseguimos", sublinhou Vieira da Silva.

    Insistindo na ideia de que "tem de haver grande concentração do país" nesse esforço por "consolidar as contas públicas e estimular a modernização, inovação e capacidade exportadora da economia portuguesa", o ministro comentou depois o facto de a aprovação do Orçamento de Estado parecer não ter acalmado os mercados.

    "Quem consulta a imprensa internacional e acompanha o que se passa em toda a Europa entende bem que há aqui muitos mais factores do que aqueles que têm a ver com as nossas decisões internas", observou.

    "Essas são, contudo, muito importantes e volto a dizer: é preciso firmeza e muita determinação", acrescentou.

    É preciso "valorizar aquilo que tem de ser feito", pois "se não fizermos aquilo que temos de fazer, obviamente que as consequências serão muito más", concluiu.




    in JNeg
     
  12. zarbman

    zarbman Staff Moderador Temático Membro Gold

    Governo preparado para resistir ao FMI pelo menos por 2 meses

    Nem que os juros da dívida passem os 7%, de que falou Teixeira dos Santos, o Governo vai recorrer ao Fundo de Estabilização da UE. A última emissão do ano é dia 10. Depois, é esperar que Merkel ceda no Conselho de Dezembro

    No plano interno, o Governo de José Sócrates acredita que pouco poderá fazer para inverter a escalada dos juros sobre a dívida soberana portuguesa. No núcleo duro, sabe o DN, tudo o que se admite fazer é manter "um discurso muito claro sobre os objectivos" de redução do défice e, sobretudo, um difícil rigor acima de críticas na execução orçamental dos próximos meses - este ano e no início de 2011. De resto, a palavra de ordem é resistir, como fez esta semana o primeiro-ministro numa entrevista à TVI, logo após a aprovação do Orçamento na generalidade. Desde logo resistir ao pedido de ajuda ao FMI - melhor dizendo, ao Fundo de Estabilização Europeia, desenhado em Maio para permitir que a Grécia tenha, hoje, taxas de juro fixadas em 5%.

    Assim, mesmo que as taxas de juro portuguesas subam a fasquia dos 7%, que Teixeira dos Santos disse ser o limite para o País recorrer ao esquema de ajuda europeu (Fundo + FMI), Sócrates não accionará tão cedo esse mecanismo. Isto só pode acontecer porque a última emissão de dívida pública deste ano está prevista para esta quarta-feira. É uma emissão, porém, de alto risco - porque se trata de 1,2 mil milhões de euros e de um prazo dilatado (portanto, com preços superiores) e que farão o País pagar mais alguns milhões nos próximos cinco a dez anos.

    Sendo a última emissão de 2010, isso quer dizer que a evolução dos juros da dívida pública não terá, depois disso, uma consequência directa tão grave. E isso dará uma folga ao Governo até pelo menos ao fim do ano para que os juros possam recuar.

    A grande esperança do Governo português concentra-se, assim, no Conselho europeu de Dezembro. Depois de se terem travado as intenções de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy de impor sanções políticas (inibição de direitos de voto aos países incumpridores), há um novo motivo de forte preocupação para os países mais fragilizados, os populares "PIGS" (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha). Trata-se da "intenção" da chanceler alemã de criar um outro fundo de apoio de emergência, que ao contrário do actual admite que os Estados possam entrar em incumprimento - e penalizando os privados (credores desses países) nesses casos.

    Merkel deixou esta "sugestão" há uma semana. E o Governo português - além de vários analistas - acredita que isso foi o suficiente para desencadear o novo surto especulativo desta semana. Em São Bento, crê-se que ainda será possível reverter o projecto de Merkel na reunião de líderes de Dezembro, fazendo recuar os juros nesse momento. Até lá, Sócrates está preparado para um mês de instabilidade.

    O Governo, segundo fontes ouvidas pelo DN, alega que a sua objecção "não é de princípio", mas de timing. E, com reduzido capital negocial (por estar a agir em causa própria), conta com a ajuda de Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, que já deixou críticas à intenção de Merkel.

    Nos últimos dias, vários deputados socialistas (mais livres que o Governo) têm deixado fortes críticas à chanceler, acusada de pôr os interesses da Alemanha à frente dos da UE.
     
  13. futureneo

    futureneo Membro Li-ion Membro Gold

    Se eles diziam que a aprovacao do orcamento ia parar a subida dos juros (o que ninguem acreditava...) e nao parou quer dizer que nao sao competentes. Deixem vir o FMI por favor.

    :2gunsfiring_v1:
     
  14. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    FMI? Não, obrigado.


    FMI? Não, obrigado.


    07/11/10 | António Costa




    Portugal está, desde há meses, no radar dos investidores e dos mercados internacionais pelos piores motivos, vários, entre os quais o de que não estará à altura de cumprir as suas obrigações e compromissos financeiros.

    A consequência de um eventual incumprimento seria, obviamente, o recurso à ajuda externa, leia-se ao FMI, que alguns, incompreensivelmente, defendem. A entrada do FMI não só não é inevitável, como é, sobretudo, dispensável.
    Quando se fala do FMI em Portugal, sobretudo para a geração com mais de 50 anos, fala-se das intervenções na década de 70 e de 80, da economista Teresa Terminasse, e de entradas ‘à bruta' e num contexto bem diferente do que o que vivemos hoje, com uma moeda única e integrados num espaço político e sobretudo económico europeu. E são muitos os que defendem hoje a entrada do FMI mais por razões políticas - seria a forma de demitir José Sócrates - e menos por razões económicas.
    Os instrumentos de intervenção do Fundo são hoje muito diferentes daqueles que foram usados há mais de duas décadas, desde logo a impossibilidade de desvalorizar o escudo. Mas o processo e os resultados não são muito diferentes, isto é, Portugal perderia a sua autonomia e independência, a que tem, e as medidas a tomar seriam, necessariamente, mais duras e gravosas do que as que constam da proposta de Orçamento do Estado para 2011.
    O FMI já ‘entrou' na Grécia. De que forma? O Governo grego recorreu ao fundo de emergência financeiro, criado e financiado pela União Europeia e pelo próprio Fundo, quando se viu incapaz de cumprir as suas obrigações com os que lhe emprestaram dinheiro. As medidas de austeridade foram postas em prática, o país perdeu a sua soberania, que não voltará tão cedo, vive uma situação de emergência e instabilidade social e, mesmo assim, os mercados continuam a desconfiar dos gregos. Seria este o cenário em Portugal. É isto que queremos? Seguramente, não.
    A entrada do FMI em Portugal depende, em primeiro lugar, de nós. Os mercados e os investidores têm as suas dinâmicas próprias, como temos visto, por exemplo, com o contágio dos últimos dias do que se passa na Irlanda a Portugal, apesar da aprovação do Orçamento do Estado. Mas, seguramente, se não fizermos o nosso trabalho de casa, se não reequilibrarmos as contas públicas, o FMI tornar-se-á inevitável. Teixeira dos Santos cometeu um erro crasso ao fixar um número - taxa de juro da dívida pública portuguesa de 7% - a partir do qual Portugal terá de recorrer ao fundo. É um erro político que pode trazer uma factura demasiado elevada.
    Depois, quem defende a entrada do FMI como forma de forçar uma mudança rápida de actores políticos - leia-se de primeiro-ministro - e de políticas, está a subestimar a perda de autonomia e de liberdade económica por muitos e muitos anos. A situação financeira e orçamental do País já nos obrigou a aceitar medidas que falam alemão, mas esta dependência passaria a subjugação. As medidas de política económica e orçamental deixariam de ser avaliadas pela sua qualidade e muito menos pelas opções políticas subjacentes, mas por uma agenda externa imposta à força. Porque quem paga, manda.
    Finalmente, o recurso ao FMI seria a constatação da incapacidade de Portugal se governar, para lá do atestado de incompetência que passaríamos a nós próprios, enquanto povo e País.
    Não diabolizo o FMI, é uma instituição central do sistema económico e financeiro internacional. Mas, FMI? Não, obrigado.



    in DE
     
  15. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Fundo pede acção ao Governo para enfrentar desafios de longo prazo


    Contas públicas

    Fundo pede acção ao Governo para enfrentar desafios de longo prazo


    07/11/10

    Portugal tem de se concentrar nos problemas de longo prazo.

    O Governo português deve tomar "acções decisivas" para resolver os seus "difíceis desafios de mais longo prazo". O pedido foi feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que garante que por enquanto não está ser preparado nenhum plano de intervenção no país.
    "Portugal enfrenta difíceis desafios de mais longo prazo, como aumentar a competitividade, reduzir os desequilíbrios e aumentar a produtividade, e por isso é crítico que as autoridades tomem acções decisivas para resolver estes desafios", frisou fonte oficial do FMI, ao Diário Económico.
    Quanto aos problemas de curto-prazo, como a necessidade de cortar drasticamente o défice orçamental e enfrentar as pressões dos mercados no que toca ao financiamento do Estado, o FMI acrescentou que "as relações com Portugal estão normais" e que "não está a ser planeado nenhum financiamento ao país". O fundo rejeitou ainda a ideia segundo a qual acredita que seja "quase certa" a falência de Portugal, contrariando o que tinha sido avançado pela imprensa.
    Ainda assim, de acordo com o Fiscal Monitor - um relatório do FMI que acompanha o andamento dos planos de consolidação das economias - Portugal é um dos países em relação aos quais "as preocupações dos mercados aumentaram mais recentemente". Isto "apesar de as projecções orçamentais na Grécia e em Portugal estarem a melhorar a um ritmo superior ao esperado", acrescenta o documento. "De facto, certas análises de mercado consideram que um evento de crédito em alguns países avançados é quase certo", lê-se no relatório, que defende que este risco está a ser "sobreavaliado" pelos mercados já que não reflecte os fundamentais da economia.



    in DE
     
  16. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    BCE ajuda a interromper subidas dos juros


    Intervenção

    BCE ajuda a interromper subidas dos juros

    07/11/10

    Intervenção no mercado secundário de dívida ajudou a travar escalada da dívida.

    Os juros da dívida nacional interromperam ontem a sequência de sete subidas consecutivas e desceram para os 6,515%, um dia depois de terem batido um novo máximo histórico de 6,655%. A queda dos juros não será alheia ao facto de o Banco Central Europeu (BCE) ter estado no mercado a comprar dívida dos países em maior dificuldade. Não é assim de estranhar que o mercado também tenha dado uma pequena trégua às obrigações irlandesas, que desceram ligeiramente no fecho da sessão depois de terem batido novos recordes. Já os juros da dívida espanhola aumentaram.
    "O facto dos ‘spreads' de Espanha e da Itália terem subido mas os de Portugal terem descido diz-me que o BCE esteve a trabalhar", referiu um analista do Royal Bank of Scotland citado pela Reuters. Na quinta-feira o presidente do BCE já havia sinalizado que estava no mercado a comprar dívida dos países em maior dificuldade, para normalizar a liquidez e impedir uma escalada dos juros.
    Outra dose de esperança para a dívida nacional, numa altura em que alguns fundos soberanos querem evitar a exposição aos países periféricos, é a visita oficial do presidente chinês. Pequim já referiu que está na disposição de comprar dívida nacional e "um anúncio de que a China vai comprar dívida portuguesa poderá ser bem visto pelo mercado", referiu o presidente do ISEG, João Duque.



    in DE
     
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