FMI na Irlanda cria risco de efeito dominó - Irlanda cada vez mais pressionada a recorrer à UE

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 12, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    FMI na Irlanda cria risco de efeito dominó


    A intervenção do FMI na Irlanda tanto pode acalmar os mercados como arrastar, depois, Portugal e, a seguir, a Espanha e a Itália. E só há recursos para mais dois países pequenos.


    [​IMG]


    As autoridades irlandesas estão cada vez mais pressionadas pelos investidores e pelas autoridades europeias para pedirem o apoio do Fundo Monetário Internacional e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). A expectativa é que a intervenção na Irlanda acalme os mercados que entraram de novo em ebulição há duas semanas. Mas o efeito, também se admite, pode ser atear ainda mais a fogueira que está a arder nos países periféricos.

    A taxa de juro da dívida pública da Irlanda chegou muito perto dos 9% e a de Portugal aliviou para os 7,03%. A Espanha, que até há quinze dias parecia ter saído da tempestade, vê também a sua taxa a aumentar assim como a da Itália.





    in JNeg
     
  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Finlândia apela a Portugal e Irlanda que "reconquistem a confiança dos mercados"

    Finlândia apela a Portugal e Irlanda que "reconquistem a confiança dos mercados"


    Ministro das Finanças da Finlândia alerta para a necessidade de Portugal e Irlanda terem de resolverem os "seus grandes problemas" e reconquistar a confiança dos mercados financeiros.

    “Irlanda e Portugal têm grandes problemas e ambos os governos devem agir para reconquistar a confiança dos mercados”, afirmou Jyrki Katainen ao jornal “Kauppalehti”, citado pela Bloomberg.

    O responsável adianta ainda que “há o risco dos mercados financeiros deixarem de confiar neles”.




    in JNeg
     
  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Reuters: Irlanda está a negociar pedido de ajuda a Bruxelas


    Crise

    Reuters: Irlanda está a negociar pedido de ajuda a Bruxelas

    Económico
    12/11/10

    A agência Reuters está a avançar que já decorrem conversações para que seja accionado um mecanismo de ajuda a Dublin.

    Confrontado com esta notícia, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, fez declarações algo ambíguas, afirmando não poder confirmar essa informação e declarando que Bruxelas "teve conversações com os colegas irlandeses, entre outros," e que cabe ao Governo de Dublin pedir ajuda "se for necessário".

    A notícia avançada pela Reuters tem por base duas fontes anónimas de Bruxelas. "Decorrem conversações e o dinheiro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira será usado. Não haverá ‘haircuts' nem reestruturação [da dívida] de qualquer tipo", avançou uma das fontes. "É muito provável que a Irlanda accione o programa", acrescentou.
    No mesmo sentido, outra fonte de Bruxelas citada pela agência avançou que "estão em curso negociações entre Irlanda e a UE para que o Fundo Europeu seja accionado num montante não especificado".

    O eventual recurso à Irlanda ao mecanismo de ajuda europeu criado para salvar a Grécia estava, desde os últimos dias, a ser antecipado pelo mercado, já que os juros da dívida pública do país a 10 anos subiram abruptamente para valores próximos de 9%. A esse nível, sublinharam vários operadores, seria impossível a Irlanda financiar-se no mercado em 2011 sem a almofada de Bruxelas e do FMI.



    in DE
     
  4. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    "Se a Irlanda precisa de ajuda, será ajudada"


    Juncker

    "Se a Irlanda precisa de ajuda, será ajudada"

    Económico
    12/11/10

    O presidente do Eurogrupo garantiu que "até agora" Dublin não solicitou a ajuda de Bruxelas.

    "Se a Irlanda precisa de ajuda, será ajudada. Até agora, a Irlanda não pediu a ajuda do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira", disse Jean-Claude Juncker, citado pela Bloomberg. O responsável disse ainda não ver "razões imediatas para que a Irlanda peça auxílio" e também adiantou não estar agendada qualquer reunião entre ministros das Finanças neste fim-de-semana para discutir o assunto.
    As declarações foram feitas depois de a agência Reuters ter avançado, citando duas fontes em Bruxelas, que já decorrem negociações em Bruxelas para que Dublin seja auxiliado.
    "Decorrem conversações e o dinheiro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira será usado. Não haverá ‘haircuts' nem reestruturação [da dívida] de qualquer tipo", avançou uma das fontes. "É muito provável que a Irlanda accione o programa", acrescentou.

    No mesmo sentido, outra fonte de Bruxelas citada pela agência avançou que "estão em curso negociações entre Irlanda e a UE para que o Fundo Europeu seja accionado num montante não especificado".
    Na reacção, os juros cobrados pelos investidores para comprarem obrigações irlandesas a 10 anos desciam mais de 70 pontos base para cotar em 7,937%. Nas maturidades mais curtas a descida é ainda mais expressiva: as ‘yields' dos títulos a dois anos afundam 120 pontos base para 6,48%. Parte deste ‘alívio' é no entanto justificado pela clarificação por parte do G20 que o plano franco-alemão - que prevê a responsabilização dos credores em caso de incumprimento -, só entrará em vigor a partir de 2013.



    in DE
     
  5. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Governo irlandês desmente que tenha pedido ajuda


    Reacção

    Governo irlandês desmente que tenha pedido ajuda

    12/11/10

    O ministro das Finanças irlandês garantiu hoje que o país não accionou qualquer pedido de ajuda externo.

    "A Irlanda está totalmente financiada até meados de 2011", disse fonte oficial do Ministério das Finanças irlandês, citado pela Bloomberg. "Não há qualquer pedido de ajuda ao fundo de emergência da União Europeia", acrescentou.
    O Governo reage assim à notícia avançada pela agência Reuters que, citando duas fontes em Bruxelas, avançou que já decorrem negociações para que a Irlanda seja auxiliada pelos seus parceiros europeus.
    Já durante a manhã, Brian Lenihan, ministro irlandês das Finanças, tinha defendido num rádio "não fazer sentido" pedir ajuda a Bruxelas e ao FMI dado que o país tem as suas necessidades de financiamento cobertas até ao próximo ano.



    in DE
     
  6. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Europa pressiona Irlanda a pedir ajuda

    Europa pressiona Irlanda a pedir ajuda


    As notícias sobre o pedido de ajuda da Irlanda ao fundo de emergência da União Europeia intensificaram-se hoje, com a imprensa internacional a dar conta que os ministros europeus estarão a pressionar Dublin a solicitar ajuda. O FMI diz que está pronto, mas confia que não será necessário.


    [​IMG]


    Depois de ontem a Reuters ter noticiado que a Irlanda estava em conversações para recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira da União Europeia, hoje são vários os media internacionais a avançarem com notícias nesse sentido.

    A BBC refere que a Irlanda está já em conversações preliminares com responsáveis da União Europeia, dando conta que a questão já não está em saber se o resgate da Irlanda vai mesmo acontecer, mas apenas quando ele terá lugar.

    A televisão britânica diz mesmo que a primeira estimativa para o empréstimo a solicitar ao fundo de emergência europeu oscila entre 60 e 80 mil milhões de euros.

    O Financial Times noticiou, também esta noite, que os ministros europeus vão este fim-de-semana deliberar se a Irlanda necessita de recorrer à ajuda da União Europeia e se tal terá que ser anunciado antes da abertura dos mercados na segunda-feira.

    Apesar dos juros das obrigações irlandesas terem descido na sexta-feira – depois dos ministros dos 5 maiores países da UE terem garantido no G20 que só nos empréstimos efectuados a partir de 2013 os credores vão ser chamados a assumir parte dos custos de um resgate – os responsáveis europeus temem que os mercados continuem a pressionar a Irlanda.

    O FT adianta que as conversações entre os líderes europeus devem intensificar-se este domingo, apesar do Governo irlandês ter insistido que não precisa de pedir ajuda.

    O primeiro-ministro e o ministro das Finanças irlandês, o presidente do Ecofin, Jean Claude Juncker, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, negaram ontem que a Irlanda tenha solicitado ajuda, depois da Reuters ter avançado com uma notícia nesse sentido.

    Brian Lenihan (na foto), o ministro das Finanças, afirmou mesmo que “não faz sentido” falar de um pedido de ajuda, uma vez que a Irlanda não precisa de regressar aos mercados antes de meados de 2011.

    Também às notícias de hoje a Irlanda já reagiu, com fonte oficial do Governo a afirmar ao Telegraph que o país “não está em conversações para solicitar ajuda ao fundo da União Europeia”.

    FMI “está pronto”

    Questionado sobre uma possível intervenção na Irlanda, o director-geral do FMI, Dominique Strauss Kahn, afirmou que o fundo continua preparado para dar ajuda ao país.

    “Todos sabem que a situação na Irlanda é uma situação difícil”, afirmou o director-geral do FMI, acrescentando que “até agora não recebi nenhum pedido. Penso que eles [Irlanda] conseguem gerir bem a situação sozinhos. Se em qualquer altura, amanhã, daqui a dois meses ou dois anos, a Irlanda necessitar da ajuda do FMI, nós estaremos prontos”.

    A Bloomberg adianta que decorreu ontem uma conference call, onde responsáveis do Banco Central Europeu pressionaram a Irlanda a solicitar ajuda dentro de poucos dias.O Irish Times noticiou que responsáveis irlandeses mantiveram ontem conversações com o BCE, Comissão Europeia e Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, onde resistiram às pressões para recorrerem ao fundo da UE, uma iniciativa que os responsáveis europeus acreditam que poderá acalmar os mercados.

    De acordo com o FT, os responsáveis europeu temem que a Irlanda contagie outros países da Zona Euro, como Portugal, visto como o terceiro país do euro em maiores dificuldades. A Itália e a Espanha foram esta semana bastante pressionadas pelos mercados devido à situação da Irlanda.



    in JNeg
     
  7. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Irlanda resiste a pressões alemãs

    Irlanda resiste a pressões alemãs


    A Alemanha está a pressionar a Irlanda para pedir ajuda. O governo de Dublin não quer, diz que não precisa e desmente qualquer pedido. Da Europa, do BCE e do FMI, as mensagens revelam que há divisões sobre uma actuação imediata na Irlanda.


    [​IMG]


    O governo alemão quer que a Irlanda peça ajuda financeira antes do encontro dos ministros das Finanças da União que decorre na terça-feira dia 16, avança a agência noticiosa Bloomberg. O governo irlandês desmente estar sob pressão. Um fim-de-semana marcado por rumores que envolvem também Portugal e Espanha.

    Hoje o jornal alemão Welt am Sonntag afirmava, citando fontes diplomáticas, que a Espanha e Portugal estavam também a defender uma intervenção na Irlanda, com o argumento que quanto mais tarde ocorresse mais caro saia, tal como aconteceu com a Grécia. Mas um outro diplomata, referido pela AFP, retorquia questionado: “Porque quer Portugal isso? Tal apenas levaria a que fossem os próximos a enfrentar o mesmo problema”.

    Em Portugal ninguém está a reagir ao que se tem passado desde sexta-feira. Ao longo do fim-de-semana têm-se multiplicado notícias, nas agências e jornais internacionais, sobre a possibilidade de a Irlanda pedir apoio imediato.

    Os objectivos de Berlim

    O objectivo do governo de Berlim, ao pressionar a intervenção na Irlanda, é acalmar os investidores financeiros e conseguir apoio para a sua proposta de desenho do futuro fundo de ajuda financeira, no qual se prevê perdas para os investidores com aplicações em dívida dos países ajudados.

    Mas o governo irlandês desmente esse pedido de apoio e sublinha que só precisa de pedir de novo financiamento ao mercado em meados do próximo ano, não necessitando, por isso, de solicitar os meios do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e do FMI.

    Além da questão política, a divisão técnica no seio da União sobre uma intervenção na Irlanda é suportada por perspectivas diferentes sobre os seus efeitos, conforme noticiou o Negócios na edição de sexta-feira baseado em fontes.

    De um lado estão os que consideram que uma actuação na Irlanda acalmaria os investidores. Do outro estão os que receiam que o apoio à Irlanda aumente o risco de colapso de Portugal, seguindo-se depois a Espanha, não existindo recursos para apoiar todos esses países.

    A resistência irlandesa…

    A União Europeia não está a pressionar a Irlanda para pedir ajuda financeira nem estão a decorrer quais discussões sobre este tema. Este foi o último desmentido do governo irlandês hoje, depois de o estar a fazer desde sexta-feira.

    “Este governo não está sob pressão” e não existem negociações, afirmou hoje o ministro das Empresas, Comércio e Inovação, Batt O'Keeffe, na RTE e citado pela Reuters.

    O mesmo desmentido já tinah sido feito por outros elementos do Governo irlandês, como o ministro das Finanças Brian Lenihan.

    O governo irlandês, citado oficialmente pelas agências noticiosas, está convencido que o Orçamento do Estado a apresentar no dia 7 de Dezembro acalmará os mercados financeiros.

    O défice público irlandês deverá ficar este ano em 12% do PIB elevando-se para os 32% quando se inclui o apoio financeiro aos bancos, com especial relevo para o Irish Bank.

    O plano orçamental irlandês consagra um corte de seis mil milhões de euros nas contas públicas, por via de aumento de impostos e corte de despesas.

    O sistema financeiro irlandês poderá precisar de 50 mil milhões de euros, de acordo com dados dos testes de stress realizado pelo governo e o banco central irlandês e citados pela Bloomberg.

    De acordo com o Barclays Capital, também citado pela Bloomberg, um eventual apoio à Irlanda poderá atingir valores da ordem dos 80 mil milhões de euros entre 2011 e 2013.

    O Financial Times afirma, sem citar fontes, que, caso a ajuda avance, virá do fundo de 60 mil milhões de euros controlado pela Comissão Europeia e não do FEEF de 440 mil milhões de euros aprovado para a Grécia.

    A utilização do fundo da União e não o de ajuda deve-se ao facto deste último, o FEEF, exigir unanimidade, enquanto o outro, sendo recursos da União, necessitar apenas de uma aprovação por maioria.

    … e as divisões na União e no FMI

    Uma das últimas afirmações públicas chegou do FMI. Dominique Strauss-Khan, no Japão, afirmou considerar que, neste momento, a Irlanda é capaz de gerir sozinha a situação mas se precisar de ajuda o Fundo está pronto.

    Na sexta-feira, quando a Reuters avançou com a existência de negociações, Jean-Claude Juncker foi o primeiro a desmentir. “A ideia de que está alguma coisa para acontecer, neste momento em que estou a falar, é uma ideia que não deve existir”, afirmou o responsável luxemburguês que lidera o conselho de ministros das Finanças da Zona Euro, negando a existência de conversações para ajudar financeiramente a Irlanda.

    O BCE não se tem pronunciado sobre o assunto e Jean Claude Trichet, sábado na Alemanha, recusou-se a comentar o assunto.

    O único tema sobre o qual o BCE deixou passar a sua posição, se ser oficialmente, foi sobre as regras do fundo permanente proposto pelo governo alemão em conjunto com a França. Para o BCE, tal como para outros líderes europeus, o anúncio de que os investidores iriam perder dinheiro no quadro das novas regras de um fundo permanente de ajuda constitui a razão da turbulência financeira que afectou negativamente o mercado da dívida pública da Irlanda, Portugal, Espanha e Itália.

    Na sexta-feira, na sequência da clarificação de que o novo fundo permanente não se aplicaria a dívida já existente, as cotações dos títulos de dívida pública dos países emergentes subiram (desceram as taxas de juro). Apesar disso, o prémio sobre a taxa de juro alemã que os investidores exigem para deter dívida a dez anos ficou em cerca de 5,6% no caso da Irlanda em 4,8% para Portugal.



    in JNeg
     
  8. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Irlanda cada vez mais pressionada a recorrer à UE


    Crise

    Irlanda cada vez mais pressionada a recorrer à UE

    14/11/10

    A Reuters diz que Dublin está em conversações com UE e Portugal corre o risco de ficar no foco dos mercados.

    O Tigre Celta foi encurralado pelos mercados e poderá fazer mudar o foco dos investidores para a próxima presa: Portugal. A Irlanda estará mesmo a negociar o acesso ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), segundo informações veiculadas ontem pela Reuters, mas desmentidas pela União Europeia, por Dublin e pelo FMI. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, referiu que "se a Irlanda precisa de ajuda, será ajudada", mas descartou que o país já tenha solicitado auxílio, numa retórica a fazer lembrar as semanas que antecederam o resgate grego.
    A Reuters citou duas fontes não identificadas de Bruxelas. "As conversações estão a decorrer e o dinheiro do FEEF será usado. Não existirão ‘haircuts' (corte no valor das obrigações), nem restruturação de dívida". Vários economistas entendem que caso a Irlanda recorra ao FEEF, o alvo a seguir é Portugal. "O foco poderá virar-se para outros candidatos a um resgate, particularmente Portugal", referiu a economista do Standard Chartered, Sarah Hewin, à Reuters.
    Apesar da intensificação dos rumores sobre a necessidade da Irlanda recorrer a ajuda externa, os mercados até deram tréguas à dívida periférica. Os analistas atribuem a diminuição do risco à maior clarificação por parte da Alemanha e da França das regras para o mecanismo permanente de auxílio financeiro aos países do euro. Mas alertam que a taxa implícita que o mercado está a cobrar continua a ser insustentável.

    Recurso ao FEEF compra tempo mas pode não impedir ‘default'
    Nas últimas semanas multiplicaram-se as casas de investimento a defender que a utilização do FEEF por parte da Irlanda e de Portugal até causaria efeitos positivos. O Goldman Sachs, por exemplo, referiu esta semana que esse recurso "pode ser o início da resolução das tensões nos mercados de dívida". Mas a perspectiva não é consensual. A activação do FEEF garantiria financiamento até 2013, mas o recurso a este instrumento não dissolve duas incertezas: como irá a UE apoiar os países em apuros depois de 2013 e se os Estados em dificuldades conseguirão resolver os problemas nesse prazo.
    O administrador da gestora Optimize, Diogo Teixeira, disse ao Diário Económico que "se estabelecermos um paralelo com a intervenção na Grécia, as taxas estão hoje mais altas que antes do pedido da ajuda. Recorrer ao fundo significa que o país está enfraquecido e que mais tarde ou mais cedo será necessário uma reestruturação".
    Apesar do mercado apostar cada vez mais no recurso da Irlanda ao FEEF, o ministro das Finanças do país disse numa entrevista: "Para quê recorrer ao FEEF nestas circunstâncias? Não faz nenhum sentido". Brian Lenihan referia-se ao facto da Irlanda ter liquidez suficiente até Junho de 2011. Mas o que o mercado teme é que a factura final de Dublin com a banca continue a agravar-se.
    A economista do BCP, Márcia Rodrigues, referiu numa análise que apesar de tanto a Irlanda como Portugal terem assegurado as necessidades de financiamento de curto prazo, "o risco de que as preocupações com estes dois países (que representam apenas 3,6% do PIB da área do euro) se propaguem a outros Estados-membros, e voltem a ameaçar a estabilidade da área do euro, poderão levar a uma decisão para accionar" o FEEF.
    Os analistas entendem que o fundo consegue cobrir as necessidades de financiamento de Portugal, Grécia e Irlanda, estimadas em 190 mil milhões de euros pelo Credit Suisse. No entanto, duvidam que a Europa consiga dar resposta caso o mercado decida caçar presas de maior porte, como Espanha e Itália.


    Bancos pedem mais dinheiro ao BCE

    Contrariamente a Espanha e Portugal, os bancos irlandeses tiveram de aumentar os pedidos de financiamento ao BCE em Outubro. Os bancos do país aumentarem em 7,3% os empréstimos solicitados a Frankfurt, que atingem já os 130 mil milhões de euros. Já os bancos espanhóis diminuíram a dependência do BCE em 30% no mês passado para os 67,9 mil milhões de euros, enquanto os empréstimos do banco central a entidades portuguesas teve uma redução ligeira de 0,6% para os 40 mil milhões de euros. Dublin estima gastar mais 50 mil milhões de euros para salvar o seu sistema financeiro, o que fará disparar o défice para os 32%. No entanto, os analistas estão receosos que a situação se agrave, com o esperado aumento do crédito malparado.



    in DE
     
  9. The Crow

    The Crow Staff Moderador Temático Membro Gold

    Não perca os próximos desenvolvimentos...
     
  10. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Berlim pressiona Irlanda a pedir ajuda ao fundo europeu

    Alemanha

    Berlim pressiona Irlanda a pedir ajuda ao fundo europeu


    14/11/10

    A Alemanha quer que a Irlanda peça ajuda à União Europeia (UE) e ao FMI antes da reunião do Eurogrupo de 16 de Novembro.

    É que o Governo alemão pretende acalmar os mercados, que nas últimas semanas castigaram as dívidas dos países periféricos devido aos receios de um incumprimento irlandês, e, ao mesmo tempo, criar condições para ver aprovada a sua proposta de colocar os detentores de dívida pública a partilharem os custos de um eventual resgate financeiro a países do euro, no âmbito do mecanismo permanente de auxílio financeiro aos Estados-membros da região, cujo projecto deverá estar concluído até meados de Dezembro, explicou um responsável do Executivo germânico, citado pela Bloomberg.
    A proposta do Governo alemão, que esteve na agenda do último Conselho Europeu, no final de Outubro, não é consensual entre os líderes europeus. Merkel chegou mesmo a entrar em choque com o presidente do Banco Central Europeu. Jean-Claude Trichet criticou duramente a proposta alemã por considerar que pode afastar os investidores do mercado da dívida europeia, em especial dos países periféricos. E os factos dão-lhe razão. É que desde que foi conhecida a proposta germânica, apoiada também pela França, os juros da dívida pública a 10 anos da Irlanda e de Portugal iniciaram uma escalada acima dos 8% e 7%, respectivamente.
    "Um pedido de ajuda irlandês iria tirar pressão à discussão em torno do mecanismo [permanente de auxílio financeiro aos países da zona euro] ", afirmou Carsten Brzeski, economista sénior do ING. "Mas logo que isso esteja decidido iremos apenas ter uma nova especulação sobre o que poderá acontecer aos países que usem o fundo até 2013", acrescentou.
    Apesar da pressão de Berlim para que a Irlanda peça acesso ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), o ministro das Finanças irlandês, Brian Lenihan, garantiu hoje ao ‘Sunday Times' que irá resistir a qualquer esforço na reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) para que o Tigre Celta recorra a ajuda externa.
    UE e FMI prontos para socorrer a Irlanda
    O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, referiu na sexta-feira que "se a Irlanda precisar de ajuda, será ajudada", mas descartou que o país já tenha solicitado auxílio, numa retórica a fazer lembrar as semanas que antecederam o resgate grego.
    Na mesma linha, o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou ontem, no Japão, que a instituição não recebeu qualquer pedido de resgate, mostrando-se igualmente disponível para ajudar o Governo de Dublin caso este venha a solicitar apoio financeiro.
    A intensificação dos rumores sobre a necessidade de a Irlanda recorrer a ajuda externa surgiu na sexta-feira, depois de a Reuters ter noticiado, citando duas fontes, que "as conversações estão a decorrer e o dinheiro do FEEF será usado". Respondeu a Irlanda: "Especulações".
    Também a BBC garantiu este sábado que a Irlanda está em "conversações preliminares" com funcionários da UE para preparar uma eventual operação de resgate. As negociações foram, contudo, desmentidas à televisão britânica pelo porta-voz da embaixada da Irlanda em Londres. "Confirmei junto do Ministério das Finanças que não há conversações para solicitar uma ajuda de emergência com fundos da União Europeia", disse.


    in DE
     
SatLine 24