G20 tranquiliza mercados e faz baixar juros da dívida

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 12, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Risco

    G20 tranquiliza mercados e faz baixar juros da dívida


    12/11/10

    O preço de um seguro contra o eventual incumprimento de Portugal é o que mais cai no mundo. Indicadores de risco da Irlanda também aliviam.

    A percepção de risco da parte dos investidores em relação aos países periféricos está hoje em queda, depois de os países do G20 terem clarificado ontem que os detentores de obrigações de um Estado que seja alvo de ajuda internacional só terão de participar nos custos em caso de resgate posterior a 2013.

    É neste cenário que o juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cedia 27,6 pontos base (perto de 4 pontos percentuais) para 6,738%, após ter encerrado ontem nos 7,014%. Trata-se da linha de dívida pública portuguesa viva com maturidade a 10 anos mais negociada no mercado secundário.

    No mesmo sentido, a 'yield' genérica das OT a 10 anos cedia para 6,758%, após ter ficado ontem nos 7,035%. Já o diferencial entre a dívida soberana portuguesa e as 'bunds' alemãs com a mesma maturidade, que são a referência para o mercado, seguia nos 425 pontos. Ontem, chegou a superar os 500 pontos pela primeira vez, segundo dados da Reuters.

    Também o juro das OT a 10 anos irlandesas cedia hoje para 8,247%, depois de se ter fixado nos 8,891% no final do dia de ontem. A 'yield' da dívida pública espanhola acompanha as descidas, com um recuo até aos 4,55%.

    Os ministros das Finanças de cinco países europeus, incluindo a Alemanha e a França, divulgaram ontem em Seul uma declaração conjunta para tentar recuperar a confiança dos mercados, onde explicam que o novo mecanismo para resolver crises futuras, no qual os credores terão de assumir parte das perdas, só entrará em vigor depois de meados de 2013 e, portanto, "sem qualquer impacto nas disposições actuais".
    "Eles estão a reiterar o facto de que as novas regras não afectam os actuais credores mas isso praticamente não traz qualquer novidade", comentou um operador à Reuters.
    "Esta questão não vai desaparecer", notou, por seu turno, o estratega do ING James Knightley. "Não é de todo um momento de viragem e diria mesmo que se trata apenas de uma pausa momentânea que vai meramente aumentar as expectativas de que a Irlanda terá eventualmente de recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira", acrescentou Knightley.

    No painel da Bloomberg que monitoriza a evolução do preço dos 'credit-default swaps' de todo o mundo, que são uma espécie de seguro em caso de incumprimento de um Estado ou empresa, o valor dos CDS sobre obrigações portuguesas a cinco anos recuava 19,4 pontos até aos 463,61 pontos, a descida mais acentuada. Quer isto dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 463,6 mil euros.

    Já o preço dos CDS irlandeses com a mesma maturidade cedia 16,8 pontos até aos 580,37 mil euros, a segunda queda mais expressiva. Seguiam-se os CDS espanhóis (-11,4 pontos).



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