Governo prepara alternativas à privatização do BPN

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 5, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Governo prepara alternativas à privatização do BPN


    Tutela ainda acredita no sucesso da operação. Caso contrário, a opção alternativa passa por concretizar o interesse já expresso por duas entidades em comprar o BPN fora do quadro da privatização.

    O Governo está a promover contactos com entidades que admitem comprar o Banco Português de Negócios (BPN) fora do quadro do actual processo de privatização, sabe o Negócios.

    O objectivo destas diligências é ter uma alternativa para accionar no caso de a operação de venda em curso se revelar um fracasso. No entanto, a tutela ainda não perdeu a esperança de receber uma proposta de compra para o BPN até ao final do mês, altura em que termina o prazo alargado para apresentação de ofertas.

    Ao que o Negócios apurou, na sequência daqueles contactos já houve duas entidades - um banco brasileiro e uma instituição nacional - a admitirem comprar o BPN caso a privatização fracasse. Um cenário em que a necessidade de avançar rapidamente para uma alternativa valorizará a posição negocial destes potenciais candidatos.




    in JNeg
     
  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Pobres ricos

    Pobres ricos


    Leonel Moura


    O BPN é um poço sem fundo. Mas muito educativo. Agora descobriu-se um esquema de empréstimos que resultou numa fraude de milhões de euros.

    Os bancos que são fortes com os fracos, chegando a penhorar bens por quantias irrisórias, revelam com frequência uma enorme ligeireza quanto se trata de verbas muito avultadas. Já sem falar na aldrabice, claro.

    Mas esta nova peripécia, nascida na espuma gananciosa do BPN, é ainda mais elucidativa quando se toma conhecimento do destino dado ao dinheiro. Segundo a polícia, os envolvidos teriam gasto parte das verbas extorquidas em bens ditos de luxo, a saber, carros das marcas Porsche, Ferrari, Lamborghini, Aston Martin, McLaren Mercedes e, pelo menos, um iate.

    Para que quer esta gente tanto carro? Ou, ainda mais nebuloso, porque se dá tanta importância a um banal automóvel? Mesmo que seja um Ferrari.

    O problema é claramente cultural. Numa sociedade intelectualmente pobre, a riqueza mede-se em aparências e objetos, não em feitos singulares. A exibição de certas coisas torna-se na medida do sucesso. Só que essa medida é muito relativa.

    Não sei se a história é verídica, mas como dizem os italianos, se não é, é bem pensada. Um dia, ao jantar, o velho Rockefeller, para fazer conversa, terá perguntado aos filhos o que gostariam de ser quando crescessem. Um deles, todo afano, disse: eu quero ser presidente dos Estados Unidos. Ao que Rockefeller respondeu: ó filho, deixa isso para os nossos empregados.

    A medida da importância das coisas varia muito com a perspetiva. Os novos-ricos são na verdade pobres-ricos, invejados por alguns, é certo, mas desprezados pela maioria. Iludem-se com a elevação na escala social através da ostentação de banalidades. Mas se alguém imagina que ganha efetivo estatuto por andar ao volante de um carro, está muito iludido. Seja que carro for.

    Não resisto a contar aqui uma história pessoal. Um dia estava em Los Angeles em companhia de um homem rico português, um dos poucos que, na altura, tinha um Rolls Royce e muito orgulho nele. Jantávamos num restaurante da moda com vista para um pequeno aeroporto. Na pista estava um jato com uma enorme fita a envolvê-lo. Na mesa ao lado havia uma festa. Então, a dada altura um dos convivas e uma jovem mulher desceram à pista e ele puxou a fita. O jato era a prenda de anos. O meu amigo rico ficou devastado. Moral: há sempre um novo-rico ainda mais rico.

    Outro caso, também bastante elucidativo, diz respeito à descoberta recente em Portugal de dezenas de obras de arte falsas destinadas precisamente a serem vendidas a essa categoria dos novos-ricos. Há quem possa dizer que ter um Picasso sempre é melhor do que ter um Lamborghini, mas o princípio não é muito diferente. O objeto não é adquirido pelo seu valor intrínseco, mas pelo que ele promove junto dos outros. Daí que seja tão fácil vender uma obra de arte falsa. Basta uma assinatura bem imitada, o conteúdo é irrelevante.

    Este tipo de comportamento frívolo tem contudo uma consequência direta. Enquanto se consomem vastos recursos com carros, iates e falsificações, eles faltam nas atividades úteis e produtivas. Nesta época de crise, em que tanto se aponta o dedo à classe política, convém recordar que o atraso da sociedade portuguesa se deve sobretudo à mediocridade das nossas elites económicas. Num meio em que predomina o egoísmo, a mesquinhez e sobretudo a falta de visão e cultura, resta pouco para o reinvestimento, a modernização e a inovação. É assim que Portugal tem automóveis topo de gama a mais, e empresas inovadoras a menos.

    Não é pois só a lógica da despesa pública que tem de mudar radicalmente em Portugal. É preciso criar outros valores para a realização individual. Eles passam sobretudo por uma atitude de realização assente na diferenciação. Imitar e ostentar tem pouco interesse. Já criar algo de realmente inovador, acrescenta algo ao próprio, ao tempo e à sociedade em que nos inserimos. Isso sim é realmente enriquecedor. E, se no processo se ganhar muito dinheiro, parabéns.




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    reves gosta disto.
  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Deputados do PS pressionam Governo a esclarecer volume de dívidas incobráveis no BPN

    Deputados do PS pressionam Governo a esclarecer volume de dívidas incobráveis no BPN


    As dúvidas sobre a real situação do BPN constam de um requerimento dirigido ao ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, e que é assinado pelo vice-presidente da bancada do PS Afonso Candal e pelos deputados socialistas Marcos Sá e Jorge Seguro Sanches.


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    Deputados do PS querem que o Governo esclareça qual o volume de dívidas incobráveis detectadas em 2010 no Banco Português de Negócios (BPN) e quantas participações a actual administração fez ao Ministério Público e Banco de Portugal.

    Estas dúvidas sobre a real situação do BPN constam de um requerimento dirigido ao ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, e que é assinado pelo vice-presidente da bancada do PS Afonso Candal e pelos deputados socialistas Marcos Sá e Jorge Seguro Sanches.

    Os três deputados socialistas referem que a agência de notação financeira Moody’s concluiu que o BPN apresenta actualmente insuficiências de capital de dois mil milhões de euros e perdas acumuladas de 216 milhões de euros, alertando ainda para o facto de as assistências de liquidez da Caixa Geral de Depósitos ascenderem a 4,6 mil milhões de euros.

    Face a estas estimativas, os três deputados do PS perguntam a Teixeira dos Santos “qual o volume de dívidas incobráveis existente no BPN em 2010, qual o número de clientes com empréstimos superiores a cinco milhões de euros e que percentagem destes clientes se inclui na lista de incobráveis”.

    Marcos Sá, Afonso Candal e Jorge Seguro Sanches querem ainda saber “quantas participações foram feitas pela actual administração do BPN ao Ministério Público e ao Banco de Portugal no âmbito das averiguações sobre ilícitos praticados antes da nacionalização do banco e, igualmente, quantos peritos o Ministério das Finanças destacou para colaborarem com o Ministério Público e com o Banco de Portugal.




    in JNeg
     
  4. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    PS pressiona Governo a esclarecer incobráveis no BPN


    Deputados

    PS pressiona Governo a esclarecer incobráveis no BPN

    Económico com Lusa
    07/11/10

    Estas dúvidas sobre a real situação do BPN constam de um requerimento dirigido ao ministro Teixeira dos Santos.

    O requerimento é assinado pelo vice-presidente da bancada do PS Afonso Candal e pelos deputados socialistas Marcos Sá e Jorge Seguro Sanches.
    Os três deputados socialistas referem que a agência de notação financeira Moody's concluiu que o BPN apresenta actualmente insuficiências de capital de dois mil milhões de euros e perdas acumuladas de 216 milhões de euros, alertando ainda para o facto de as assistências de liquidez da Caixa Geral de Depósitos ascenderem a 4,6 mil milhões de euros.
    Face a estas estimativas, os três deputados do PS perguntam a Teixeira dos Santos "qual o volume de dívidas incobráveis existente no BPN em 2010, qual o número de clientes com empréstimos superiores a cinco milhões de euros e que percentagem destes clientes se inclui na lista de incobráveis".
    Marcos Sá, Afonso Candal e Jorge Seguro Sanches querem ainda saber quantas participações foram feitas pela actual administração do BPN ao Ministério Público e ao Banco de Portugal no âmbito das averiguações sobre ilícitos praticados antes da nacionalização do banco e, igualmente, quantos peritos o Ministério das Finanças destacou para colaborarem com o Ministério Público e com o Banco de Portugal.



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  5. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Venda directa do BPN abre caminho a comprador fora do sector bancário


    Banca

    Venda directa do BPN abre caminho a comprador fora do sector bancário


    08/11/10

    O concurso público deserto obriga a novas regras.

    Nem o adiamento do prazo salva o concurso público para a privatização do BPN. Até ao momento, segundo soube o Diário Económico, os interessados não se mostraram mais motivados a apresentarem propostas. Pelo que o Governo está já a apostar num novo modelo para privatizar o BPN: a venda por ajuste directo, com regras mais flexíveis e que pode vir a admitir a compra por parte de uma entidade não financeira.
    Esse modelo, que só poderá ser implementado depois de 30 de Novembro (altura em que caduca o prazo para a apresentação de propostas no âmbito do concurso público), também agrada mais aos potenciais interessados, revelou fonte ligada ao processo.
    "O concurso público tem regras muito rígidas que não permitem acomodar as exigências dos potenciais compradores, por isso uma solução de ajuste directo parece-nos mais eficaz", revelou fonte ligada ao processo. Por exemplo, o concurso público limita o leque de interessados a instituições financeiras, e exclui interessados fora do sector financeiro, que poderão ver aqui uma porta de entrada na actividade.
    Segundo as nossas fontes a venda directa do BPN irá também atrair mais candidatos, para além dos que já levantaram o caderno de encargos: Barclays Bank; Montepio Geral e BIC Angola. Para além de um banco português que também terá manifestado interesse num processo de venda directa, há ainda outra instituição não financeira que poderá olhar para o BPN. Na edição de sexta-feira, o Jornal de Negócios avançava ainda o interesse de uma instituição brasileira.



    in DE
     
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