"Guerra cambial" e regulação do pré-sal na agenda económica de Dilma Rousseff

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 1, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    "Guerra cambial" e regulação do pré-sal na agenda económica de Dilma Rousseff


    A actual "guerra cambial" e a nova regulação para exploração de grandes reservas de petróleo, no litoral brasileiro, são alguns dos pontos imediatos da agenda económica de Dilma Rousseff.

    A primeira participação internacional da Presidente eleita deverá ser na próxima reunião do G-20, na Coreia do Sul, quando o Governo brasileiro insistirá sobre a necessidade de uma intervenção global contra a "guerra cambial" em curso.

    O actual Presidente brasileiro, Lula da Silva, já havia anunciado o seu desejo de levar o seu sucessor ao encontro dos chefes de Estado e de Governo para a cimeira do G-20, que se realiza a 11 e 12 de Novembro em Seul.

    "Queremos que o G-20 diga publicamente que vamos actuar em conjunto. Isso mostrará ao mundo que uma solução conjunta pode ser mais efectiva que soluções individuais", afirmou recentemente o ministro da Economia do Brasil, Guido Mantega.

    A desvalorização do real em relação às principais moedas mundiais tem despertado a atenção do Governo brasileiro, principalmente por causa da perda de competitividade dos produtos do país no estrangeiro e do aumento das importações.

    Nos primeiros nove meses deste ano, o Brasil já acumulou um défice em transacções correntes de 35,06 mil milhões de dólares, quase três vezes maior do que o registado no mesmo período de 2009, resultado do aumento das importações.

    O défice nas transacções correntes do Brasil com o estrangeiro poderá ascender este ano a 49 mil milhões de dólares, resultado muito acima do recorde de 1998 (33,4 mil milhões de dólares), segundo as previsões oficiais.

    Na tentativa de conter a desvalorização do real, o Governo brasileiro triplicou, nas últimas semanas, o imposto sobre o capital especulativo estrangeiro investido no país.

    Atraídos pelas altas taxas de juros pagas pelo Brasil, esses capitais especulativos contribuem para a valorização do real, segundo o Governo, que deixou de fora da penalização investimentos estrangeiros ao sector produtivo da economia.

    Outro desafio imediato da agenda da futura presidente será o término da votação da nova regulação sobre a exploração dos grandes campos de petróleo, em grandes profundidades, abaixo da camada de sal.

    Desde a recente descoberta dessas grandes reservas, o Presidente Lula da Silva enviou ao Congresso brasileiro uma série de propostas para mudar a legislação no sector.

    A ideia do Governo é garantir a exploração dessas reservas à estatal Petrobras, estimulando a construção de infraestruturas para a refinação do petróleo no Brasil para evitar que o país se transforme em exportador de óleo bruto.

    Uma das propostas mais polémicas é a que modifica o critério de distribuição de royalties do petróleo entre os estados brasileiros, o que desencadeou uma disputa política entre os apoiantes do próprio Governo.

    Diante do impasse e da possibilidade de prejuízos eleitorais para Dilma Rousseff, o Presidente Lula da Silva orientou os seus aliados a suspenderem a análise das propostas para depois das presidenciais.




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