Há FMI para além do Orçamento

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 3, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Há FMI para além do Orçamento


    03/11/10 | Bruno Proença




    Enquanto ontem no Parlamento decorria mais um episódio da política à portuguesa à volta do Orçamento do Estado para 2011, a credibilidade da República portuguesa continuava a afundar-se nos mercados internacionais.

    Para os mais distraídos, fica aqui o sinal de alarme: vai ser preciso muito mais do que um acordo entre o PSD e o Governo para salvar o país do FMI. Arrisco dizer que este acordo, embora benéfico, só vai adiar uma realidade cada vez mais certa. Está escrito nas estrelas que Portugal vai ter de recorrer à ajuda estrangeira - do FMI, da União Europeia ou outra - no próximo ano para evitar a bancarrota.
    O acordo conseguido entre Eduardo Catroga e Teixeira dos Santos é útil. Desde logo porque retira impacto à subida dos impostos sobre as famílias e obriga a cortes adicionais na despesa do Estado, garantido o mesmo nível de redução do défice. Mas também porque adia o que parece cada vez mais inevitável: a penalização dos investidores ao ponto de fechar as linhas de financiamento à economia. No entanto, não é uma vacina contra a falência do país. Mesmo depois do acordo entre PSD e o Executivo, os mercados internacionais continuam a castigar Portugal. O risco associado à dívida da República subiu na segunda e ontem manteve a tendência, fixando-se acima dos 6,2%. Portanto, está a caminho da barreira psicológica dos 7%. A partir daqui, o melhor, na opinião do ministro das Finanças, é mandar vir o FMI.
    Apesar da troca dura de palavras ontem no debate parlamentar, o clima político está mais relaxado depois de garantida a viabilização do Orçamento do Estado. Mas os mercados internacionais têm uma vida própria que vai muito além da agenda nacional. Por muito absurdo que pareça, Portugal até pode cumprir o Orçamento escrupulosamente, como um bom aluno, reduzir o défice e, ainda assim, ser chumbado pelos mercados. É injusto mas é a vida.
    Os investidores internacionais estão mais preocupados com o mecanismo europeu de ajuda aos países em dificuldades, que está em discussão, e com os problemas na Irlanda. Portugal paga por tabela, mas paga. O ‘tsunami' do incumprimento irlandês, que parece inevitável, não poupará a economia nacional. O efeito dominó atingirá Portugal e a intervenção do FMI terá de abranger os dois países. Se acontecer, não vale a pena culpar os mercados. Ao invés, o melhor é castigar os políticos culpados pelas opções erradas e avançar para a resolução dos problemas, o que não vai ser pacífico nem fácil.




    in DE
     
LMPC