ING avisa que "Portugal pode ser o próximo elo mais fraco"

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 5, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Análise

    ING avisa que "Portugal pode ser o próximo elo mais fraco"

    05/11/10

    O ING Group diz que Portugal está a ser afectado pelo nervosismo dos mercados em relação à Grécia e à Irlanda.

    "A nossa anterior expectativa de alguma tranquilidade nos ‘spreads' da zona euro no final do ano foi completamente destruída nos últimos 14 dias", diz o ING Group numa nota de análise que o Económico teve acesso.

    A casa de investimento adianta que "os planos de austeridade tanto da Irlanda como de Portugal pouco fizeram para tranquilizar os investidores" e que a questão central é perceber se as medidas de consolidação nos dois países e a redução do défice na Grécia podem ser suficientes para tranquilizar os investidores nos próximos meses.

    Continua o ING nessa mesma nota que a "Irlanda terá a ambição de regressar aos mercados de dívida no início de 2011 e que a Grécia adoraria voltar a emitir dívida em 2012". Ora "Portugal é apanhado no meio, com os receios em torno da Grécia e da Irlanda a arrastá-lo como sendo o próximo elo mais fraco", considera o ING.

    Contudo, e para 2011, o banco aponta três países que têm pressões específicas quanto ao défice: Irlanda, Espanha e França. O ING concretiza que "o défice irlandês em torno dos 10% para 2011 permanece problemático" e que o ‘buraco' das contas públicas espanholas, em torno dos 7% no próximo ano, "deixa o país exposto ao escrutínio dos mercados como o elo mais fraco depois de Portugal".

    Já o défice francês em torno dos 7% em 2011 coloca riscos para o país nomeadamente quanto à sua avaliação do ‘rating, "visto que situamos a França como o país mais fraco entre os que têm um ‘rating' de ‘AAA'" e, apesar de não perspectivarem uma revisão em baixa da notação, o ING admite que algumas agências coloquem Sarkozy com ‘outlook' negativo.

    Nota ainda o ING que a psicologia dos mercados neste momento está a incorporar todos os cenários de risco como fulcrais, numa altura em que "os investidores continuam a negociar neste mercado com uma postura muito nervosa".


    Governo português culpa "especulação"

    Esta semana, o Governo português, por várias vezes e a várias vozes, repetiu e sublinhou que a escalada dos juros da dívida pública portuguesa nos últimos dias se deve a questões relacionadas com os países da zona euro e não especificamente com Portugal.

    Também hoje o presidente do BPI disse que a escalada dos juros reflecte a preocupação dos mercados face a vários países europeus, contagiando Portugal.

    Depois de terem atingido ontem novos máximos, as ‘yields' genéricas da dívida pública portuguesa, com maturidade a 10 anos, recuavam para 6,496%, depois de terem atingido os 6,655% ontem, o valor mais elevado desde 1997, segundo dados da Bloomberg.

    No mesmo sentido, o juro das OT a 10 anos portuguesas, com maturidade em 2020, também recuava até aos 6,476%, após ter chegado ontem aos 6,626%, um máximo histórico. Esta é a linha de dívida pública portuguesa viva com maturidade a 10 anos mais negociada no mercado secundário.



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