Islândia desafia FMI e apresenta maior plano de redução de dívida do mundo

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 4, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Islândia desafia FMI e apresenta maior plano de redução de dívida do mundo


    Para a primeira-ministra Joahanna Sigurdardottir chegou a hora do tudo ou nada. Para salvar 40% das famílias de uma possível bancarrota, a responsável apresenta na próxima semana um dos mais ambiciosos planos de redução de dívida.


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    Se for bem sucedida, o país poderá vir a ser um exemplo para outras nações que enfrentam problemas semelhantes. Caso falhe, o plano de Joahanna poderá aumentar ainda mais os graves problemas do país e provocar o colapso do seu governo.

    A situação do país é cada vez mais tensa – tendo já provocado numerosas manifestações por parte das famílias que não conseguem pagar as suas hipotecas. A verdade, é que actualmente 39% das famílias têm casas que valem menos do que as suas hipotecas.

    Para tentar resolver esta situação, a primeira-ministra propôs às instituições de crédito que perdoassem dois mil milhões de dólares (cerca de 15% do produto interno bruto do país) em dívidas hipotecárias. A proposta foi rejeitada pelos fundos de pensões.

    Derrotada mas não vencida, Joahanna Sigurdardottir, de 68 anos, apresenta agora, à margem do Fundo Monetário Internacional e dos credores bancários, um dos planos de redução de dívida mais ambiciosos do mundo: prolongar a moratória da execução de hipotecas – apesar do governo ter acordado com o FMI em acabar com "as medidas temporárias pós crise"; permitir que as famílias que entrem em bancarrota fiquem livres da dívida no prazo de dois anos e banir as práticas bancárias que permitem aos bancos indexar os empréstimos estrangeiros à taxa de câmbio.

    Este tipo de empréstimo foi, precisamente, o que esteve na base do colapso do país. Antes de 2008, os bancos privados e as famílias contraíram inúmeros empréstimos junto de credores estrangeiros. Estes empréstimos, indexados ao franco suíço ou ao euro, tinham taxas muito mais baixas do que os estavam disponíveis em coroas islandesas.

    Tudo correu bem, enquanto a moeda local foi forte. Quando a crise financeira rebentou e o crédito "secou", a coroa islandesa caiu e os custos da dívida destes empréstimos dispararam. O país entrou em colapso, o que forçou a entrada do FMI, em troca de duras medidas de austeridade. Joahanna Sigurdardottir chegou ao poder no início de 2009.

    Quase dois anos passados, a primeira-ministra arrisca o seu cargo com este novo plano de redução de dívida. Num email, Joahanna Sigurdardottir escreveu "que assumiu a função de ressuscitar a Islândia das ruínas do colapso. A actual situação exige um novo 'modus operandi'".

    Segundo Birgir Gudmundsson, professor de ciência política da Universidade de Akureyri, situada no norte da Islândia, o governo de Joahanna Sigurdardottir não irá resistir se este plano falhar.

    Joahanna Sigurdardottir está na política activa há mais de 32 anos e sempre foi vista como uma pessoa preocupada com as questões sociais e "que olhou pelos problemas das pessoas". Muitas consideram-na a "santa Joahanna", refere Birgir Gudmundsson. No entanto, acrescenta o professor, "chegou a hora de combinar compaixão com duras políticas de austeridade".




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