Juros cobrados a Portugal avançam para 6,26%

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 3, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Dívida

    Juros cobrados a Portugal avançam para 6,26%

    03/11/10

    O juro e o 'spread' de Portugal voltam hoje a subir, num dia em que o Orçamento é votado e o Estado vende dívida.

    O juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos sobe hoje para os 6,262%, o valor mais alto desde que foi conhecida a proposta de Orçamento do Governo. O recorde foi atingido a 28 de Setembro, altura em que as ‘yields' superaram os 6,5%. Há seis sessões que o juro cobrado a Portugal não pára de subir, mesmo depois de ter sido anunciado um acordo entre o Governo e o PSD para viabilizar o Orçamento.
    "A dívida pública nacional já vinha a incorporar que o Orçamento passasse, apesar do ruído político. Se não fosse esse cenário base dos mercados, as 'yields' estariam muito acima dos níveis a que negociaram na semana passada", explicou Pedro Mello e Castro, administrador do Banif Gestão de Activos.
    No mesmo sentido, o diferencial entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos e as ‘bunds' alemãs com a mesma maturidade, indicador conhecido por ‘spread', avança para 381,6 pontos base.
    Já o preço dos ‘credit default swaps' - espécie de seguro contra o incumprimento - das obrigações do Tesouro a 5 anos portuguesas mantém-se praticamente estável nos 401,78 pontos base. Na prática, isto significa que por cada 10 milhões de euros aplicados em divida pública portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 401,78 mil euros.

    Risco da Irlanda em máximos históricos

    A subida da percepção de risco não afecta apenas Portugal. É que o juro da dívida irlandesa da mesma maturidade agrava-se para 7,382%, um novo recorde. Também o 'spread' da divida da Irlanda sobe para 508 pontos base, um máximo de sempre.
    Os países periféricos continuam sob pressão, devido à proposta da chanceler, Angela Merkel, de criar um mecanismo permanente de ajuda a países em dificuldade, que foi vista pelo mercado como um receio de reestruturações de dívida da zona euro.
    Filipe Garcia, economista da Informação de Mercados Financeiros, nota que "há um contágio", já que "à medida que a situação se vai complicando na Irlanda, o mercado parece ter receio que o grau de protecção do Eurogrupo aos países periféricos se altere ou que surja a necessidade de uma reestruturação da dívida irlandesa que venha a obrigar a fazer o mesmo em Portugal".
    O agravamento dos indicadores de risco da dívida de Portugal surge num dia em que o IGCP realiza dois leilões de Bilhetes do Tesouro, com maturidade a três e a 12 meses. O montante indicativo é de 500 milhões de euros em cada uma das linhas.



    in DE
     
  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Juros disparam em emissão de dívida portuguesa de curto prazo


    BT

    Juros disparam em emissão de dívida portuguesa de curto prazo


    03/11/10

    Portugal colocou hoje no mercado 1.031 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro com maturidade a três e a 12 meses.

    Os juros subiram em ambas as maturidades. No prazo a três meses, em que foram emitidos 500 milhões de euros, a taxa média ponderada atingiu os 1,818% face aos 1,595% registados na emissão anterior com as mesmas características.

    A subida dos juros foi ainda mais expressiva nos BT a 12 meses, onde Portugal pagou uma taxa média de 3,260%, valor que compara com os 2,886% registados na última operação do mesmo calibre. Aqui foram emitidos 531 milhões, mais do que o montante indicativo, que era de 500 milhões.
    Os peritos atribuem esta subida de juros à instabilidade em torno do Orçamento. "Acabámos por ser ligeiramente penalizados pela instabilidade que se criou em torno do Orçamento, que deverá ser dissipada quando as coisas acalmarem", disse Filipe Silva, do Banco Carregosa, á Reuters, sublinhando contudo que "a emissão foi um sucesso" e que o bid-to-cover ratio foi "muito bom".

    Segundo dados do IGCP, o órgão responsável pela gestão da dívida pública, a procura mais do que duplicou a oferta nas duas maturidades.

    A emissão acontece no dia em que o Parlamento aprovará, na generalidade, a proposta orçamental do Governo que prevê a descida do défice para 4,6% do PIB em 2011. A operação acontece também numa altura em que os mercados dão novos sinais de nervosismo para com Portugal, estando a ‘yield' das obrigações do Tesouro a 10 anos a cotar bem acima da barreira dos 6%.



    in DE
     
  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Os juros sobem? Mas nós não o merecemos?

    Os juros sobem? Mas nós não o merecemos?

    Camilo Lourenço


    Depois do acordo entre PS e PSD, e depois da promessa de Francisco Assis.


    Depois do acordo entre PS e PSD, e depois da promessa de Francisco Assis de que o Governo iria à despesa compensar os 500 milhões de euros resultantes das cedências nas deduções fiscais, meio mundo esperava uma queda das taxas de juro da dívida pública. Aconteceu o oposto. Explicações para este fenómeno há-as para todos os gostos. Desde a adopção de regras duríssimas para a institucionalização do mecanismo de ajuda a países com problemas nas Finanças Públicas até à tensão política entre PS e PSD.

    É verdade que a proposta da Alemanha, de penalizar os investidores com aplicações na dívida dos países em "default", assustou os mercados. Que passaram a exigir juros mais elevados. Só que o problema principal não está aí, está na credibilidade que não temos. E o pior é que as nossas atitudes vão dando razão a quem duvida de nós. Como se viu ainda ontem: questionado sobre como vai o Governo compensar os 500 milhões de redução de receita, José Sócrates disse que parte viria do corte de despesa... e o resto de novas receitas (v.g. concessões). Contrariando o que dissera Assis: que a compensação seria feita com cortes na despesa. Mas Sócrates fez mais: deixou a entender que o projecto do TGV se mantém.

    Alguém de bom senso, que tenha dinheiro para emprestar, confia neste ziguezague constante? Ou perguntar-se-á: "Se estes tipos dizem uma coisa hoje e outra amanhã, ainda para mais quando estão de joelhos perante os mercados, qual é a garantia de que vão cumprir o que prometem para 2011?". Definitivamente não estamos a perceber o buraco em que estamos metidos.




    in JNeg
     
  4. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Mercado ignora aprovação do OE e mantém juro acima de 6%


    Risco

    Mercado ignora aprovação do OE e mantém juro acima de 6%


    03/11/10

    A percepção de risco da parte dos investidores em relação a Portugal não dá sinais de alívio depois de aprovado o Orçamento para 2011.

    Sinal disso é que o juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos mantinha-se muito próximo dos 6,3%, nos 6,28%, máximos de um mês, face aos 6,236% registados no fecho da sessão de ontem.
    No mesmo sentido o prémio que os investidores estão a exigir para comprar OT a 10 anos portuguesas em vez das 'bund' alemãs com a mesma maturidade, que são a referência para o mercado, indicador conhecido por 'spread', subia 10 pontos base até aos 386,5 pontos, o valor mais elevado desde a véspera da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2011.
    Um outro indicador de risco, medido através do preço dos 'credit-default swaps' (CDS) sobre obrigações do Tesouro a cinco anos subia mais de 14 pontos até aos 416,8 pontos, a segunda subida mais expressiva em todo o mundo. Quer isto dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública portuguesa os investidores têm de pagar um seguro anual de 416,8 mil euros.
    À saída do debate parlamentar sobre a proposta de Orçamento, o primeiro-ministro disse que "o País tem o Orçamento que precisa de ter", cujo objectivo é "defender a economia, o emprego e o financiamento externo de Portugal".
    José Sócrates notou ainda que agora "o objectivo é chegar ao final de 2011 com um dos menores défices na Europa".
    Grécia e Irlanda acompanham escalada dos indicadores de risco
    Os indicadores de risco da Grécia e da Irlanda, outros países que têm estado na mira dos mercados, também se agravam no dia de hoje. O 'spread' das OT a 10 anos gregas subia oito pontos até aos 840 pontos e o juro negociava nos 10,82%. No mesmo sentido, o 'spread' das OT a 10 anos irlandesas mantinha-se em alta até aos 504 pontos, com a 'yield' a cotar nos 7,45%, máximos históricos.



    in DE
     
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