Juros da dívida descem mais de 20 pontos com clarificação sobre futuros resgates

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 12, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    6,812% a 10 anos

    Juros da dívida descem mais de 20 pontos com clarificação sobre futuros resgates


    Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos estão a afundar 22 pontos base, para a casa dos 6,8%, graças a uma clarificação acerca do quadro futuro ao nível da regulação dos mercados de crédito. Crescimento do PIB também ajuda.


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    A dívida portuguesa com maturidade a 10 anos vê os juros caírem 22 pontos base para 6,812%, depois de nos últimos dias ter ultrapassado a fasquia dos 7% num movimento em que fixou novos máximos sucessivamente. Esta é a maior queda diária desde 15 de Outubro, dia em que o Governo apresentou os primeiros dados da proposta de Orçamento do Estado.

    A descida dos juros da dívida pública portuguesa acompanha a tendência nos juros da dívida soberana das economias periféricas da Zona Euro. A “yield” que os investidores exigem para deter dívida irlandesa a 10 anos afunda 60 pontos base para 8,308%. Com este movimento, o “spread” face à dívida alemã, cujos juros estão hoje em agravamento, está a reduzir-se para 433 pontos base, depois de ultrapassar os 470 pontos nos últimos dias.

    Juros da dívida de mais curto prazo com a maior queda desde Maio

    As taxas de juro das obrigações de mais curto prazo estão a registar quedas mais acentuadas, observando mesmo as maiores descidas desde 11 de Maio, depois da União Europeia ter anunciado a intenção de criar um fundo de resgate até 750 mil milhões de euros, juntamente com o FMI, para garantir que nenhum país do euro não honrará a tempo e horas os seus credores e continuará a ter liquidez mesmo que os mercados financeiros “sequem”.

    Um dia antes o Banco Central Europeu começou a comprar aos bancos dívida pública dos países cujos mercados estavam “disfuncionais”, numa referência provável a Portugal, Grécia e Espanha.
    A taxa de juro das obrigações a dois anos cede 64,3 pontos base para 4,207% e a "yield" da dívida a cinco anos recua 38,8 pontos base para 5,771%.

    A contribuir para o alívio das tensões está uma clarificação de que um futuro mecanismo de estabilização do euro, que poderá requerer que os investidores participem nos custos de um resgate a uma economia, não será aplicado à dívida que já se encontra no mercado. Estas declarações “são claramente destinadas a acalmar os mercados da periferia da Zona Euro”, diz o BNP Paribas citado pela agência noticiosa Dow Jones. O Royal Bank of Scotland acresenta que ainda assim, “as preocupações acerca do formato final do mecanismo vão permanecer”.

    Crescimento da economia traz alívio

    A contribuir para o alívio dos juros de Portugal está também a notícia de que a economia portuguesa cresceu 0,4% no terceiro trimestre, superando as expectativas da maioria dos analistas.

    No segundo trimestre, o PIB tinha registado um aumento de 0,2%, um valor que foi revisto em baixa (os últimos dados indicavam um aumento do PIB de 0,3% no segundo trimestre). Estes dados, presentes nas Contas Nacionais Trimestrais do INE, traduzem o “contributo positivo da procura externa líquida”, tendência que se nota no “aumento expressivo das exportações de bens e serviços”.



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