Mercado Cambial - Notíçias de 02/11/2010

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 2, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Análise BPI

    Dólar fraco desafia a competitividade externa dos países da América Latina


    02/11/10

    Os países da América Latina têm apresentado ao longo de 2010 cenários de forte crescimento económico, em particular os países que nos últimos anos tinham abraçado o compromisso com política seconómicas mais estabilizadoras.

    Muitas delas beneficiam da recuperação do mercado internacional de commodities, como é o caso do México ou da Argentina, e outras também conseguiram estabelecer uma forte dinâmica interna, como é o caso do Brasil. Este processo de expansão económica tem sido liderado pelo Brasil, como uma perspectiva de crescimento em 2010 acima de 7%, seguido por outros como a Argentina, o México, Chile e Peru. O cenário positivo em termos de crescimento tem ditado que nestes países (à excepção da Argentina), os bancos centrais tenham decidido no último semestre retirar as medidas de incentivo introduzidas aquando da crise, e progressivamente tenham vindo a adoptar medidas mais restritivas, que passam por ciclos de subida de taxas de juro (caso do Brasil e do Chile), reconfirmando o compromisso com o controlo das pressões inflacionistas.
    Este cenário de crescimento económico robusto contrasta com os sinais de hesitação que surgem na economia internacional, em particular nos EUA. O esforço para promover a actividade económica norte-americana e impedir um cenário de deflação, leva à manutenção de uma política monetária ultra-expansionista, que diverge do cenário de taxas de juro mais elevadas noutras economias, nomeadamente as economias emergentes da América Latina. Esta divergência de cenários, aliada aos cenários de fortes perspectivas de crescimento oferecidas por algumas economias, como é o caso do Brasil, tem contribuído para a intensificação de fluxos de capitais para estes mercados, colocando pressões sobre as moedas locais. As moedas latino-americanas têm vindo a sofrer uma forte pressão, com valorizações nominais na ordem dos 5% desde o início de 2010 até meados de Outubro.
    Por exemplo, no caso do Brasil, a forte apreciação do real ao longo de 2010 levou a um ganho de 6% em termos nominais. As notícias que vêm dos EUA deixam antever que esta tendência tenderá a agravar-se, com a manutenção de taxas de juro baixas e a atribuição de medidas adicionais de estímulo à economia. Se por um lado a valorização nominal verificada até ao momento é, até certo ponto um factor de alívio, numa perspectiva de
    contenção de pressões inflacionistas que pairam no Brasil e noutras economias na região, por outro lado, a forte valorização da moeda coloca desafios a vários níveis, nomeadamente em termos da competitividade do sector exportador. As autoridades brasileiras já deram sinais de que este movimento não será tolerado: decidiram o aumento do programa de intervenção no mercado cambial; e o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2% para 4%, para operações de investimentos de capitais estrangeiros em activos a taxa fixa.
    Existe um outro conjunto de medidas que as autoridades brasileiras poderão considerar, com o objectivo de gerir o elevado montante de divisas e impedir sobrevalorizações dos activos brasileiros, tentar impedir que a competitividade do sector exportador seja significativamente afectada, bem como assegurar a sustentabilidade das contas externas e do sistema financeiro. Neste cenário, o BRL, que actualmente cota em 1.7052 face ao dólar, manterá a pressão de valorização, embora esse movimento possa ser menos acentuado do que no passado recente.
    Entretanto, na última reunião, o Banco Central do Brasil (Bacen) manteve a taxa directora inalterada em 10.75%, uma medida que foi interpretada como um sinal de que as autoridades brasileiras estão confiantes de que a inflação está controlada. Porém, persistem factores de risco que devem ser observados, pelo que o Copom deu sinais de que poderá retomar um movimento de subida da taxa Selic se eles se tornarem uma ameaça ao objectivo de estabilidade de preços. Para já, um conjunto de factores permite acreditar que a taxa de juro actual é compatível com o objectivo de estabilidade de preços: em 2011 e 2012 o governo irá prosseguir com uma política fiscal mais restritiva (objectivo de superávite primário de 3.3% do PIB); o Bacen acredita que o contexto internacional será favorável à evolução da inflação doméstica; o Bacen defende que a taxa de juro neutral é agora mais baixa, considerando os progressos estruturais da última década, e que os mecanismos de transmissão são mais eficazes.




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  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Dólar pode cair 20% com estímulos da Fed


    Pimco

    Dólar pode cair 20% com estímulos da Fed


    02/11/10

    Bill Gross, director da Pimco, avisa que a divisa norte-americana pode depreciar a pique nos próximos anos devidos aos estímulos da Fed.

    Em entrevista à Reuters, o gestor de fundos explicou que "quando um banco central imprime milhões de dólares, provoca uma degradação da moeda em termos absolutos", sublinhou. Por isso "eu acredito que uma redução de 20% no valor do dólar é possível e este ritmo de depreciação é um factor importante para os investidores", argumentou, referindo-se a um horizonte de vários anos.

    Neste sentido, o responsável da Pimco, uma das maiores gestores de fundos mundiais, aconselha os investidores a abandonar os activos em dólares e procurar retornos mais promissores nos mercados emergentes.

    A declaração de Bill Gross aparece no dia em que se inicia uma reunião da Reserva Federal, onde se espera que saíam novos estímulos à economia, nomeadamente a compra de dívida.

    O dólar está hoje a perder terreno para o euro. A divisa europeia avançava 0,66% para 1,3984 dólares, depois de já ter estado nos 1,4012 dólares.



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