Mercado Cambial - Notíçias de 14/11/2010

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 14, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Cambial

    Analistas colocam euro nos 1,33 dólares em 2011


    14/11/10

    A moeda única da zona euro interrompeu o ciclo de ganhos, tendo tocado um mínimo de final de Setembro, abaixo dos 1,36 dólares.

    A semana passada foi marcada pela perda de fôlego do euro face ao seu principal oponente no mercado cambial: o dólar. Nas últimas cinco sessões, a moeda única da zona euro recuou 2,4% contra a "nota verde", para os 1,3689 dólares. Trata-se do pior registo semanal desde meados de Agosto.
    O euro foi fortemente pressionado por novos desenvolvimentos sobre a crise da dívida que afecta as economias europeias periféricas: sobretudo as dificuldades de financiamento que a economia irlandesa e portuguesa têm demonstrado. Os juros da dívida irlandesa superaram os 9%, enquanto em Portugal a temida barreira dos 7% foi suplantada.
    Na sexta-feira, a moeda do Velho continente chegou mesmo a transaccionar abaixo dos 1,36 dólares (1,3575 dólares), um mínimo desde 30 de Setembro.
    Contudo, segundo uma ‘poll' a analistas do mercado cambial realizada recentemente pela Reuters, o próximo ano será de perdas para a moeda única. Com base na opinião de 60 estrategas cambiais, daqui a 12 meses o Euro poderá estar a cotar nos 1,33 dólares.
    Alguns dos analistas defendem que o impacto das medidas de austeridade a implementar no próximo ano em vários países europeus será de tal ordem que o efeito das medidas de ‘quantitative easing' nos Estados Unidos não deverá trazer qualquer benefício para o euro no próximo ano.
    Recorde-se que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos anunciou que vai comprar 600 mil milhões de títulos do Tesouro injectando assim liquidez no mercado, o que poderá pressionar o dólar.
    "Na zona euro, as medidas de austeridade irão provavelmente abrandar o crescimento nos próximos seis meses, fazendo com que os dados que forem saindo surpreendam pela negativa", referiu Petter Lundvik, um dos estrategas consultados pela Reuters.



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  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Martin Wolf

    O Fed tem razão em abrir a torneira


    14/11/10

    A Reserva Federal dos EUA está a despejar dólares em tais quantidades que deixarão em breve de ter qualquer valor.

    Nada podia estar mais longe da verdade, pois, à semelhança do Japão, é provável que a política conhecida por "alívio quantitativo" venha a mostrar-se muito mais ineficaz do que fatal. É uma mangueira a pingar, não um dilúvio monetário.
    Então, o que está o Fed a fazer e porquê? Porque são as críticas ridículas? Em alternativa, o que devia estar o Fed a fazer?
    A resposta à primeira questão é clara. Tal como o Fed declarou a 3 de Novembro, "para promover um ritmo mais forte de recuperação económica e ajudar a garantir que a inflação se mantém, ao longo do tempo, em níveis compatíveis com o seu mandato, o Comité [Federal de Mercado Aberto] decidiu hoje aumentar as suas participações de títulos. Além disso, o Comité planeia comprar mais 600 mil milhões de dólares de títulos do Tesouro de mais longo prazo no final do segundo trimestre de 2011, a um ritmo de cerca de 75 mil milhões de dólares mensais".
    Ben Bernanke, o presidente do Fed, expôs este raciocínio num discurso proferido no mês passado e onde salientou que o desemprego nos EUA está muito acima de qualquer estimativa razoável de equilíbrio. Além do mais, as perspectivas de crescimento económico tornam pouco provável que a situação se altere durante o ano de 2011. Este é um cenário já por si suficientemente mau, mas que se agrava com a queda da inflação subjacente para valores próximos de 1%, apesar da expansão da folha de balanço do Fed, sobre a qual tantas lágrimas foram derramadas. As expectativas de inflação estão bem ancoradas, acrescentou, mas a situação poderá alterar-se assim que a deflação apertar, algo que, dado o cenário de estagnação, poderá estar próximo.
    O Fed, acrescentou o presidente, tem um duplo mandato para promover níveis máximos de emprego e a estabilidade dos preços. Não fazer nada seria incompatível com essa obrigação e a única questão é o que pode ser feito. A resposta passa pela proposta de compra de obrigações do Tesouro, o que se limitará a fazer subir as operações clássicas do mercado aberto na curva de rendimentos, expandindo também a folha de balanços do Fed em cerca de um quarto, ou aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto. Estarão os Estados Unidos a seguir o mesmo caminho da República de Weimar? A resposta é, muito simplesmente, não.
    Não causa grande surpresa que Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão, tenha uma opinião diferente. Ele descreve o modelo de crescimento norte-americano como estando numa "crise profunda", acrescentando que "não está certo quando os americanos acusam a China de manipular as taxas de câmbio e depois forçam a queda da taxa de câmbio do dólar abrindo as comportas". Ele muito provavelmente acredita que, num mundo correcto, os EUA seriam antes obrigados a seguir o rumo deflacionário imposto à Grécia e à Irlanda. Mas isso não deve e não vai acontecer.
    Dissecadas, as críticas ao Fed resumem-se a duas: as suas políticas estão a conduzir a uma hiperinflação e são políticas cujos benefícios se conseguem à custa de terceiros, talvez não intencionalmente, mas decerto com consequências.
    A primeira destas críticas não só está errada como é estranha. A essência do sistema monetário actual é a criação de dinheiro, a partir do nada, através do empréstimo, por vezes insensato, feito por bancos privados. Porque é que essa privatização de uma função pública é considerada correcta e adequada, mas a acção por parte do banco central, para atender a uma necessidade pública premente, é vista como um caminho para o desastre? Quando os bancos não emprestam dinheiro e a moeda em circulação regista um crescimento quase nulo, é precisamente isso o que deve ser feito.
    Os histéricos acrescentam depois que é impossível encolher a folha de balanço do Fed com a rapidez suficiente para evitar uma expansão monetária excessiva, o que também é um absurdo, pois se a economia descolasse, isso seria o mais fácil. Na realidade, o Fed explicou precisamente o que faria no relatório monetário que apresentou ao Congresso em Julho passado. A concretizar-se o pior dos cenários, o Fed poderia simplesmente aumentar as exigências de reservas, e já que muitos dos seus críticos acreditam num sistema bancário de reservas a 100%, porque haveriam de se opor a medidas nesse sentido?
    Vejamos agora o argumento de que o Fed está deliberadamente a enfraquecer o dólar. Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que o mandato do Fed não inclui o valor externo do dólar. Os governos que acumularam mais 6,8 triliões de dólares de reservas cambiais desde Janeiro de 2000, muitas das quais em dólares, são "maiores e vacinados", e não só ninguém pediu à China, o maior exemplo, para adicionar a enorme quantia de 2.400 mil milhões de dólares às suas reservas, como foram muitos os que lhe pediram com veemência que não o fizesse.
    É também falso o argumento de que o enfraquecimento do dólar se deve apenas às políticas do Fed. De facto, alguém com um mínimo de inteligência deveria perceber que os EUA já não conseguem combinar um grande défice da balança comercial com uma posição orçamental controlável. Aqueles que desejam que as suas obrigações dos EUA continuem saudáveis deviam acolher favoravelmente tudo quanto ajude os Estados Unidos a expandirem a sua procura interna e a reequilibrarem a sua posição externa. As actuais políticas monetárias norte-americanas são, ao contrário do que pensa Wolfgang Schäuble, apenas o ‘yang' do ‘yin' do mercantilismo do Leste asiático.
    Mais fundamentalmente, são as forças do mercado, e não a política monetária, que estão a impulsionar o reequilíbrio global, à medida que o sector privado tenta colocar o seu dinheiro onde vislumbra oportunidades, limitando-se as políticas do Fed a dar uma contribuição. Em vez de todas estas queixas fúteis, o que era necessário era uma apreciação coordenada das moedas das economias emergentes. A culpa aqui não é dos EUA e eu sou muito compreensivo com um Brasil ou uma África do Sul, mas não com a China.
    O céu não está a desabar, mas isso não significa que as políticas do Fed sejam as melhores possíveis. É provável que qualquer impacto sobre os rendimentos dos títulos de médio prazo venha a produzir escassos efeitos económicos e seria muito melhor se o Fed conseguisse inverter as expectativas de inflação, fazendo-as subir, assumindo o compromisso de compensar um período prolongado de inflação abaixo da meta com outro de inflação acima da meta. A decisão de monetizar gastos governamentais adicionais poderia ser uma ferramenta ainda mais eficaz, sendo igualmente necessário um plano para acelerar a reestruturação do excedente de endividamento. Mas, na ausência de cooperação com o Congresso recém-eleito, o que o Fed está a fazer é, infelizmente, o máximo que poderemos esperar por agora, embora devesse ter tido a ousadia de ir mais longe.
    Entretanto, as pessoas "sãs" vão gritar que o céu está a desabar, para perceberem depois com surpresa que não está. Já assistimos a este espectáculo antes, no Japão, durante os anos 90. E, pelo contrário, o Japão caiu numa deflação crónica.
    É certo que pode ser razoável apelar a uma reconsideração do sistema monetário global, como fez Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial. Mas ouro? Alguém espera que os políticos considerem mais importante acalmar o mercado de ‘commmodities' mais especulativo do mundo do que preocupar-se com uma depressão? Àqueles que querem matar, os deuses primeiro enlouquecem-nos*.




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