Mitos e lendas nas acções

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 5, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Mitos e lendas nas acções



    João Cândido da Silva


    Nos mercados de acções não faltam máximas destinadas a servir de guia para os investidores tomarem decisões.
    Acontece que estes "ditados" soam bem mas, por vezes, não passam de mitos que induzem em erro e dão maus resultados.

    A chegada de Novembro é uma boa altura para avaliar algumas das máximas do mercado. Geralmente, este mês é considerado como uma boa altura para comprar, tal como Maio é a época do ano em que se deve vender, como aconselha o ditado que diz: "sell in May and go away" ["venda em Maio e afaste-se"]. É possível encontrar na evolução histórica dos índices provas capazes de sustentar este adágio. Mas também se podem encontrar provas em sentido contrário. Como fundamento para uma estratégia de investimento consistente é, manifestamente, pouco.

    Outro mito está na abordagem ao risco e como este está presente em diferentes classes de activos. Qualquer investidor ou candidato ao estatuto já terá escutado, até de pessoas com conhecimento e responsabilidades, que "as obrigações não têm risco". Trata-se de um completo disparate, como se pode constatar pela turbulência que tem afectado os títulos de dívida pública portugueses. Com as taxas de juro em alta, o valor destas obrigações desce e quem as tiver em carteira vê-se forçado a contabilizar perdas.

    Terceiro mito, mas muito disseminado: quando o pânico de instala nos mercados de acções e as cotações caem com rapidez, está na hora de vender, também, e não pensar em novos investimentos. Sucede que este é o primeiro passo para comprar quando as cotações estão altas e vender quando baixam o que, como parece óbvio, é um caminho certo para torrar poupanças. Na evolução das bolsas, os períodos de queda são aqueles em que se encontram as melhores oportunidades de investimento porque o receio e a desconfiança da maioria dos investidores não selecciona alvos. Resultado: as acções de empresas de boa qualidade são tão penalizadas como as de quaisquer outras e quem mantém o sangue-frio recolhe os frutos mais tarde.

    Quarta situação: o mito de que adicionar uma fatia de títulos de maior risco a uma carteira a torna mais arriscada. Não é verdade porque a diversificação permite diluir o risco, enquanto fornece a oportunidade de melhorar a rendibilidade dos investimentos. Uma carteira de acções, ou fundos de acções, que tenha uma parcela aplicada em empresas de mercados emergentes terá encontrado aqui um suplemento de retorno que terá ajudado a compensar perdas registadas nos mercados desenvolvidos, sobretudo decorrentes do "crash" de 2008/2009. As lendas e os mitos ficam bem na literatura mas são um perigo quando a matéria é investimento.




    in JNeg
     
SatLine 24