O fardo vai ficar mais pesado

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 4, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    O fardo vai ficar mais pesado

    João Cândido da Silva


    O País viveu nos tempos mais recentes mergulhado nos melodramas da aprovação da proposta de Orçamento do Estado para 2011.

    Sob a pressão dos credores, a quem se apelida também de "mercados", jogou-se nas tensões políticas variáveis o preço a que o Estado e a economia portuguesa se financiam no exterior. Acontece que aquilo que é óbvio para qualquer gestor ou empresário de um negócio de pequena ou média dimensão, escapa muitas vezes a quem toma decisões que influenciam as condições e o contexto em que essas empresas têm que lutar pela sobrevivência.

    O contraste entre o tom do debate parlamentar e as dificuldades que o País atravessa, e que não vão ser debeladas tão cedo, foi evidente. Enquanto, no terreno, as empresas tentam manter-se de pé, com restrições no acesso a financiamento e as tesourarias apertadas, para apenas se mencionarem os obstáculos de curto prazo, Governo e oposição brindaram-se mutuamente com galhardetes destinados a ver quem tem mais culpas na situação negra a que Portugal chegou e quem merece a justiça de ter feito alguma coisa para combater ou, pelo menos, minorar os efeitos de uma crise profunda e de efeitos duradouros.

    A chamada "classe política" parece ter descolado da realidade. Ou parece ignorá-la, em favor da pequena vitória que, aos olhos dos eleitores, possa funcionar como um incentivo ao voto. Enquanto isso, nas empresas sabe-se que há vida para além da retórica truculenta. Os mercados externos são o palco de uma competição feroz e nada no Orçamento do Estado para 2011 promete melhorar a competitividade de quem quer vender bens e serviços lá fora. Pelo contrário, o fardo de um Estado mas gerido vai pesar mais do que nunca no próximo ano.




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