Os bancos que cobram as comissões mais baixas

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 8, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Banca

    Os bancos que cobram as comissões mais baixas


    08/11/10

    Em 2010, os bancos subiram em média 10% as comissões cobradas em serviços associados a uma conta à ordem. Saiba quem cobra menos.

    São más notícias para as carteiras dos consumidores. Ter uma simples conta à ordem, pedir cheques ou fazer transferências bancárias é hoje mais caro do que no início do ano. O Diário Económico comparou três diferentes comissões cobradas nos 10 maiores bancos a operar em Portugal, hoje e no início de Fevereiro. E há diferenças assinaláveis. Em Fevereiro, ter uma conta à ordem, fazer uma requisição de 20 cheques ao balcão e 15 transferências interbancárias (também ao balcão) custava em média 115 euros. Hoje o mesmo cabaz de serviços custa em média 127 euros. Um valor que representa uma subida de 10,3%.
    Este aumento tem uma explicação simples. Com o agudizar da crise, as instituições bancárias estão a aumentar as comissões de forma a sustentar o crescimento dos seus lucros e compensar outros indicadores menos positivos. Os resultados trimestrais apresentados pelos cinco maiores bancos do mercado português- CGD, BCP, BES, BPI e Santander Totta-comprovam esta realidade. Enquanto que a margem financeira desceu em quase todos os bancos, as comissões cobradas nestas instituições registaram subidas nos primeiros nove meses do ano. Subidas essas que variaram entre os 4% e os 13%.
    André Rodrigues, analista da Caixa BI que acompanha os títulos do sector bancário, explica esta tendência: "A subida das comissões é uma forma dos bancos compensarem o desempenho menos positivo de outras variáveis como a menor margem financeira ou os custos com imparidades associadas ao aumento do crédito malparado". O analista refere ainda que, como consequência desse facto, não só os "bancos estão a fazer revisões dos preçários, como também estão a fazer revisões de isenções. Ou seja, há hoje menos clientes a beneficiarem de isenção de comissões".
    Entre as 10 instituições analisadas pelo Diário Económico, o Montepio foi o banco que agravou mais as comissões analisadas para operações feitas ao balcão. Contas feitas, o agravamento foi de 60% face ao início do ano. A CGD aparece em segundo lugar com uma subida de 38% das comissões ao balcão, face aos preçários de Fevereiro. No pólo oposto estão BES, Santander Totta, Barclays e BPI que não fizeram alterações de preçário nas três comissões analisadas.
    Analisando as comissões à lupa, há um dado que salta à vista: foi nos custos de manutenção de conta que se registaram os maiores aumentos. Contas feitas, ter uma conta com um património de 1.000 euros representava, em Fevereiro, um encargo médio anual de 47 euros. Agora, esse valor médio avançou para os 54 euros. O que representa uma subida de 14%.
    Os agravamentos atingiram não apenas as comissões de gestão de conta, mas também os custos associados à requisição de 20 cheques ao balcão. Em média este serviço custava 12,6 euros no início do ano, mas agora passou a custar em média 14 euros. Além dos cheques, também as transferências interbancárias feitas ao balcão ficaram mais caras. Fazer 15 transferências interbancárias pontuais passou a custar agora mais 3,79 euros do que no início do ano.
    Mas nem tudo é negativo. Embora as comissões ao balcão tenham sofrido um aumento, as operações que podem ser feitas também através da internet registaram uma quebra ligeira dos custos associados. Por exemplo, fazer 15 transferências interbancárias pontuais pela Net custa em média 8,94 euros- menos 8% do que no início do ano. Um dado que mostra uma tendência que vem sendo seguida nos últimos anos pelas instituições financeiras, de forma a estimular os clientes a usarem os meios electrónicos para fazerem operações bancárias, em vez de recorrerem ao balcão.
    A má notícia é que a tendência de subida de comissões da banca deverá continuar. "Há alguma margem de subida de comissões, porque os bancos não reviram todas as comissões de todos os clientes ao mesmo tempo. Ainda assim, acredito que o grosso das subidas já terá acontecido em 2009 e 2010", refere André Rodrigues da CaixaBI. Sobre as comissões que poderão estar sujeitas a maiores agravamentos no futuro, o analista da Caixa BI refere que tal é difícil de prever, pois depende da situação de cada banco. Ainda assim, André Rodrigues avança: "No médio prazo, quando os mercados accionistas recuperarem e as pessoas voltarem a investir em activos de maior risco, há alguma margem para as instituições aumentarem as comissões associadas à gestão de activos".

    Comissões à lupa
    CGD
    A Caixa foi um dos bancos que mais aumentou os custos, tendo em conta o conjunto das três comissões analisadas. Contas feitas, ter uma conta à ordem, fazer uma requisição de 22 cheques e 15 transferências interbancárias ao balcão, custará no mínimo 133,22 euros. No entanto, se optar por requisitar os cheques e fazer as transferências bancárias pela net, a factura global baixa para os 77,28 euros. A Caixa é o banco que cobra mais pela requisição de cheques.
    BCP
    Das três comissões analisadas, o banco fez apenas alterações desde Fevereiro às comissões praticadas nas transferências interbancárias. No total, ter uma conta à ordem, fazer a requisição de 20 cheques ao balcão, assim como 15 transferências interbancárias comporta hoje um custo anual de 141 euros. Mais sete euros do que no início do ano. No entanto, se o cliente optasse por pedir os cheques e fazer as transferências pela internet, a factura global desceria para os 96 euros.
    BES
    O BES foi um dos poucos bancos que não aumentou as comissões analisadas. Assim, ter uma conta à ordem, fazer a requisição de 20 cheques ao balcão, assim como 15 transferências interbancárias comporta hoje um custo anual 128 euros. Se o cliente fizesse as transferências pela internet e usasse este mesmo canal para fazer o pedido de cheques, o encargo anual total baixaria para os 86 euros.
    BPI
    À semelhança do BES, também o BPI não fez aumentos nas comissões analisadas. O BPI é o banco que apresenta os custos mais baixos quer as pessoas optem por fazer as operações ao balcão, quer estas operações sejam realizadas pela internet. Ter uma conta à ordem, fazer a requisição de 20 cheques aos balcão, assim como 15 transferências interbancárias implica um custo anual 94 euros. Se optar pela internet, o custo baixa para metade (44 euros).
    Santander Totta
    O banco liderado por Nuno Amado manteve também inalteradas as comissões praticadas no caso-tipo analisado pelo Diário Económico. Ainda assim, o banco continua a apresentar a factura global mais elevada quando as operações são realizadas ao balcão (147 euros). No entanto, se o cliente optar por fazer a requisição de cheques e as transferências interbancárias via net, os encargos globais baixam bastante (83,8 euros).
    Montepio
    Foi o banco que mais agravou as comissões analisadas. Ter uma conta à ordem, fazer a requisição de 20 cheques ao balcão e 15 transferências interbancárias (também ao balcão), custa hoje 116 euros. Em Janeiro, o mesmo pacote de serviços custava apenas 72 euros. A subida foi sentida sobretudo nos custos associados à manutenção da conta à ordem, que passaram de 16 euros para 40 euros anuais.
    Crédito Agrícola
    Desde Fevereiro até agora, o Crédito Agrícola fez apenas alterações na comissão cobrada ao balcão pela requisição de 20 cheques- custa hoje um euro a mais. Assim, no total, ter uma conta à ordem, pedir cheques e fazer 15 transferências bancárias ao balcão, comporta um encargo anual de 119 euros. O banco é uma dos poucos que não cobra nada ao cliente caso ele opte por fazer transferências interbancárias pela net.
    Banif
    O banco subiu desde Fevereiro as comissões cobradas pela manutenção de conta e pela requisição de cheques. No total, ter uma conta à ordem, pedir 20 cheques ao balcão e fazer 15 transferências interbancárias pelo mesmo canal comporta agora um custo anual de 126 euros. Mais 16 euros do que no início do ano. No entanto, se optar por fazer a requisição de cheques e as transferências pela net, o custo global cai para os 47 euros anuais.
    Barclays
    O banco não fez alterações nas comissões analisadas. Apesar disso, o Barclays continua a ser o banco que apresenta os custos mais elevados de manutenção de conta: 80 euros anuais. No total, ter uma conta à ordem, requisitar 25 cheques e fazer 15 transferências interbancárias pelo balcão implica um custo anual de 137 euros. Se o cliente optar por fazer estas duas últimas operações pela internet, o encargo global cai para os 94 euros.
    Popular
    Desde Fevereiro deste ano, o banco Popular agravou as comissões associadas às transferências interbancárias ao balcão, diminuindo, pelo contrário, as comissões para estas operações feitas pela internet. No total, ter uma conta à ordem, pedir 20 cheques ao balcão e fazer 15 transferências interbancárias pelo mesmo canal custa hoje 127 euros. Um valor que representa mais 20 euros do que no início do ano.

    Metodologia
    - Foram analisadas três comissões associadas a serviços das contas à ordem. Foi tido em conta o seguinte perfil: um cliente que tem uma conta à ordem com um património de 1000 euros, que faz 15 transferências interbancárias pontuais por ano e pede um livro de 20 cheques. Sempre que possível, foram analisadas as comissões cobradas ao balcão e na internet. No caso dos livros de cheques, na impossibilidade de ter o número exacto de cheques (20), escolheu-se a opção mais próxima (exemplo: livro de 22 ou 25 cheques).
    - Estas comissões foram analisadas nos preçários actuais das 10 maiores instituições financeiras a operar em Portugal: CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta, Montepio, Crédito Agrícola, Banif, Barclays e Banco Popular. Estes preçários foram comparados com os praticados em Fevereiro deste ano. A única excepção foi o caso do Montepio que, na impossibilidade de aceder ao preçário de Fevereiro, foi tido em conta a tabela de preços relativa a Janeiro.



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