Os lucros da banca

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 3, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Os lucros da banca


    03/11/10 | Económico




    Não deixa de ser irónico que os bancos, os maiores responsáveis pelo despoletar da crise financeira, sejam os primeiros a dar a volta a essa mesma crise.

    E que os governos, que decidiram acudir aos bancos quando esses ainda estavam a braços com graves dificuldades financeiras, continuem a fazer grandes malabarismos para equilibrar as contas púbicas. É um cenário que se repete nos EUA e na Europa e Portugal não é excepção. Nos primeiros nove meses deste ano, os quatro maiores bancos privados a actuar em Portugal lucraram 1,12 mil milhões de euros, mais 5% face ao período homólogo de 2009. Para dar a volta à crise, a fórmula dos banqueiros tem sido mais ou menos a mesma: aumentar os ‘spreads' e as comissões cobrados aos clientes, reforçar a carteira de depósitos, executar operações para uma maior eficiência fiscal e aproveitar a dinâmica dos mercados externos onde alguns deles estão expostos. Com isso os bancos estão, pouco a pouco, a ganhar músculo financeiro e a criar uma almofada para o que aí vem: mais impostos, regras de capital mais exigentes com Basileia III e uma maior restrição de financiamento de curto prazo por parte do BCE. Sendo de louvar esta postura mais conservadora por parte da banca, a verdade é que o rimo de crescimento dos depósitos tem vindo a ser superior ao crescimento dos empréstimos. Nesta altura em que os governos continuam a fazer malabarismos para equilibrar as contas púbicas, seria bom que a banca funcionasse como uma rede de segurança, injectando dinheiro nas empresas e na economia. Se a economia não descolar, a recuperação da banca será sol de pouca dura.



    in DE
     
  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Lucros da banca sobem 5% com aumento das comissões


    Resultados

    Lucros da banca sobem 5% com aumento das comissões

    03/11/10

    Os quatro maiores bancos privados em Portugal lucraram 1,12 mil milhões até Setembro.

    O sector financeiro português continua a dar sinais de recuperação. Nos primeiros nove meses do ano, os quatro maiores bancos privados a operar no mercado nacional alcançaram um lucro conjunto de 1,12 mil milhões de euros. O montante representa uma subida de 5%, face aos 1,07 mil milhões de euros arrecadados em igual período do ano passado, o que, na prática, significa que os cofres do BCP, do Santander Totta, do BPI e do BES encaixaram 5,7 milhões por dia.
    Em declarações ao Diário Económico, o analista do Caixa BI, André Rodrigues, destacou as quatro principais razões para a subida de lucros: "As comissões que subiram bastante, o impacto relevante das receitas de ‘trading' (BCP e BES), as operações internacionais (sobretudo no BES e BPI) e a baixa taxa efectiva de imposto". Além da forte quebra da carga fiscal, o aumento das comissões cobradas e a subida dos depósitos foram os principais alicerces das contas do sector. Feitas as contas, as comissões registaram um crescimento médio de 12% para os 1,7 mil milhões de euros até Setembro, face aos homólogos 1,5 mil milhões. Já a subida dos depósitos de clientes foi de 7%, para os 106 milhões de euros, nos primeiros nove meses, quando há um ano atrás este item atingiu os 99 milhões.
    "Quanto às comissões, os bancos estão mais focados num processo de revisão de tabelas e de revisão de situações de isenções que existiam no passado. A somar a isto, 2010 foi melhor em termos de comissões associadas ao mercado do que em 2009", justifica André Rodrigues. Sobre o crescimento dos depósitos, o analista alerta que "há cada vez mais a percepção de que as regras [do ‘funding' junto do BCE] se poderão tornar mais restritivas, e por isso os bancos estão a procurar ‘funding' junto dos particulares, praticando taxas cada vez mais atractivas e numa tendência que, julgo, deverá manter-se em 2011".



    in DE
     
  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    BES aposta no aumento dos depósitos para se financiar fora do BCE


    Banca

    BES aposta no aumento dos depósitos para se financiar fora do BCE


    03/11/10

    O lucro do BES subiu 12,4% para 405,4 milhões. A diminuição da carga fiscal em 30% e a queda das provisões líquidas de 24,2% ajudaram as contas.

    O BES apresentou resultados líquidos de 405,4 milhões de euros, mais 12,4% do que em Setembro de 2009. E em termos de rentabilidade dos capitais próprios apresenta-se com 9,1%, o que nos dias que correm é um bom rácio em Portugal. Apesar de comparar mal com bancos espanhóis (por exemplo, o BBVA apresentou um ROE de 15%), o BES compara bem com os seus pares em Portugal (BPI também com 9,1% e o BCP 5,9%).
    A destacar há ainda o peso da actividade internacional para os lucros do BES, que atinge já os 41%. Esta é também a perspectiva do analista da Caixa BI, André Rodrigues, que ao Diário Económico salientou "o impacto das operações internacionais, com destaque para Angola, como um ponto muito positivo nos resultados do BES".
    Mas os lucros do BES foram influenciados por dois efeitos conjunturais: a queda dos impostos pagos e a redução das provisões líquidas (no ano passado tinham sido feitas provisões extraordinárias, o que explica a queda). A queda do impostos foi explicada por Ricardo Salgado como resultado de dois grandes efeitos: impostos diferidos no activo (220 milhões de euros) e outro que tem a ver com os dividendos das participadas que estão isentos fiscalmente (parte destas isenções têm os dias contados). O efeito positivo dos impostos nos resultados teve especial impacto no segundo trimestre quando o Estado subiu a taxa de IRC de 26,5% para 29% (com o PEC II).
    Impostos diferidos o que são?
    O banco constitui provisões de forma prudente: quando há a possibilidade de incumprimento de crédito, mas estas provisões excessivas não são consideradas um custo fiscal logo pagam imposto. Só quando os créditos deixam de ser pagos é que as provisões passam a ser um custo fiscal, e nessa altura há uma libertação dos impostos diferidos, que agora são a uma taxa mais alta (mais dinheiro libertado). Paralelamente há o facto das mais-valias fiscais serem calculadas de forma diferente das mais-valias contabilísticas (umas ao valor de aquisição e outras ao valor de mercado). Este ano as mais-valias fiscais foram inferiores às contabilisticas e o BES pagou menos. Ao todo o banco pagou menos 30% de imposto que em Setembro de 2009.



    in DE
     
SatLine 24