PME devem apostar em mercados com retorno de curto prazo

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 11, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Nenad Pacek - PME devem apostar em mercados com retorno de curto prazo


    Especialista em internacionalização vem a Portugal dar um "workshop" sobre a melhor forma de investir em mercados emergentes em tempos de crise.


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    Nenad Pacek | O ‘guru’ avisa que é importante seleccionar bem um distribuidor.



    Nenad Pacek defende que "não é preciso uma PME ser rica para iniciar um processo de internacionalização". O co-fundador do CEEMA Business Group, em entrevista por "e-mail", diz que as PME da Áustria, Alemanha e Escandinávia são exemplos a seguir porque são rápidas, flexíveis e se transformaram em "players" globais.

    Os mercados externos são, ou não, uma solução para as empresas ultrapassarem os problemas internos?
    Para as empresas que desejam crescer em dimensão e diversificar as suas vendas, olhar para o exterior é uma boa solução. Ir para o estrangeiro é, também, uma questão de sobrevivência. As PME portuguesas que se restringirem ao mercado doméstico vão enfrentar, cada vez mais, a competição de concorrentes incomuns que também se estão a expandir.

    Muitos mercados, especialmente os emergentes, estão hoje a crescer mais rapidamente e têm menos dívidas que o mundo desenvolvido. As oportunidades de crescimento são imensas. No entanto, ir para o estrangeiro é mais fácil dizer do que fazer. No 'workshop' sobre mercados emergentes que vou realizar em Portugal, em Dezembro, vou explicar quais as melhores práticas a adoptar em matéria de internacionalização e como evitar as decepções.

    Como é que pequenas e médias empresas podem competir, num mercado globalizado, com empresas de maior dimensão? Quais as estratégias que devem adoptar?
    É verdade que as PME têm desvantagens no estrangeiro. O financiamento é uma delas. Mas, para as PME, é essencial, entre outros factores, dar prioridade aos mercados com maior potencial de retorno a curto prazo e, em seguida, gastar algum dinheiro em pesquisa na selecção do distribuidor.

    Podemos aprender muito com os líderes mundiais a partir de algumas das PME escandinavas, da Áustria e da Alemanha. Elas são rápidas e flexíveis a produzir produtos de nicho interessantes e tornaram-se 'players' globais sem terem, instantaneamente, marcas reconhecíveis. Por isso é que é importante escolher um distribuidor e, mais importante ainda, trabalhar com ele para construir um sucesso duradouro.

    Quais os cuidados que as empresas devem ter no seu processo de internacionalização?
    Antes de se iniciar um processo de internacionalização, é preciso pensar para onde ir, qual é o quadro competitivo e como é que o nosso produto ou serviço se encaixa nesse mercado. É ainda preciso seleccionar o parceiro, construir uma marca numa lógica de prazo e encontrar a forma de financiar o projecto de expansão.

    Existem alguns sectores mais fáceis do que outros para iniciar esse processo?
    Actualmente, a competição é intensa em todos os sectores. Por isso, não existe um sector mais fácil que outro para iniciar um processo de internacionalização. O importante é entender como posicionar o produto e o serviço em relação à concorrência. Em termos geográficos, existem mercados onde a concorrência não é tão intensa. No entanto, a definição desta escolha também é importante.

    Quem serão os vencedores e os perdedores da economia nos próximos anos?
    A Ásia vai ter um bom desempenho, assim como a maioria dos países da América Latina. Na Europa Central e Oriental a situação será mista, devido à elevada dívida externa de alguns mercados. O Médio Oriente e o Norte da África estão numa boa situação económica, mas é complicado lá entrar e manter operações. A África subsaariana também vai crescer bem nos próximos anos, embora a África do Sul vá continuar abaixo do seu potencial. Neste momento, os nossos clientes estão a aumentar bem as suas vendas em todos os mercados emergentes, excepto em determinadas regiões da Europa. O que os executivos portugueses devem saber é que, para muitos mercados emergentes, a história é diferente das décadas de 80 e 90, quando tivemos crises económicas frequentes. As coisas mudaram radicalmente ao nível do endividamento, reservas e políticas económicas. Esta é uma boa notícia para as empresas que se querem expandir mais no exterior.

    Nalguns mercados emergentes, subsiste o problema da corrupção. Como é que as empresas devem lidar com esta questão?
    Sim, é um problema e é sério em alguns casos, especialmente para empresas que negoceiam com outras empresas ou com os governos. Mas a corrupção também é uma parte da cena internacional de negócios que não vai desaparecer. Os executivos devem conhecer as regras e evitar eventuais problemas legais.

    Há ainda a questão da falta de qualificação da mão-de-obra. Como se ultrapassa?
    A falta de oferta e a procura elevada de quadros qualificados, os chamados 'colarinhos brancos' é um problema em muitos mercados, mas a situação está a melhorar. As empresas devem investir na formação e pagar pelos níveis do mercado interno, ao invés de observar o quanto eles pagam em Portugal para a mesma posição.

    Não é preciso uma PME ser rica para iniciar um processo de expansão internacional. Abrir alguns pequenos escritórios regionais em todo o mundo é um bom começo e não é tão caro. Do lado dos 'colarinhos azuis' as coisas tendem a ser mais fáceis já que é possível e mais rápido treinar pessoas não qualificadas para tarefas simples. Mas a escolha de um local para instalar uma fábrica deve ser um exercício feito com muito cuidado. Em alguns mercados, o custo dos trabalhadores da linha de montagem está a crescer mais rapidamente que em outros. Por isso, é preciso ter a certeza de não se optar por produzir num mercado onde a moeda local irá ganhar força.



    Bilhete de Identidade
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    Nenad Pacek vai estar em Lisboa a 15 de Dezembro, no hotel Pestana, para um 'workshop', onde será abordada a melhor forma de investir em mercados emergentes numa altura de crise. A iniciativa destina-se a empresários, administradores e altos quadros de empresas nacionais. Classificado como um 'guru' em matéria de internacionalização, Nenad Pacek é co-fundador do CEEMEA Business Group, um clube restrito de empresas, membro do conselho de governadores do Centro de Liderança Criativa, nos EUA, e foi eleito pela Virgin Books para fazer parte da lista de 40 líderes de opinião nas áreas económica e financeira. É autor do livro "Emerging Markets: Lessons for Business Success and Outlook for Different Markets". Este especialista foi, ainda, o director responsável do The Economist Group na Europa Central e de Leste. Actualmente, dá também aulas de Economia Internacional e Negócios Internacionais em duas universidades austríacas. Informações sobre a sua presença em Portugal podem ser obtidas em ceemea2010/.





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    Última edição: Novembro 11, 2010
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