Quatro lições na China sobre a língua portuguesa

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 15, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Quatro lições na China sobre a língua portuguesa


    15/11/10 | Miguel Coutinho




    Em Macau, a convite do Governo chinês, assisto ao Fórum Ministerial para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de Língua Portuguesa. Trago quatro lições sobre a China, a língua portuguesa e Portugal.

    1. O governo chinês olha para Macau como a plataforma natural de comunicação com os países de língua portuguesa. E confere-lhe uma importância estratégica: foi a primeira vez que o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao se deslocou a Macau em visita oficial. Wen Jiabao fez o elogio da agora região administrativa especial: tem infraestruturas perfeitas, um ambiente livre e aberto e é bilingue, mantendo-se a coexistência entre as línguas chinesa e portuguesa.

    2. Num país que desenha estratégias de longo prazo e procede à sua aplicação sem desvios, com método e a paciência da aranha, o objectivo é claro e foi anunciado, sem subterfúgios, a uma audiência de 1.500 pessoas, onde se encontram representantes ao mais alto nível de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor Leste e Cabo Verde. E qual é esse objectivo? Fazer crescer as trocas comerciais entre a China e estes países de 68 mil milhões de dólares americanos, nos primeiros três trimestres de 2010 (um crescimento de 57% face ao período homólogo) para 100 mil milhões até 2013. Para concretizar este objectivo, o governo chinês anunciou, ainda, a criação de um fundo de mil milhões de dólares americanos para promover as relações e apelou à abertura dos mercados, quebrando barreiras alfandegárias e combatendo políticas proteccionistas.

    3. O primeiro-ministro chinês elegeu claramente os países africanos de língua portuguesa e Timor Leste como os destinatários principais deste conceito de cooperação económica. Esta "nova responsabilidade de ajudar", como lhe chamou Wen Jiabao, traduzir-se-á no estabelecimento de uma linha de crédito de 242 milhões de dólares americanos, mil bolsas de estudo nas universidades chinesas e formação de 1500 quadros da administração destes países e transferência de tecnologia e equipamentos médicos. O fórum, o terceiro que se realiza em sete anos, tem, aliás, um título sugestivo: "Cooperação Diversificada, Desenvolvimento Harmonioso". A China, hoje uma potência económica, escolhe, com critério, os seus parceiros nos países emergentes. Sabe o que Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e Timor Leste lhe podem dar. O movimento é estudado e interessado mas, também, eficaz e compensador para os países que falam português.

    4. E Portugal? Representante da Velha Europa, com o seu contexto e fragilidades, é olhado na China com respeito mas o seu principal activo é, ainda, a língua portuguesa e a facilidade de relacionamento com África, Brasil e Timor Leste. É este o resto de um património que não podemos desperdiçar.



    in DE
     
SatLine 24