Responsável do ING defende Portugal em carta enviada ao "Financial Times"

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 12, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Responsável do ING defende Portugal em carta enviada ao "Financial Times"


    Peter Nabney enumera as razões pelas quais Portugal está em melhor situação do que a Irlanda. E diz que a percepção contrária dos mercados é que está a provocar problemas de liquidez à banca portuguesa.


    [​IMG]


    Os apuros da Irlanda e de Portugal não são sequer semelhantes. É este o título de uma carta enviada ao “Financial Times” por Peter Nabney, responsável do ING Groep em Portugal.

    Nesta carta, que o “FT” hoje publica, Peter Nabney lamenta o facto de o jornal britânico “ter caído na mesma armadilha que o mercado, que está a pôr a Irlanda e Portugal no mesmo saco” e exemplifica, nomeadamente, com o editorial de 9 de Novembro do “FT”, intitulado “Periphery planning”.

    “Na qualidade de actual residente em Portugal, e tendo vivido anteriormente na Irlanda, não consigo identificar semelhanças, a menos – claro- que se seja um ávido leitor do ‘Financial Times’”, diz aquele responsável do banco holandês na missiva endereçada ao jornal.

    “Os factos não têm nada que enganar: os apuros da Irlanda são o resultado directo da prodigalidade dos bancos irlandeses nos empréstimos ao sector imobiliário, o que levou a um cenário de bolha/estoiro da bolha. Os indicadores deficitários daí resultantes condenam, essencialmente, a Irlanda a pedir ajuda internacional, mas, para tal, também seria necessária uma milagrosa reviravolta na economia norte-americana”, salienta Peter Nabney.

    E prossegue: “os apuros de Portugal residem numa assustadora perda de competitividade, mas uma vez que isto sucedeu num contexto de crescimento económico, embora moroso, as instituições do país continuam sólidas”.

    “Ironicamente, a tensão em termos de liquidez sobre os bancos portugueses resulta deste tipo de percepção ‘do mesmo saco’, quando afinal a realidade é bastante diferente”, afirma.

    “Obviamente que Portugal tem de proceder a reformas, mas a diferença em relação à Irlanda está no tempo e na escala. Ao passo que, no caso da Irlanda, a economia tem sido inundada pela profunda escala do défice e o tempo não está do seu lado, com Portugal a questão tem mais a ver com o recalibrar do ‘mix’ receitas/despesas e, em simultâneo, com a resolução dos problemas competitivos de mais longo prazo”, refere o responsável do ING em Portugal.

    No entanto, conclui a carta enviada ao “FT”, “como tão bem o sabemos, se a Irlanda pedir ajuda, o mercado irá virar-se para a vítima que se segue em termos de vulnerabilidade, um processo que já começou”.




    in JNeg
     
LMPC