Teixeira dos Santos é o rosto dos 7%

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 10, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Teixeira dos Santos é o rosto dos 7%


    10/11/10 | Bruno Proença




    "Uma das soluções para José Sócrates poderá ser remodelar o Governo. Zapatero deu o exemplo em Espanha. Depois de aprovado o Orçamento do Estado, mexeu na equipa governamental para ganhar forças para implementar as medidas.

    "Uma das soluções para José Sócrates poderá ser remodelar o Governo. Zapatero deu o exemplo em Espanha. Depois de aprovado o Orçamento do Estado, mexeu na equipa governamental para ganhar forças para implementar as medidas. Sócrates deverá seguir o exemplo e nomes para remodelar não faltam. Além dos óbvios - Obras Públicas, Segurança Social ou Ambiente -, o ministério das Finanças precisa de sangue novo. Teixeira dos Santos está esgotado". Esta citação foi tirada de um texto de opinião publicado nesta mesma coluna no passado dia 23 de Outubro. Se na altura já defendia as vantagens de uma remodelação no Executivo socialista, agora mais do que uma opção é uma urgência para um Governo fragilizado pela minoria no Parlamento e a emergência da situação financeira do país.
    A situação do Ministério das Finanças é obviamente a mais importante. A histeria que se está a viver à volta da taxa de juro associado à dívida pública portuguesa tem origem num erro de principiante de Teixeira dos Santos. Se o ministro, em entrevista ao Expresso, não tivesse fixado o valor de 7% como a linha de vida a partir da qual Portugal deveria começar a pensar no FMI, os último dias teriam sido mais calmos e sem tantos economistas, jornalistas e políticos colados aos ecrãs da Bloomberg e da Reuters. Teixeira dos Santos é um técnico competente, um político experiente e um homem conhecedor dos mercados - dirigiu a CMVM vários anos -, portanto é difícil compreender o erro. Mas aconteceu e não foi único.
    Esta equipa das Finanças cometeu vários pecados, o que está a hipotecar a sua credibilidade e a do próprio Governo. Desde logo, os episódios caricatos que ocorreram na apresentação de diferentes Orçamentos e que atingiram o expoente máximo com o documento para 2011 - teve direito a conferência de imprensa ao sábado e a errata de 800 milhões de euros. Mas o problema mais significativo foi o fracasso na execução do Orçamento do Estado para este ano. Quando todos sabiam que já não havia espaço para falhanços, a derrapagem ultrapassa os 1.800 milhões de euros. Quem não consegue reduzir o défice de 9,3% para 7,3%, num ano com crescimento económico, sem recorrer a receitas extraordinárias, que garantias dá que vai conseguir baixar para 4,6% num ano de recessão? Esta é a dúvida que está a castigar a dívida portuguesa nos mercados internacionais, além dos problemas na Irlanda e dos erros de Merkel.
    Parece óbvio que Teixeira dos Santos é neste momento um ministro sem soluções. Ontem teve de ser o ministro da Economia, Vieira da Silva, a corrigir a mensagem do Governo sobre os juros da dívida pública. Mais importante do que o valor que hoje vai ser pago na emissão de Obrigações do Tesouro, o importante é perceber se o Governo tem soluções para executar o Orçamento para 2011 e evitar o recurso à ajuda do FMI e da União Europeia. As dúvidas são legítimas e o próprio Partido Socialista já o percebeu e, por isso, pede a substituição de Teixeira dos Santos. Na política, mais do que saber entrar, é importante saber sair.



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