Um achado chamado Eduardo

Discussão em 'Economia e Finanças' iniciado por JuizDidi, Novembro 2, 2010.

  1. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold


    Um achado chamado Eduardo


    02/11/10 | Miguel Coutinho




    Com a mesma simplicidade com que demolia pela segunda vez numa semana a política do Governo socialista, Eduardo Catroga revelou a sua idade, reconheceu que desconfia da memória e por isso justificou o recurso às notas que escrevera ao pequeno-almoço, e mostrou uma fotografia no telemóvel com o mesmo entusiasmo de quem descobrira na véspera as potencialidades do aparelho.

    Catroga é um achado: repete-se como se estivesse perdido no labirinto do seu discurso, mas é essa insistência num par de mensagens simples e directas que tornam a sua intervenção tão eficaz. O ex-ministro de Cavaco Silva é uma espécie de tio reformado a viver na província que, aproveita a visita à capital para dar uma inesperada lição de economia e finanças à família. O PSD achou um homem simples que destrói as opções orçamentais do Governo com a mesma naturalidade que diz que o acordo obtido é um dos momentos altos da sua vida pública. Compreende-se a irritação do ministro das Finanças: relegado para um segundo plano e fechado trinta minutos numa sala numa sala enquanto Catroga ocupava todo o espaço mediático. E este facto justifica a contradição de Teixeira dos Santos: a de lamentar a inexistência de uma fotografia conjunta no Parlamento para celebrar um ‘problema' de 500 milhões de euros que, segundo ele, Catroga arranjou ao Governo.



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  2. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Bloqueados


    Bloqueados


    02/11/10 | Paulo Lopes Marcelo




    Confirmou-se o inevitável: o Orçamento será aprovado. Mais do que a pressão dos mercados, de Belém ou Bruxelas, a principal razão é política: não interessa ao PSD, nesta fase, desencadear uma crise com consequências imprevisíveis.

    Mesmo sem acordo, penso que Passos Coelho não teria outra alternativa do que viabilizar o Orçamento. Pressionado por Bruxelas, e pelo trambolhão nas sondagens, o Governo passou da intransigência arrogante para uma súbita abertura negocial. Sócrates tentou comprometer o PSD com o "seu" orçamento - o mais impopular das últimas décadas - com medo de ficar sozinho, a fritar em lume brando, durante todo o próximo ano. Apercebendo-se disso, o PSD, apesar de assinar o acordo, recusou aparecer na fotografia ao lado do Governo.
    Passos Coelho aprendeu depressa e a estratégia correu-lhe bem. Ao exigir uma negociação pública, o PSD conseguiu erguer várias bandeiras: menos impostos, suspensão das grandes obras, transparência das contas. E aparecer como o grande protector da classe média, conseguindo vergar o Governo nas deduções fiscais, com a liberdade de escolha, na educação e saúde, que lhe está implícita. Vincou as diferenças perante os socialistas, primeiro com a revisão constitucional e, agora, com as suas propostas orçamentais a marcarem a agenda política.
    Mas o orçamento continua mau. Apenas serve como sedativo para acalmar os mercados. Não chega para curar a doença. Pelo contrário: aumentar os impostos, nesta fase, é como acalmar a sede de um alcoólico com um copo de whisky. O monstro vai continuar a engordar, a economia apática e o desemprego a subir.
    Nada se faz para melhorar a competitividade das empresas, reduzindo, por exemplo, os custos de produção. Nem sequer a redução simbólica (0,25%) da TSU foi aprovada. A economia, em coma na última década, assim irá continuar. Até podemos reduzir 0 défice, para os 4,6%, que isso não resolve o verdadeiro problema: a economia não gera suficiente riqueza para sustentar o Estado e o nosso modelo social.
    É aqui que o problema deixa de ser apenas económico para ser também político. Apesar dos repetidos alertas continuamos bloqueados. O sistema político não tem sido capaz de gerar as reformas estruturais necessárias. Estas medidas de ruptura, sendo impopulares, contrariam a lógica partidária de ganhar eleições. Só perante impulsos externos, como os das últimas semanas, é que as medidas difíceis são tomadas. A racionalidade eleitoral vai continuar a sobrepor-se à racionalidade económica e financeira. E o último que feche a porta.
    Por tudo isto, ou muito me engano, ou o desvario socrático, agora adiado, vai continuar. Ultrapassado o aperto, regressarão a mentira, a propaganda, o optimismo bacoco. Tal como a lógica despesista de quem vê o Estado como coisa própria. As inaugurações serão retomadas, tal como os magalhães para as criancinhas. A bancarrota Sócrates segue dentro de momentos.



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  3. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Dramas e orçamentos


    Dramas e orçamentos


    02/11/10 | Helena Cristina Coelho




    Nouriel Roubini tem fama de ser dramático nas suas previsões económicas. A realidade acabou por lhe dar o proveito.

    O homem que viu a crise do ‘subprime' estoirar com a tranquilidade dos mercados quando todos se riam na cara das suas trágicas profecias e ainda confiavam cegamente na solidez do sistema volta agora à carga. E não perdeu nem uma pitada de dramatismo. No seu último livro "Economia de Crise", cuja edição portuguesa chega hoje às bancas, Nouriel Roubini recorda que o alerta laranja dos mercados continua ligado. E Portugal não está imune à tempestade que, avisa, não está longe.
    "Infelizmente, embora a organização da casa fiscal possa parecer uma medida positiva para os investidores estrangeiros, também poderá sabotar uma retoma frágil", alerta o economista. "Porém, globalmente, é preferível estes países suportarem agora a dor do que correrem o risco de entrar em incumprimento da sua dívida", reforça. Entre os países visados por Roubini está Portugal, juntamente com outros como Espanha ou Itália que fazem parte do - neste caso - não muito selecto "Club Med".
    As dores de um Orçamento duro, com uma carga fiscal agravada e com apelos de contenção acrescida aos contribuintes, já estão assumidas. O recente entendimento entre o Governo e o PSD são agora uma forma de as colocar em marcha, apenas com uma dose suplementar de analgésicos: o ligeiro desagravamento da carga fiscal, sobretudo para as famílias com rendimentos mais baixos, vai ajudar a anestesiar o impacto dos impostos e dos cortes salariais no próximo ano. Mas, fechado o acordo, nada parece agora impedir que o Orçamento se cumpra.
    Só que os episódios rocambolescos que marcaram as negociações entre as equipas do Governo e do maior partido da Oposição acabaram por deixar sinais de alerta no ar. Feito o pacto para viabilizar o Orçamento do Estado para o próximo ano, serão agora capazes de executá-lo sem ataques de nervos ou de pânico nos próximos tempos? Augusto Mateus, que já passou pelo Governo, deixa novo aviso: já foi difícil aprovar o Orçamento, agora "vai ser ainda mais difícil executá-lo".
    Não será apenas esse projecto que será doloroso cumprir em 2011. O risco de que sejam necessárias novas medidas de austeridade e o sacrifício acrescido que se pede para que se cumpram as metas de Bruxelas vão exigir que o Estado actue... com pose de Estado. O rigor que lhe faltou até agora no controlo da despesa pública, a falta de coragem na reforma das estruturas e das administrações públicas, terá de vir agora ao de cima se quiser ser levado a sério na próxima vez que voltar a apelar ao espírito de sacrifício dos portugueses. Já temos Orçamento à vista. Agora falta um Estado que o saiba cumprir para evitar que os economistas mais trágicos como Nouriel Roubini tenham razão.



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  4. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Economia cresce 0,2% e desemprego sobe


    Parlamento

    Economia cresce 0,2% e desemprego sobe

    Económico
    02/11/10

    Os deputados começam hoje a discutir o Orçamento que prevê uma economia quase estagnada, com o desemprego a subir e um corte gigante no défice.

    No próximo ano, os funcionários públicos vão perder todo o poder de compra extra que ganharam na véspera das últimas eleições, e ficar ainda pior. Tendo em conta a redução média de 5% dos salários, e o aumento de 2,2% dos preços, o poder de compra de quem trabalha no sector público vai cair 7,2% - um retrocesso inédito na década. As consequências serão violentas: o consumo vai cair e arrastará consigo o crescimento da economia.
    "Teremos uma desaceleração muito significativa da economia entre 2010 e 2011", reconheceu o ministro das Finanças, na apresentação do Orçamento do Estado para o próximo ano. De acordo com o documento, a economia avançará a ritmo marginal, crescendo apenas 0,2% - uma previsão que, ainda assim, fica bem acima do esperado pelo FMI, que aposta numa contracção de 1,4%.
    Um dos principais entraves ao aumento do produto interno bruto (PIB) será o consumo privado, que deverá recuar 0,5%. O consumo público vai cair 8,8%, promete o Governo. Só estes dois contributos retiram uma fatia de leão ao PIB português, já que o conjunto do consumo responde por quase dois terços do PIB. De tal forma que, a concretizar-se a previsão de crescimento do Governo, 2011 será o primeiro ano em que o consumo irá recuar, sem que isso se traduza numa recessão.



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  5. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Alguns pontos-chave do acordo que garante um OE para o próximo ano


    Economia

    Alguns pontos-chave do acordo que garante um OE para o próximo ano


    02/11/10

    Teixeira dos Santos teve finalmente a resposta que queria ouvir desde o início: o PSD vai viabilizar o documento, afastando o cenário da economia portuguesa arrancar o próximo ano em regime de duodécimos.

    O caminho para o acordo foi conturbado, mas as ameaças de ruptura das negociações feitas tanto pelo Governo, como pelo PSD, não passaram disso mesmo. No final, os social-democratas conseguiram reduzir o impacto da introdução de limites às deduções em sede de IRS - a medida passa a destinar-se apenas aos agregados familiares com mais de 66.045 euros de rendimento anual, atingindo cerca de 50 mil famílias. Já o Governo, manteve-se irredutível na garantia de cumprir o corte no défice orçamental, que continuará a ter de ser reduzido para 4,6% do PIB. Além disso, afastou a ideia, pelo menos para já, de uma redução na taxa social única das empresas.


    - Aprofundar o PRACE

    "Ambas as delegações concordaram que uma redução sustentada da despesa pública exige o aprofundamento da reestruturação em curso tanto do sector público administrativo como do sector público empresarial", sublinha o acordo. Ou seja, o objectivo é racionalizar o conjunto de institutos, organismos, empresas públicas em que se multiplica o sector público, reduzindo processos, funções e programas para cortar serviços redundantes. É uma espécie de novo PRACE mas pouco detalhado.

    - Deduções para a maioria

    Em matéria de limites às deduções no IRS, a maior cedência foi do Governo. O acordo estabelece a "manutenção do actual esquema de deduções fiscais para as despesas das famílias com a educação, saúde e habitação com excepção dos dois últimos escalões de rendimentos mais elevados". Ou seja, só as famílias com rendimentos anuais superiores a cerca de 66.045 euros terão tectos no IRS para deduzir este tipo de despesas. São cerca de 50 mil os que continuam afectados pelo corte.

    - IVA dos alimentos

    Em matéria de imposto sobre o consumo, foi o PSD quem recuou em quase tudo. O maior partido da oposição tinha prometido não viabilizar o Orçamento do Estado se este implicasse subidas de impostos. Afinal, aceitou o aumento do IVA em dois pontos percentuais, para 23%. A única condição que conseguiu negociar foi a manutenção do IVA reduzido para os "produtos alimentares" e "produtos para a alimentação humana". Esta medida implica uma perda de cerca de 88 milhões de euros de receita, diz o Governo.



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  6. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    “Foi difícil aprovar o OE mas vai ser mais difícil executá-lo”


    Entrevista

    “Foi difícil aprovar o OE mas vai ser mais difícil executá-lo”


    02/11/10

    Sócrates e Passos Coelho vão ter de se entender mesmo depois do OE/11 aprovado. Crise política não está afastada.

    O acordo entre o Governo e o PSD para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011 (OE/11) afastaram a ameaça iminente de uma crise política e diminuíram a pressão dos mercados financeiros, diz Augusto Mateus. Mas a "tranquilidade" aparente só durará mediante uma execução orçamental rigorosa e um crescimento da economia, defende o antigo ministro da Economia de António Guterres. Porque se foi "difícil aprovar o OE/11 vai ser muito mais difícil executá-lo".
    O acordo assinado na sexta-feira entre o Governo e o PSD para a viabilização do OE/11 foi o melhor para o País?
    Foi positivo na medida em que não se podia dar uma situação de crise política por não aprovação do OE. Mas aconteceu tarde, foi precipitado e pouco interessante do ponto de vista da transparência. Nos detalhes finais de um acordo o papel do Governo é decisivo na medida em que o Governo é que vai ser responsável pela execução do OE e portanto poderia ter havido mais tempo para estudar alternativas e fundamentar melhor os caminhos do reequilíbro das contas públicas, quer pelo lado da despesa, quer pelo lado da receita. Este prolongamento obviamente chamou a atenção para as dificuldades da governação no sentido das decisões que importa tomar no reequilibro da economia.
    Quem é que mais capitalizou politicamente com este acordo? José Sócrates ou Passos Coelho?
    É absolutamente irrelevante. Isso é matéria que os eleitores decidirão em devido tempo. Temos de nos concentrar em resolver os problemas do País e não em capitalizações eleitorais.
    O País perdeu com o impasse em torno da viabilização do OE?
    Obviamente que sim. Os mercados financeiros reagiram mal. É um custo recuperável, com credibilidade e um conjunto de acontecimentos certeiros e coerentes. Foi difícil aprovar o OE/11 mas vai ser muito mais difícil executá-lo. Os partidos políticos, particularmente o PS e o PSD não podem achar, depois de aprovado o OE na especialidade, que já está e que podem voltar a uma lógica de não colaboração. Têm de colaborar naquilo que convergiram.




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  7. JuizDidi

    JuizDidi Staff Moderador Temático Membro Gold

    Risco de Portugal volta a superar a fasquia dos 6%


    Bolsa

    Risco de Portugal volta a superar a fasquia dos 6%

    Acordo entre Governo e PSD provoca reacções opostas nos mercados


    02/11/10

    Risco de Portugal volta a superar a fasquia dos 6% mas bolsa resiste e supera os 8.100 pontos.

    A primeira reacção dos mercados ao acordo alcançado entre o Governo e o PSD sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2011 não podia ter sido mais díspar. Se os indicadores de risco voltaram a agravar-se, invertendo as quedas registadas ao início do dia, no mercado bolsista o PSI 20 continua a negociar em máximos de seis meses ao superar a barreira dos 8.100 pontos
    O arranque do dia nos mercados de dívida parecia antecipar uma reacção positiva. No entanto, a meio da tarde, a tendência de queda inverteu-se e os indicadores de risco de Portugal agravaram-se. Reflexo da percepção de risco dos investidores, o juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos seguia a subir para os 6,075%, o valor mais elevado desde o passado dia 13 de Outubro e que compara com os 5,934% registados no fecho de sexta-feira. Ao mesmo tempo, o diferencial entre as Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos portuguesas e as ‘bunds' alemãs com a mesma maturidade, indicador conhecido por ‘spread', avançava para os 361,6 pontos, mais de 20 pontos base acima dos 343,4 pontos registados na sexta-feira e apenas superados pelos 375 pontos alcançados a 14 de Outubro passado.
    No mesmo sentido, os ‘credit default swaps' - espécie de seguro contra o incumprimento - das Obrigações do Tesouro a 5 anos portuguesas agravaram-se em 11 pontos para os 390,38 pontos, a terceira maior subida no mundo. Na prática, isto significa que por cada 10 milhões de euros aplicados em divida publica portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 390 mil euros.



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